Jogamos

Análise: Subnautica (PC) tem perigos e aventuras no fundo de um mar alienígena

O novo game da Unknown Worlds Entertainment é uma ótima opção para os amantes de jogos de sobrevivência alternativos.

Não é de hoje que jogos de sobrevivência ganham cada vez mais espaço entre o público, principalmente no PC. Esses games focados principalmente em mecânicas que colocam o jogador contra um mundo hostil no papel de um avatar frágil e com características realistas como fome, sede e até fôlego, são cada vez mais variados em suas temáticas e características próprias, criando um gênero muito peculiar e rico na indústria. Nesse universo cada vez maior de jogos de sobrevivência com os famosos recursos sandbox, Subnautica (PC) chega como uma opção muito bem trabalhada, com variações interessantes e uma ambientação estupenda.

Perdido em um mar alienígena

Um ponto muito positivo em Subnautica é a sua história. Em um enredo recheado de mistérios e enigmas, entramos no corpo de um sobrevivente da nave Aurora, caída no planeta oceânico conhecido como 4546B em pleno século 22. Aqui, precisamos inicialmente consertar nossa cápsula salva-vidas para aos poucos começar a traçar um plano e escapar do hostil planeta alienígena. A pegada mais inovadora do jogo é ter aproximadamente 80% de sua exploração localizada em ambientes submarinos bem diversificados e cheios de vida.



A história que inicialmente parece curta e simples vai se complexificando aos poucos no decorrer das explorações. Principalmente com mecânicas como a do rádio, o qual quando consertado começa a transmitir mensagens de outros sobreviventes da queda da nave Aurora e até de outros seres inteligentes que precisam da nossa ajuda ou então que querem fazer algo hostil com outros membros da tripulação da nave.

Passando por horas e mais horas de jogatina, o enredo se torna tão épico e profundo que você chega a esquecer como tudo começou de forma tão simples. De alienígenas colossais a trágicas histórias de outros sobreviventes, o jogo conta com diálogos muito bem estruturados e conclusões sensacionais independente das escolhas feitas pelo jogador.


Um mar incrivelmente rico em detalhes

Outro ponto notável do jogo é a sua ambientação. Com a esmagadora maior parte do jogo ocorrendo debaixo d’água, muitos poderiam pensar que os cenários são exaustivos e repetitivos, mas Subnautica dá um show de ambientação submarina com biomas variados, criaturas diversificadas e uma geografia totalmente única baseada em um crescimento muito mais vertical do que horizontal. 

Ao invés de focar em grandes extensões de mapa e visões incríveis de horizontes, o game aposta muito mais na profundidade e nos mistérios da exploração para funcionar. Em extensão, o mapa não tem muito mais que 2 km de raio. Entretanto, essa extensão varia muito mais quando vamos para as profundezas, onde podemos alcançar regiões totalmente escuras, ou então repletas de lava e até encontrar verdadeiras florestas submarinas.



Claro que isso não é tudo, pois o jogo também conta com cavernas claustrofóbicas, ilhas com materiais específicos e bases alienígenas que podem ser invadidas dependendo do momento de jogo que você esteja. Além dos detalhes de bioma, o jogo também conta com uma variedade incrível de seres vivos para se conhecer. Cada qual com uma função dentro do jogo, seja lhe providenciar água ou então lhe caçar até a morte. E claro que sua variedade de cores, tamanhos e comportamentos são estupendos.

Tudo isso dá uma riqueza sensacional ao título, onde temos realmente um mundo alienígena complexo repleto de seres exóticos e comportamentos diferenciados para conhecermos. Dos pequenos peixinhos que nos alimentam até os leviatãs carnívoros que podem destruir construções enormes, passando por cenários luminescentes, rochosos e com águas tão densas que fica impossível enxergar um palmo na sua frente, explorar o mundo de Subnautica já é, por si só, uma aventura incrível.


Mecânicas de construção bem explicadas

Um dos principais pilares que temos no jogo para nos auxiliar a sobreviver em 4546B é uma impressora 3D futurista que sintetiza qualquer coisa que precisamos, contanto que tenhamos os materiais certos para isso. Desde água potável até submarinos imensos que servem como bases móveis, tudo pode ser construído através dessa impressora ou de suas consequentes evoluções. 

As mecânicas de coleta são um pouco mais simplificadas do que outros jogos do gênero, com a maior parte dos recursos sendo passíveis de serem coletados com mãos nuas ou então com uma pequena faquinha. Entretanto, como de costume, esses elementos tendem a se complexificar com o tempo, exigindo mais pensamento estratégico e de administração dos jogadores para gerir seus recursos, construir suas bases da melhor forma e, o mais importante, ter um suporte de oxigênio prático debaixo d´água.



A exploração é bastante motivada pela coleta de recursos e pelo sistema de catálogo da fauna, flora e minerais do planeta. Em um esquema que lembra bastante o que foi visto em No Man's Sky (PC/PS4), podemos construir um escâner que lê praticamente tudo que encontramos no planeta. Com isso são liberadas informações novas sobre os diversos elementos do jogo, auxiliando no aprendizado e facilitando o conhecimento sobre o game. Isso é muito positivo, pois mantém um catálogo atualizável dentro do próprio jogo, de acordo com as experiências do jogador enquanto explora o mundo submerso.

Sobrevivência branda, mas funcional

Seguindo a lógica dos jogos de sandbox com mecânicas de sobrevivência, Subnautica possui diversos aspectos que forçam o jogador a ter um comportamento mais realista, correndo literalmente por sua vida ao procurar alimentos, fontes de água potável e formas de manter seu oxigênio em profundidades extremas. Aqui temos um jogo que está longe de ser tão mortal quanto outros do gênero, como Ark: Survival Evolved (Multi), mas que tem níveis de dificuldade e desafios muito pertinentes para agradar a maioria do público.



Mesmo que a sobrevivência funcione e sirva como norte de boas horas de jogatina, alguns problemas são observados no sistema de construção de itens. Isso principalmente por conta dos recursos necessários para confeccionar cada objeto. Alguns são um tanto quanto desbalanceados, sendo necessário mais minerais para fazer uma arma do que uma base submarina. Isso vai contra o senso de realidade que o jogo se propõe a ter, mesmo com uma ambientação futurista como palco.

Entretanto, esse é um problema que pode passar despercebido e até ser apreendido pelos jogadores, simplesmente aceitando que aqueles são os preços para construir os itens. Mas não deixa de ser um problema para um jogo que se propõe ter um nível de realidade minimamente aceitável com pontuações de fome, sede e até radiação afetando seu personagem.


Um jogo com muito potencial

Subnautica (Multi) pode não ser o maior e melhor jogo do seu gênero, mas com certeza se destaca em vários pontos. Para além dos aspectos positivos em sua história, ambientação e mecânicas de jogo, temos um produto muito bem otimizado, funcionando muito bem nos gráficos mais robustos ou então em configurações mais simples, coisa que outros jogos do gênero insistem em pecar repetidamente. 

Fora isso, sua trilha sonora é outro ponto incrivelmente positivo, com músicas puxando para o eletrônico e instrumental básico, mas que animam a jogatina e servem muito bem para os ambientes alienígenas exóticos que encontramos no fundo do planeta. O game ainda tem pontos para melhorar como estimular mais a construção de mods e futuramente investir em conteúdos adicionais como a teoria que rola pela internet de um continente gelado no planeta. Mas o que temos aqui é um ótimo começo de um jogo que já apresenta um conteúdo incrível com potencial para ser muito mais no futuro.


Prós

  • Visual muito bem otimizado e colorido;
  • História convida o jogador a continuar suas explorações;
  • Ambientação quase completamente submarina é incrível;
  • Boa variedade de biomas e criaturas;
  • Mecânica de construção de equipamentos bem explicada;
  • Elementos de sobrevivência cabem bem na jogatina;
  • Trilha sonora muito boa;
  • Mecânicas de aprendizagem do mundo sensacionais;
  • Diálogos bem estruturados convencem;
  • Nível de dificuldade nem um pouco punitivo.

Contras

  • Preço de materiais para construção desbalanceados;
  • Nível de dificuldade “mais acessível” pode desagradar fãs do gênero.
Subnautica — PC — Nota: 8
Análise produzida com cópia digital cedida pela UnknownWorlds
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook