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Análise: Fe (Multi) é uma jornada de descoberta e de comunicação com a vida na floresta

Use a voz para interagir com a fauna e flora, ganhando novas habilidades e salvando a floresta de monstros hostis.


Para quem não sabe, EA Originals é um programa da companhia californiana para promover títulos independentes promissores. Fe, desenvolvido pelo estúdio sueco Zoink, é um dos primeiros jogos dessa iniciativa da EA e carrega uma bela mensagem ecológica.

Fe coloca o jogador no controle de uma pequena criatura, homônima ao título do jogo, similar a uma raposa para explorar uma vasta floresta com toques nórdicos. Logo de cara, o visual chama a atenção por trazer cenários obscuros e sem texturas. O charme está justamente na mistura do preto com brilhos de bioluminosidade, deixando o game com um ar fantasioso e sonhador.

Um dos pontos de destaque do game é fazer o jogador se sentir como uma pequena criatura que está conhecendo o mundo ao seu redor. Fe apresenta poucas indicações do que fazer, apenas tutoriais básicos, favorecendo o fator de exploração. A trilha sonora é serena e, assim como The Legend of Zelda: Breath of the Wild (Wii U/Switch), silenciosa para ouvir os ruídos e grunhidos da floresta.


Voz é a chave da comunicação

No início, é um pouco confuso entender o que você deve fazer, mas, conforme sua progressão, logo fica explícito que é preciso ajudar e salvar outros seres da floresta dos Silent Ones, monstros hostis que aprisionam os animais. O jogador precisa se comunicar com outras criaturas utilizando a voz.

A interação com outros seres é a essência de Fe. Ao se aproximar deles, o jogador deve cantar gentilmente para fazer amizade. Uma linha trêmula entre os dois aparece e basta mover o direcional analógico direito para encontrar a direção certa, tornando-a linear, e aprender um novo canto. A versão para Nintendo Switch, a que jogamos para a análise, acrescenta a possibilidade de aproveitar os recursos do Joy-Con para realizar essa ação ao usar a inclinação com o controle direito e o HD Rumble para deixar a linha reta.


A amizade com outros seres é útil para a progressão. Por exemplo, ao falar a mesma voz de uma criatura similar a um cervo, o jogador pode montá-lo para se locomover mais rapidamente ou acompanhá-lo, já que ele pode abrir flores específicas que fazem o protagonista flutuar para alcançar lugares elevados. Cantar para pássaros permite subir em suas costas e ser levado para picos distantes.

Fundamentalmente, Fe é um jogo de plataforma. No início, só é possível saltar e carregar objetos, mas o jogador vai desbloqueando ações conforme coleta cristais rosas espalhados pela floresta. Desta forma, a criaturinha aprende, por exemplo, a escalar árvores e a planar após saltar para alcançar lugares distantes. Entretanto, o stealth é uma mecânica bastante presente no título. Todas as missões envolvem evitar os Silent Ones, escondendo-se entre gramas, atrás de pedras ou no topo de árvores para coletar ovos ou libertar outras criaturas da floresta. É interessante nas primeiras vezes, mas como se repete ao longo da aventura, a mecânica torna-se repetitiva e previsível, principalmente devido a fraca inteligência artificial dos monstros.

Mundo de descobertas

Há seis possíveis sons que Fe pode aprender ao longo de sua jornada. Como a obtenção deles segue uma estrutura linear, você ficará impedido de progredir por um caminho e passará diversas vezes em um mesmo local. Mesmo que sua direção artística seja impressionante, os cenários de Fe possuem pouca variedade e certamente você vai acabar se perdendo. Felizmente o game possui um mapa que, apesar de não ser muito detalhado, ajuda o jogador a se localizar ao indicar pontos importantes. E se, ainda assim, você ficar perdido, basta cantar até um pequeno pássaro aparecer e indicar o caminho.

No Switch, Fe flui bem em boa parte da aventura. Entretanto, os problemas com a taxa de quadros aparecem principalmente em áreas abertas e a ação “engasga” em alguns momentos. Curiosamente, o jogo aparenta ser bem mais consistente no modo portátil. A Zoink está de olho nesses problemas e já está trabalhando em uma atualização para corrigi-los.


Fe não é muito extenso e pode ser finalizado dentro de algumas horas. Porém, para quem curte colecionáveis, existem vários deles espalhados pela floresta. Além dos já citados cristais rosas, há pedras que permitem ter uma visão dos Silent Ones e pinturas em paredes que devem ser reveladas ao cantar próximo delas. O mapa exibe a quantidade de colecionáveis de cada região, permitindo ter um controle de qual área explorar. Como eles estão bem escondidos e exigem habilidades e cantos específicos, acrescentam mais algumas horas de jogatina para quem quer completar 100% do jogo.


Mesmo com seus defeitos, Fe é agradável, cativante e instigante. Ele transmite o sentimento de natureza e do relacionamento entre a fauna e a flora. O programa EA Originals ainda está caminhando, mas Fe demonstra que a iniciativa tem potencial e que os desenvolvedores independentes são a nova voz da indústria de games.


Prós

  • Direção artística impressiona;
  • Ideia de interação pela voz é original e interessante;
  • Jogo transmite a sensação e perigos da natureza.

Contras

  • Mecânica de stealth previsível torna as missões repetitivas;
  • Falta de variedade dos cenários;
  • Problemas de framerate no Nintendo Switch.
Fe — PC/Switch/PlayStation 4/Xbox One — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: Switch
Análise produzida com cópia digital cedida pela EA

Alex Sandro de Mattos é formado em Gestão de TI. Entre se aventurar por Hyrule e se perder em Silent Hill, gosta de publicar fatos interessantes e bobagens no GameBlast. Pode ser encontrado jogando games 2D e também no Facebook.

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