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Análise: Devil May Cry: HD Collection (Multi) é apenas nostalgia

Antologia já foi lançada anteriormente para PS3 e Xbox 360 e não parece querer agradar fãs e muito menos novos entusiastas.



O que era para ser inicialmente um protótipo de Resident Evil 4, tornou-se uma das mais aclamadas franquias lançada para Playstation 2. Devil May Cry foi criado por Hideki Kamiya e distribuído pela Capcom. O primeiro título chegou em 2001 e o último deu as caras em 2013. tratando-se de um universo paralelo e não parte da história principal da série.


Se desconsiderarmos a versão de 2013, que está fora do cânone, Devil May Cry está desde 2008, ano de lançamento de Devil May Cry 4, sem uma sequência. Pode-se dizer que os usuários da atual geração de consoles ainda não tiveram contato com os jogos que seguem a saga de Dante e Vergil nas suas potentes máquinas — até agora.

Devil May Cry: HD Collection


A série pode ser uma novidade para os consoles da nova geração, mas a verdade é que Devil May Cry: HD Collection já havia sido lançado em 2012 para Xbox 360 e Playstation 3. O jogo nada mais é do que uma coletânea dos três primeiros jogos da série (Devil May Cry, Devil May Cry 2 e Devil May Cry 3) com gráficos de alta resolução.

Na época de seu lançamento original, a recepção do público e da crítica foi positiva, afinal tratava-se de três jogos clássicos de uma das principais séries lançadas para Playstation 2. No entanto, é preciso lembrar que a coleção foi relançada em 2018, ou seja, em um novo contexto. Fica então o questionamento: Devil May Cry: HD Collection para os atuais consoles é uma boa ideia? Começaremos pela análise individual de cada jogo presente na coletânea.





Devil May Cry: nostalgia e os mesmos problemas de sempre


No primeiro game, nós temos o caçador de demônios e protagonista Dante se juntando a Trish para impedir o retorno de Mundus, a entidade maligna que Dante acredita ter matado sua família. Após chegarem ao que parece ser um castelo abandonado, a moça desaparece e cabe ao caçador de demônios descobrir como eliminar as criaturas no local e encontrar o imperador Mundus.

A premissa é simples, assim como todas as outras que seguem na série. Dante se depara com uma criatura que quer dominar a terra, o mundo dos demônios, ou ambos, e começa a agir para impedir que isso aconteça. Entretanto, apesar da simplicidade, o enredo conta com algumas reviravoltas, como a aparição de Vergil, seu irmão gêmeo, ou ainda as reais intenções de Trish no que poderíamos chamar de um dos últimos atos da história.

Para um fã da série, nada é mais gratificante do que jogar novamente e relembrar o universo que a Capcom criou. Por outro lado, por se tratar somente de uma versão HD, alguns problemas de mecânica do jogo permanecem, como é o caso das câmeras, os movimentos limitados e duros dos combos e a passividade dos inimigos.





É óbvio que o primeiro jogo da série foi lançado para um outro console, em outra outra época e com mecânicas limitadas pelo seu tempo. A pergunta que fica é: o fã teria paciência para jogá-lo no atual contexto? Outro ponto diz respeito a um público novo que ainda não teve contato com Dante: essas pessoas terão interesse em conhecer o jogo? Porque não são nem um pouco animadores os problemas com a câmera, os movimentos duros dos personagens ou ainda em relação a essa versão HD que não é tão boa assim para a 8ª geração, como será abordado  mais detalhadamente adiante.

Devil May Cry 2: seria possível ignorar?


De todos os games da franquia, talvez Devil May Cry 2 seja o pior ou esteja figurando entre os piores. Feito às pressas, o game mantém alguns problemas básicos do primeiro jogo e consegue ir além. Talvez a única novidade interessante seja a possibilidade de se jogar com Lucia ou Dante.

No quesito enredo, Dante agora conta com a ajuda de Lucia para impedir um inimigo em comum: Arius. A simplicidade da história permanece (uma grande ameaça aparece e você precisa derrotá-la), porém, Arius é um personagem terrivelmente construído. Ele não convence em momento algum que é um grande inimigo e percebe-se isso nas lutas contra ele, quando ele pode ser facilmente derrotado.





O jogo também peca na pouca variação de inimigos e na previsibilidade deles que acabam tornando as missões bem chatas. Os chefes também são previsíveis, sendo o último deles, Argosax, uma mistura de todos os outros que já enfrentados durante o jogo. Além de não ser nem um pouco criativo, durante a batalha é possível encontrar alguns pontos cegos que te fazem eliminar o inimigo facilmente sem tomar nenhum dano.

Devil May Cry 2 é um jogo para ser esquecido e fica a pergunta se ele seria realmente necessário nessa compilação. Afinal, é preciso lembrar que a sequência cronológica da história não segue a numeração dos jogos. Talvez se a Capcom fizesse uma coletânea ajustando sua cronologia seria possível resolver dois problemas: 1) situar os fãs e os novos jogadores da sequência dos acontecimentos; e 2) esquecer Devil May Cry 2.

Devil May Cry 3: o melhor game da franquia?


O terceiro e último título da série presente da coletânea é sem sombra de dúvidas o melhor deles. Com relação à jogabilidade, o jogo melhorou muito. A câmera não fica girando loucamente sozinha enquanto você muda de ambiente; há um enorme arsenal de armas diversas e bem úteis no decorrer da trama; as cutscenes estão bem mais interessantes do que nos games anteriores e em maior número também; a dificuldade é elevada e eu não há  pontos cegos ou macetes claros para derrotar chefes com facilidade; além de a história merecer uma explicação à parte.

A trama de Devil May Cry 3 segue a simplicidade dos anteriores e isso é um ponto positivo que se mantém. O que muda aqui é a presença de personagens mais carismáticos como o vilão e irmão de Dante, Vergil. Soma-se à ele Arkham, aliado de Vergil, e Mary, filha de Arkham. A história também possui reviravoltas interessantes mesmo com uma base de roteiro construída de forma simples, porém eficaz.





Devil May Cry 3 é quase que obrigatório em qualquer coletânea da franquia da Capcom, pois nota-se um cuidado maior em sua produção. Ao compararmos o primeiro com o segundo jogo, ainda que o primeiro tenha sido uma grata surpresa, ele tinha alguns problemas que foram mantidos no segundo e outros surgiram. A terceira parte da saga de Dante deu um padrão que consagrou a franquia, seja no seu humor ácido ou na forma frenética de combate.

A coletânea feita pela Capcom vale a pena?


Agora vem a grande questão. Em primeiro lugar, é preciso esclarecer algumas coisas. Para os desavisados, Devil May Cry: HD Collection é um port da mesma coletânea lançada em 2012 para Xbox 360 e PS3. Em outras palavras, ao jogar qualquer um dos três jogos em um Xbox One ou PS4, a sensação é de que os jogos se apresentam muito piores, com muitas falhas visíveis. A única mudança que aconteceu na compilação foi a mudança na resolução de 720p e para 1080p. E acredite, essa mudança foi péssima, pois parece ter ressaltado ainda mais todos os defeitos gráficos do game que é nitidamente datado.

É perceptível que não houve nenhum cuidado específico para o lançamento desse jogo. Parece, inicialmente, que a ideia da Capcom era simplesmente não tirar Devil May Cry do mercado e, para isso, bastava lançar qualquer coisa para que as pessoas voltem a se lembrar dele e a sonharem com Devil May Cry 5.

Ao que parece, a ideia era oferecer essa antologia aos fãs da série, até porque aos que ainda não conhecem Devil May Cry, com certeza não vão querer conhecê-lo dessa forma. O ideal seria ter feito uma remodelagem em alguns aspectos do jogo, especialmente o visual, deixando-o palatável para os fãs e possíveis novos interessados. No final, a Capcom deu um tiro no próprio pé e não fez uma coletânea nem para os fãs e muito menos para possíveis fãs.

Prós

  • Nostalgia;
  • Possibilidade de jogar novamente Devil May Cry 3, um dos melhores da franquia.


Contras

  • A coletânea é a mesma lançada em 2012 para Xbox 360 e PS3 e não houve nenhum cuidado gráfico para a portabilidade nesta nova geração;
  • A mudança na resolução de 720p para 1080p só evidencia os problemas gráficos;
  • Devil May Cry: HD Collection não se preocupa com os fãs de longa data e muito menos com possíveis novos jogadores.

Devil May Cry: HD Collection - PS4/XBO/PC - Nota: 5.0
Versão utilizada para análise: Xbox One

Revisão: João Pedro Boaventura
Análise produzida com cópia digital cedida pela Capcom 
Rafael C. Oliveira é goiano e já foi astro do rock (no Guitar Hero), líder de uma grande civilização (no Age of Empires) e bem casado (no The Sims). Ele diz que está escrevendo um livro de ficção científica numa tentativa de fazer novos amigos assim. Você pode tentar convencê-lo de desistir dessa ideia absurda no Twitter ou Facebook dele.

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