Blast from the Past

De volta ao passado com Monster Hunter (PS2), a primeira caçada contra monstros gigantes

Diretamente de 2004, comemore oa chegada de Monster Hunter World (Multi) relembrando como era o primeiro jogo da série.

Monster Hunter atualmente é uma franquia de grande sucesso que conta com dezenas de jogos lançados para os mais variados consoles. Com 13 anos de existência, a marca da Capcom tem um trajeto ascendente no mundo dos games, se tornando cada vez mais relevante a cada novo lançamento. Agora, com Monster Hunter World (Multi) explodindo de sucesso, que tal darmos uma olhadinha no passado e relembrar como era o primeiro game da série?

A primeira de todas as caçadas

Monster Hunter (PS2) chegou no ocidente exatamente no dia 21 de Setembro de 2004, com exclusividade na época para o console da Sony. Como todo bom hack ‘n’ slash, o jogo é focado em combates com movimentos e jogabilidade que pedem certa perícia e respostas rápidas por parte dos jogadores. A inovação que MonHun trouxe em sua época para o gênero foi o foco dos combates estar em uma criatura por vez, ao contrário da maioria dos jogos que colocava hordas de inimigos na tela para o jogador enfrentar ao mesmo tempo.

Monster Hunter, como seu nome sugere, levava o jogador para a pele de um caçador de monstros num mundo onde os humanos estão longe de ser o topo da cadeia alimentar. Com criaturas que na maioria das vezes lembram dragões e dinossauros, o jogo focava seus combates em lutas que mais se assemelhavam a combates contra bosses em outros games da época.


Mesmo que seus gráficos não fossem os melhores de 2004, a inteligência artificial dos monstros já era surpreendente para a época. Comportamentos distintos entre espécies, variações de ataques e de padrões de combate dependendo do quanto de dano a criatura recebia e a fuga de algumas espécies quando estas estão enfraquecidas são algumas mecânicas que já estavam presentes no jogo original da série e só foram sendo refinadas  com o desenvolvimento da franquia.

Olha! Dá pra jogar online!

Outro elemento que até então era pouquíssimo explorado em jogos de console era o multiplayer online. Monster Hunter usava o sistema de conexão próprio do PS2 para colocar os jogadores em partidas para até quatro caçadores completarem missões juntos, uma mecânica que continuou presente na série até os dias atuais e que recebeu consideráveis melhorias em Monster Hunter World. Esse sistema foi uma inovação na época, mas acabou servindo como faca de dois gumes para o primeiro título do que viria a se tornar uma franquia.



Um dos problemas é que o jogo em si era bastante desafiador. Não somente por conta do nível de dificuldade dos monstros, mas também por conta do pouco polimento seja em gráficos ou em mecânicas de jogo. Isso dificultava bastante sua jogabilidade, tornando-o quase punitivo e bastante frustrante, mesmo naquela época. Esse fator prejudicou bastante as notas das críticas do jogo como também sua popularidade entre os jogadores.

Em terras tupiniquins, outro fator muito importante prejudicou a popularidade do Monster Hunter: a pirataria. Como a esmagadora maioria de consoles PlayStation 2 do Brasil eram desbloqueados, sendo este um dos consoles mais pirateados da história do país, o esquema de jogar online era muito dificultado, pois não tínhamos acesso a este recurso ao desbloquear o console. Assim, a vida que já era difícil dos jogadores do primeiro título da série se tornava ainda mais impossível quando eles gravavam um DVD de Monster Hunter e tentavam desbravá-lo sozinho.


Um bestiário humilde comparado com o atual

Se tem uma coisa que chama atenção em Monster Hunter é a beleza e variedade das criaturas do jogo. Desde os “menores” insetos até os Elder Dragon mais poderosos, as bestas de Monster Hunter sempre foram um dos pontos mais elogiados da franquia, tanto no seu design como no comportamento de suas inteligências artificiais. O nível de complexidade que deram para essas criaturas faz com que a existência delas seja totalmente plausível no universo do jogo, principalmente com dados complementares sobre seus biomas, padrões de comportamento e relações com outras feras.

Entretanto, como tudo tem um começo, o Monster Hunter original tinha bem poucos exemplares de feras no PlayStation 2. Claro que pra época era um número até um pouco expressivo, mas comparando com a ambientação da franquia que temos atualmente, é um número ínfimo de criaturas disponíveis para enfrentarmos. Para começar, existiam somente seis das dezenove classes de grandes feras: Bird Wyverns, Herbivores, Flying Wyverns, Fanged Beasts, Piscine Wyverns e Elder Dragons.



Entre esses grandes grupos de criaturas, algumas figurinhas relevantes até hoje na franquia já apareceram lá no primeiro capítulo, monstros como o poderoso casal Rathian e Rathalos, este segundo inclusive era a capa do jogo. Além deles, Monoblos, Khezu, Gravios, Diablos e Basarios também são lançamentos do primeiro game. Estas foram as primeiras espécies de Flying Wyverns da série.

Outros bastante conhecidos dos caçadores são Plesioth, que teve um ótimo retorno em Monster Hunter Tri (Wii) e Kirin, um Elder Dragon bem inusitado, que já dava bastante trabalho na época. Mas nenhum deles se comparava ao poderosíssimo Fatalis, uma das maiores ameaças do primeiro jogo da série. Só do caçador dar de frente com uma dessas bestas dracônicas já era algo digno de fama, pois alcançar os níveis de missões para enfrentar qualquer um dos Elder Dragon era bem desafiador, principalmente com um recurso online não tão bom como atualmente.



Um monstro que ficou bastante esquecido na série nos últimos anos também é original do primeiro Monster Hunter, este é Lao-Shan Lung, um Elder Dragon  gigantesco que se enterra, sendo assim impossível de ver totalmente seu corpo. O grande dragão apareceu bem pouco na série, principalmente no seu início, sendo o último game no qual deu as caras o Monster Hunter Freedom Unite (PSP), lá em 2008. Agora ele retornará em Monster Hunter XX (3DS/Switch), mas infelizmente só nas terras nipônicas, já que esse game não virá para o ocidente oficialmente. Ainda não se sabe se ele aparecerá ou não em Monster Hunter World (Multi).

Armas pra quê te quero

Já que falamos dos monstros, como não falar das armas? Essas, assim como o bestiário, eram bastante escassas no primeiro jogo da série, se comparadas com a quantidade atual. Eram ao todo sete classes de armas, com variedades referentes aos poucos monstros que eram caçados durante a jogatina. Encontrar os itens certos para confeccionar armas e armaduras era bem complexo nessa época, até porque não existiam muitas páginas de dicas ou revistas que ensinassem onde ou quando pegar os itens certos, devido à  baixa popularidade do título até então.


Sobre as classes de armas de Monster Hunter, tínhamos as tradicionais Long SwordGreat Sword, Dual Blades (na época chamadas de Dual Swords), Sword and Shield, Hammer, Lance, Light Bowgun e Heavy Bowgun. Pra época, era uma boa variedade de classes de equipamentos para diversificar  a caçada e o estilo de luta de cada jogador. Entretanto, nota-se que outras armas já bastante conhecidas da série não estavam presentes como o Switch Axe, Hunting Horn e Charge Blade.

Até hoje é um desafio jogá-lo

Para os ávidos por experiências old school, jogar o primeiro Monster Hunter atualmente, seja no console original ou por emuladores, é um desafio e tanto. Por conta das diversas evoluções da série no sentido de complexidade de mecânicas, variedade de monstros, mapas e equipamentos e até a melhora de recursos como o multiplayer online, um fã da série que se aventurar no primeiro game da franquia em pleno 2018 terá bastante trabalho para romper a barreira temporal.


Monster Hunter não chega a ser um marco ou um excelente jogo, mas foi um primeiro passo interessante para aquilo que viria a ser uma das maiores franquias da Capcom atualmente. O jogo não envelheceu bem como game individual, mas em compensação, a franquia que se originou dele se torna cada vez mais popular, alcançando finalmente fama e reconhecimento para talvez ser considerada uma AAA.

O PlayStation 2 ainda recebeu uma continuação do game, mas Monster Hunter 2 (PS2) nunca chegou a ser lançado no Ocidente. Assim, a popularidade da franquia continuou em outra direção: a dos portáteis, principalmente com a série Monster Hunter Freedom, lançada para PSP.  Depois de bastante tempo nos portáteis, seja no PSP ou no 3DS, chegou a hora de um retorno digno da série para os consoles de mesa, resta saber se a experiência está à altura de tudo que a franquia construiu desde o Monster Hunter de 2004 até agora.
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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