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Análise: Maze Runner: Correr ou Morrer (Android/iOS) coloca o jogador em um labirinto sem fim

Sinta-se parte dos experimentos da CRUEL no jogo baseado no filme distópico.

Se há um gênero de game que combina perfeitamente com a trama do filme pós-apocalíptico Maze Runner: Correr ou Morrer (Wes Ball, 2014) é o runner. Caracterizado por serem jogos nos quais seu objetivo é correr sem parar enquanto desvia de obstáculos e coleta recompensas para completar as missões, nada seria mais adequado à adaptação cinematográfica da saga de livros do escritor estadunidense James Dashner. No runner Maze Runner: Correr ou Morrer (Android/iOS), da PikPok, você se sente tão preso quanto os clareanos.

Bem-vindo à Clareira

O jogo segue a história do primeiro filme, mas em uma cronologia menos acelerada. Em Maze Runner: Correr ou Morrer, o jogador assume o papel de um novo clareano, recém-chegado ao Labirinto logo após a inclusão dos protagonistas Thomas e Teresa. Como todos os jovens colocados no Labirinto, o personagem possui suas memórias apagadas bem como é escalado para fazer parte do grupo conhecido como corredores, os responsáveis por correr pelo labirinto e mapear o local em busca de uma saída.

Apesar da premissa original do jogo se basear em um personagem original, o sistema que permite ao jogador evoluir e poder comprar outros clareanos também possibilita que o jogador opte por correr com personagens do próprio filme, como o líder Alby, o retalhador Winston e o encarregado dos corredores, Minho. Algo que torna o jogo mais familiar e divertido para os fãs do filme e dos livros.


Corra por sua vida

Os gráficos de Maze Runner: Correr ou Morrer mesclam imagens do filme com a animação do jogo. As cinemáticas são compostas por imagens 2D com efeito de movimentação 3D e o adendo de personagens e itens do game. A arte está bem bonita e reprisa os cenários icônicos do filme, bem como reproduz a aparência do elenco real para a versão de jogo eletrônico.

Assim sendo, é fácil reconhecer Dylan O'Brien como Thomas, Kaya Scodelario como Teresa, Thomas Brodie-Sangster como Newt e os outros cinco personagens jogáveis, com exceção ao primeiro personagem que é uma criação original para o jogo. Igualmente reconhecíveis são os ambientes do jogo. O Labirinto possui a mesma arte do filme e lembra o experimento letal da organização CRUEL, que busca uma cura para o Fulgor, a doença que devastou o mundo.



A jogabilidade de Maze Runner: Correr ou Morrer é bem fluida e frenética. Tal como no filme, o Labirinto é dividido por seções que só são liberadas após o jogador encontrar as pistas exigidas para avançar no jogo. Cada labirinto possui um nível, no qual precisamos coletar os pedaços do mapeamento da área para prosseguir até o próximo nível e assim consecutivamente.

Por exemplo, a seção 1 possui quatro níveis, contudo a cada avanço as seções se tornam maiores e os níveis ganham maior número, bem como abrem caminhos secretos que dão um acréscimo considerável à campanha do jogo. Para abrir novas seções é necessário apenas concluir o desafio básico de encontrar as quatro peças do mapa do Labirinto, porém há opção de mapear completamente a área através do fator replay com novos objetivos.

Nenhum labirinto do universo de Maze Runner está completo sem os Verdugos. As criaturas mecânicas que caçam os clareanos e vivem dentro do Labirinto também estão presentes. As fases com os monstros exigem reflexos rápidos para fugir dos ataques das criaturas e dão um tom ainda maior do terror que a comunidade da Clareira passa todos os dias para sobreviver.


O Labirinto é CRUEL

Se há algo que me chamou muita atenção em Maze Runner: Correr ou Morrer é o tamanho da campanha. A casa dos mapas exibe todas as seções do Labirinto e é um número imenso! São mais de dez seções com níveis entre quatro e sete fases, mais os caminhos secretos. Se o game queria fazer o jogador se sentir tão preso quanto os clareanos, conseguiu.

Como esperado de um labirinto, não há muita variação de cenários, porém será que é válido reclamar disso em um jogo que se passa dentro de um labirinto? Acredito que não. Maze Runner: Correr ou Morrer almeja criar a mesma imersão e experiência do filme, então o isolamento do jogador e a repetição de lugares sem saídas é mais um item para tornar tudo muito claustrofóbico.

O runner é bem fiel ao filme ao conter várias áreas específicas do Labirinto, como as Lâminas e até mesmo fazer o labirinto se mover e mudar o tempo todo. Todavia o game também acrescenta fases adicionais como o subterrâneo. Onde o jogador corre por locais cheios de armadilhas mortais, áreas submersas e gases venenosos. Ambientes estes que não constam nos livros ou nos filmes, mas combinam perfeitamente com o clima do jogo.


Seja um corredor

Maze Runner: Correr ou Morrer possui um sistema de progressão que permite melhorar seu corredor, então o jogador tem a oportunidade de deixar seu personagem tão bem qualificado quanto os melhores corredores, que são essencialmente os personagens do filme. O game ainda tomou o cuidado de dar atributos compatíveis com as habilidades dos personagens no longa-metragem, ou seja, o líder dos corredores, Minho, é o mais veloz enquanto outros possuem diferentes pontos fortes.

O jogo possui microtransações, mas, devido ao fato das moedas e joias mais valiosas estarem continuamente disponíveis para serem coletadas ao longo das corridas, o jogador pode usufruir da campanha e evoluir seus personagens sem necessidade de comprar pacotes premium. Vale mencionar que o jogo não precisa estar conectado à internet para funcionar, uma vez adquirido, ele roda sem necessidade de conexão.

Apesar de tantas qualidades, Maze Runner: Correr ou Morrer possui pequenos bugs de legenda e o presente diário simplesmente não funciona, o que mostra que o jogo está praticamente abandonado. A propaganda para assistir ao trailer do segundo filme, Maze Runner: Prova de Fogo (Wes Ball, 2015) também não exibe nada.



No fim das contas, Maze Runner: Correr ou Morrer é um jogo divertido, mas que foi feito unicamente com o propósito de divulgar o primeiro filme da trilogia distópica. Ele não mostra sinais de manutenção ou atualizações por parte da PikPok, então se você é fã de Maze Runner vai amar, porém se não conhece a saga de livros ou os filmes, e espera por um jogo com longa vida útil como Star Wars: Galaxy of Heroes (Android/iOS), da EA, ficará desapontado.

Prós

  • Campanha imensa;
  • Fiel ao filme Maze Runner: Correr ou Morrer;
  • Fluidez dos comandos;
  • Gráficos que lembram o elenco;
  • Labirinto muito bem recriado e com caminhos adicionais;
  • Microtransações não atrapalham a experiência de jogo;
  • Opção de seguir uma história original;
  • Roda sem necessidade de internet;
  • Sistema de progressão fácil.

Contras

  • Jogo abandonado, sem atualizações ou cuidado com os jogadores;
  • Legenda defeituosa ocasionalmente;
  • Propaganda para a sequência Maze Runner: Prova de Fogo não funciona.
Maze Runner: Correr ou Morrer — Android/iOS — Nota: 7.0
Versão usada para análise: Android
Revisão: Vitor Tibério
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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