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Análise: Okami HD (Multi): uma mistura de artes

Quando mitologia japonesa, level design de qualidade e pinceladas rápidas trazem de volta um clássico moderno revitalizado.


Entre muitos jogos que investem em visuais fotorrealistas e outros que se engraçam com a onda “retrô” do pixel art, temos Okami HD (Multi), um colírio para os olhos daqueles que apreciam pinturas e artes de pinceladas rápidas. Além de seu visual cel-shaded incrivelmente peculiar, este também é o tipo de ação-aventura que traz à nova geração puzzles inteligentes, trilha sonora e direção de som aclamados e uma história interessante sobre a mitologia japonesa.

O legado da divindade lupina

Você já deve ter tido, pelo menos, contato indireto com o protagonista do título — mesmo que não tenha jogado a versão originalmente lançada. A Capcom se encarregou de incluir Amaterasu no terceiro título da série Marvel vs. Capcom, o que popularizou um pouco mais o lobo divino. Apesar de não ter se saído tão bem em número de unidades vendidas, a versão originalmente lançada em 2006 para PlayStation 2 foi um sucesso de críticas, ganhando até um port de boa qualidade adaptado para o Nintendo Wii em 2008 e uma sequência direta conhecida como Okamiden (DS) em 2010.

Okami conta a história de um lobo despertado em uma realidade apocalíptica no mundo fictício de Nippon — uma alusão direta ao Japão da nossa realidade —, e que é comumente confundido com Shiranui, lobo branco que lutou contra o demônio Orochi 100 anos antes do tempo que se passa o jogo. Com o objetivo de descobrirem o que está corrompendo e infectando Nippon, Ammy (para os mais íntimos) e o debochado companheiro Issun viajam por campos, montanhas e vilarejos à beira da ruína, procurando despertar treze deuses que detêm habilidades poderosas personificados em pincéis sagrados.
Issun é a parte cômica da dupla, enquanto Ammy é a parte valente.

A arte em sua mais pura forma

Okami é um jogo que evoca uma sensação de contemplação visual que poucos jogos trazem. Mas, pessoalmente, o que mais se destaca é a tríade perfeitamente equilibrada entre visual, narrativa e mecânica. O jogo tem visual de pintura, Amaterasu utiliza habilidades com pincéis celestes para derrotar inimigos e resolver desafios lógicos (mecanicamente falando), tudo isso seguindo um arco narrativo que envolve deuses detentores de poderes artísticos.

É impossível não negar suas similaridades com os jogos da franquia Zelda, em especial com The Legend of Zelda: The Wind Waker (GC/Wii U), o título que apresentou Toon Link e Toon Zelda ao mundo e mostrou que bons jogos não precisam necessariamente ter gráficos fotorrealistas. O visual, a anatomia das side quests e os puzzles propostos são similares e bebem da fonte de outros jogos do gênero. E, assim como The Wind Waker, recebeu uma remasterização para realçar toda a sua identidade ludo-narrativa.
Desenhando a copa da árvore e concedendo vida por meio da pintura.

A arte moderna

Trazer um título com visual "cartunesco" para a geração atual também é um desafio, mesmo que os gráficos não pareçam tão distintos de sua forma original. Porém, como o jogo já havia sido lançado para o PlayStation 3 em alto definição, não houve muito o que ser feito, além de algumas correções técnicas básicas e uma ligeira melhoria nas cores.

A taxa de quadros por segundo melhorou consideravelmente, mas o jogo não parece visualmente agradável em certos momentos com muitos elementos no cenário. Isso não se deve ao desempenho do título nos consoles atuais, mas sim na maneira com que o próprio jogo trata a câmera — a visão do que está na tela pode parecer rapidamente desfocada.
O visual "cartunesco" é muito bonito, mas o desfoque causa um pouco de incômodo.
O sistema de troféus e conquistas é o mesmo da geração passada — isso mesmo “platinadores”, vocês infelizmente não vão tirar mais uma platina com facilidade se já se aventuraram com Ammy e Issun no PS3. É um jogo ideal para quem nunca jogou nas gerações passadas, que trouxe a adição do touchpad do controle de PS4 como forma de pincelar a tela com as formas certas para resolver os enigmas. O sistema de salvamento, entretanto, é um pouco obsoleto e lento, apesar de condizer com a proposta e temática do jogo.

A aventura é épica por sua narrativa, visual e jogabilidade ímpares, e colocar uma obra destas à disposição de jogadores da geração atual é oferecer a oportunidade de jogar algo que não se encontra em qualquer franquia ou empresa de jogos. Por isso, Okami deve não somente ser lembrado como um clássico de duas gerações atrás, mas também como uma aventura épica e totalmente contemporânea.

Prós

  • Narrativa emocionante trata intimamente da relação do homem com a natureza;
  • Narrativa, mecânica e estética andam em perfeita harmonia;
  • Ótimo level design e diversidade de side quests.

Contras

  • Desfoque da imagem em alguns ambientes muito ricos em detalhes;
  • Salvamento manual e apenas em locais específicos.
Okami HD — PC/PS4/XBO — Nota: 9.5
Versão utilizada para análise: PS4
Arthur Maia escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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