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Análise: Draconius GO (Android/iOS) inventa, melhora e consegue ser mais do que uma cópia

Na onda da realidade aumentada de Pokémon GO, o game da Elyland consegue ser bem criativo usando da mesma fórmula.

No ano passado a realidade aumentada nos games virou febre quando os monstrinhos de bolso da Nintendo ganharam o mundo com um jogo mobile onde o mapa seria o nosso mundo. Não demorou muito para que réplicas e tentativas frustradas de surfar na febre de explorar o mundo com o seu smarthphone surgissem. Muitas dessas tentativas apresentavam  engines muito pouco desenvolvidas, servidores fracos e imagens estáticas, deixando toda a diversão se comprometer por conta de aspectos técnicos rudimentares. Entretanto, no início deste segundo semestre de 2017 a Elyland lançou Draconius GO (Android/iOS) para mudar essa história e mostrar como é possível fazer jogos tão bons quanto Pokémon GO (Android/iOS) ou até melhores usando a mesma fórmula.


Draconius GO segue a mesma premissa de Pokémon de “pegue todos”, mas com grandes diferenças nas mecânicas de jogo. A fórmula básica está ali, o mapa e até o layout são muito parecidos, fazendo com que, a primeira vista, ele pareça uma mera cópia do jogo original da Niantic. Entretanto, quando a primeira impressão de uma cópia passa e você se acostuma com as criaturinhas diferenciadas do jogo, temos em mãos quase uma aula de como implementar ótimas mecânicas variadas em jogos desse gênero, sem exigir mais do que o necessário dos smarthphones.

Já vi isso em algum lugar…

As semelhanças com Pokémon GO são impossíveis de serem ignoradas. O layout inicial do jogo é quase idêntico ao do game da Niantic, além disso, menus como o de itens, monstros, personagem e opções também são de extrema semelhança. A ficha técnica das criaturinhas, bem como o “bestiário” também lembram os do concorrente famoso. Isso pode incomodar algumas pessoas que podem olhar o jogo nesse início como uma mera cópia sem o carisma que Pokémon possui. Assim, para desfrutar das criatividades de Draconius, é preciso superar essa barreira inicial criada por tantas semelhanças.

A premissa de Draconius é mais mágica do que a de Pokémon: somos magos/feiticeiros divididos em duas grandes equipes. Nossa principal missão é domesticar as diversas criaturas mágicas espalhadas pelo mundo, para usá-las como suporte para conquistar arenas, explorar regiões e adquirir mais conhecimento e, assim, evoluir como magos. Com essa ambientação, o jogo já consegue se distanciar um pouco do seu concorrente e é aí que ele se apoia para introduzir diversas outras mecânicas de jogo que o fazem muito divertido e variado. Mas não vamos por o carro na frente do bois.


Mapeamento aleatório, para o bem e para o mal

Uma diferença crucial de Draconius GO para outros jogos deste gênero é a sua forma de estabelecer pontos de interesse no mapa do mundo. Ao contrário da lógica utilizada em Pokémon GO que faz com que pontos como praças, monumentos e centros religiosos virem ginásios e pokéstops; Draconius segue uma lógica quase que totalmente randômica para distribuir suas construções. Assim pilares, arenas, bibliotecas, obeliscos, portais, outras construções e até as próprias criaturas do jogo aparecem de forma desprendida dos centros urbanos e vias principais das cidades.

O ponto positivo dessa distribuição mais aleatória é o preenchimento de localidades mais isoladas e não tão populares com arenas, pilares e vários outros pontos de interesse. Isso faz de Draconius um jogo muito mais interessante de se jogar em cidades pequenas e bairros de periferia mais isolados do que Pokémon GO, por exemplo. Entretanto, existe um ponto negativo aí também: existem pontos de acesso tecnicamente inacessíveis por estarem no meio de grandes quarteirões, em montes ou matas isoladas ou locais de alta periculosidade.

Mesma região de periferia em Pokémon GO e Draconius GO
Para balancear este último ponto, existe um item um tanto quanto interessante no jogo, chamado Visão do Dragão, que é adquirido pelos jogadores quando passam de determinados níveis ou então através das moedas na loja. Este item permite que os jogadores vejam todos os monstro do mapa daquele ponto até o horizonte durante meia hora. Mesmo que isso possibilite uma ótima forma de capturar monstros inacessíveis e até muito distantes, as construções como arenas e bibliotecas ainda ficam inutilizadas.

Ótimas e inovadoras mecânicas

Mesmo que pareça uma cópia, se tem uma coisa na qual Draconius GO ganha pontos, é em suas inovações. A impressão que temos ao jogá-lo é de que ele de fato melhora quase todas as mecânicas estabelecidas pela Niantic em Pokémon GO. Para começar, existem mais construções aqui além das tradicionais. Os pilares do jogo são como os pokéstops, com a sutil diferença de que você pode melhorá-los com moedas de ouro temporariamente, fazendo com que eles deem mais de um ou outro item para você. As arenas são semelhantes aos ginásios, onde as duas equipes disputam para adquirir moedas. Mas as semelhanças param por aí.



Em Draconius GO temos obeliscos que dão determinadas missões aos jogadores que, ao serem completadas, compensam com pontos de experiência, magias, runas e os itens necessários para a evolução de seus monstros. Temos também as bibliotecas, construções semelhantes a arenas, mas onde os monstros ficam por um determinado tempo para adquirir conhecimento. Após uma determinada quantidade de horas nessas bibliotecas, os monstros retornam para o jogador que poderá mudar um golpe de um de seus monstrinhos.
 
Temos também os Portais que aparecem e desaparecem aleatoriamente no mapa. Esses portais levam o jogador para outra dimensão, com pilares, ambientação e, principalmente criaturas, totalmente diferentes daquelas comumente encontradas na região. É possível sair desta dimensão no momento que quiser, até porque esses portais lhe dão acesso a apenas uma região dessa outra dimensão mágica. É possível também estabelecer um pilar de magia para que o jogador utilize runas para se atribuir determinados bônus temporários, como receber mais itens dos pilares ou atrair mais monstrinhos.



Em Draconius GO  temos o recurso de deixar uma criatura te acompanhando para gerar mais fragmentos dela (necessários para evolução), assim como também temos os ovos a serem chocados através do percurso de 2km, 5km ou 10km. Mas algumas diferenças cruciais existem aqui: os ovos não chocam somente criaturas de “primeira evolução”, proporcionalmente, quanto mais difíceis de eclodir são os ovos, maiores podem ser os níveis das criaturas que nascem deles, podendo inclusive nascer monstros de último estágio de evolução desses ovos, o que dá mais valor às longas caminhadas e permite que o jogador gaste os fragmentos apenas fortalecendo-os ao invés de evoluí-los desde o início.

Além dos ovos por quilometragem, temos aqui os ovos por tempo. Indo para a outra dimensão, existe uma construção chamada Mãe dos Dragões que permite que você deposite os chamados Ovos Antigos nela, funcionando como uma espécie de incubadora. Criaturas diferenciadas e mais raras podem surgir desses ovos. No quesito de batalha,existe também um recurso de PVP onde o jogador a partir de um determinado nível pode buscar partidas diárias contra outros jogadores. Mesmo que você enfrente apenas uma AI que utiliza os monstros do adversário, já é interessante ter um recurso de batalha que você pode usar de dentro da sua casa.



Por falar em recurso de batalha, uma outra mecânica de Draconius muito interessante é a dos monstros selvagens. Durante o dia, mas principalmente na parte da noite, você pode receber um aviso de que uma criatura selvagem deseja batalhar com você. Essas criaturas geralmente são bem mais raras do que as demais e você não pode capturá-las. Mas aceitando o desafio, poderá batalhar com elas a troco de experiência, recursos para evoluir seus monstros e runas mágicas. Mais uma vez, um recurso randômico que o jogador pode utilizar de dentro da sua própria casa.

Ótimo sistema de balanceamento

Outro ponto muito positivo de Draconius GO são os recursos utilizados para tornar o jogo o mais equilibrado possível para os seus jogadores. Para início de conversa, os dois times existentes para disputar as conquistas do mapa podem ser escolhidos por qualquer jogador que chegar no nível 5. Entretanto, se um time estiver com muito mais jogadores cadastrados que o outro, ele será bloqueado e novos jogadores só poderão optar pelo outro time. A não ser que queiram esperar até que a quantidade de jogadores se equilibre novamente e eles possam ir para o time desejado.



Além disso, os níveis dos magos são organizados por uma espécie de “elos”. Até o nível 14 os jogadores são da liga de bronze e, com isso, só encontram conquistas no mapa referentes a essa liga. Tornando impossível um jogador da liga de bronze precisar enfrentar uma arena dominada por um jogador acima do nível 14. A partir do nível 15 até o 26, o jogador estará na liga de prata e perderá o contato com qualquer jogador de nível inferior ou superior a esta janela. O mesmo acontece com a liga de ouro, para os jogadores acima do nível 26. Isso faz com que todos tenham a oportunidade de dominar as construções e enfrentar de forma igualitária seus oponentes, não punindo jogadores novatos simplesmente por serem novato

Não são Pokémon, mas são criativos!

Outro ponto diferencial de Draconius GO é o trato que os desenvolvedores tiveram com as criaturas do jogo. Até esse momento são 125 criaturas no total, incluindo diversos monstros com evoluções e até dragões lendários e criaturas ultra raras. Mesmo que pareça pouco, a Elyland já divulgou no site oficial do jogo que em janeiro uma “segunda geração” de criaturas será lançada, com mais variedades de monstros para completar o chamado bestiário. Todas essas criaturas podem não ser tão carismáticas quanto um Pikachu ou um Charizard, mas, mesmo assim, são muito criativas e diversificadas, o que torna o jogo bastante divertido também.

Todos os monstros do jogo foram desenvolvidos em 3D, com animações próprias quando se interage com eles por toque e uma “ficha técnica” com um esquema completo de danos elementais composto por, até o momento, cinco elementos diferentes. Alguns monstros podem não agradar todos por conta de sua aparência um tanto quanto grotesca. Mas outros, principalmente os mais fortes, são belíssimos e possuem um traço próprio bem característico. Isso faz com que o jogo tenha bastante identidade própria. Infelizmente, essa criatividade não é repetida nos nomes dos monstros. Com alguns se chamando simplesmente “Troll”, ou “Basilisk”. Mas nada que o recurso de renomear as criaturinhas não resolva.


Uma aula de mecânicas de jogo

Draconius GO (Android/iOS) provavelmente não vai deslanchar num estrondoso sucesso como foi o caso de Pokémon GO. Entretanto, pode ser que ele consiga manter jogadores ávidos por novidades por bem mais tempo. Todas as mecânicas de jogo diferenciadas dão uma sensação de completude e responsabilidade por parte dos desenvolvedores. Além disso, as constantes atualizações e preocupações em manter hacks o mais longe possível do game também atraem bastante, fora é claro, os esquemas de balanceamento entre níveis e equipes, que dá um banho em tudo que já vimos até então em Pokémon GO. 

Mesmo na sombra do jogo viral da Niantic, temos aqui uma excelente opção para aqueles que tem curiosidade em explorar outros jogos com outras visões sobre a realidade aumentada. Com tantas opções do que fazer no jogo, seja em movimento ou parado em um único local, Draconius GO dá diversão com qualidade e, mesmo que tenha seus deslizes, dá um show de acessibilidade para dispositivos mais leves e diversidade de opções do que se fazer com um jogo desses.


Prós

  • Visual agradável e bem feito;
  • Ambientação mística convence a jogatina;
  • Boa variedade de monstros, com bastante criatividade;
  • Boa quantidade de construções e objetos de interação no mapa;
  • Distribuição de pontos de interesse no mapa randômico e acessível;
  • Bom sistema de equilíbrio entre níveis e times;
  • Atualizações constantes e bom suporte técnico;
  • Mecânicas de jogo diversificadas e criativas;
  • Boa variedade de coisas para se fazer seja em movimento ou parado;
  • Nenhum elemento de jogo é exclusivamente ganho por cash.
  • Ovos de 10 km e 10 h são realmente compensatórios.

Contras

  • Alguns pontos de interesse em locais inacessíveis;
  • Sistema de cash demasiadamente caro;
  • Algumas semelhanças com Pokémon GO podem incomodar;
  • Pouca criatividade para os nomes das criaturas.

Draconius GO — Android/iOS — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: Android
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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