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Análise: Star Wars Battlefront 2 (Multi) divide opiniões, mas ainda é um bom jogo

Após um acesso antecipado cheio de polêmicas e promessas não cumpridas, o novo game da EA ainda consegue divertir alguns.

Todo ano tem seu caso de polêmica memorável e, com o passar do tempo, o universo dos games tem respeitado essa “regra” com episódios marcantes de casos problemáticos envolvendo empresas, fãs, processos de produção, promessas não cumpridas e tantas outras coisas. Não precisamos nem citar os nomes dos jogos onde vivemos na pele de um hacker ou um explorador espacial para lembrarmos dos episódios dos anos anteriores. O desse ano foi com Star Wars Battlefront 2 (Multi), mas por incrível que pareça, superando todas as polêmicas e desinformações que reverberam pela internet afora, o resultado final do jogo ainda é bom.
Todas as impressões registradas nessa análise dizem respeito do momento no qual o jogo foi jogado em diante. Elementos que foram fonte de polêmicas como as microtransações ou preço abusivo de personagens foram bloqueados ou modificados pela EA logo no primeiro dia de lançamento oficial do título, sendo impossível, então, avaliá-lo baseado nesse tipo de coisa. Todos os problemas ou qualidades identificados aqui falam de um momento pós-lançamento e não de acessos antecipados  ou testes beta.
Com movimentação fluida, excelentes gráficos, modos de jogo variados e uma campanha excelente, Star Wars Battlefront 2 é uma clara evolução do seu antecessor, uma pena que a EA, mesmo com tanto conteúdo interessante, ainda não o está aproveitando como deve. independentemente dos erros, no entanto, ainda é possível ver muita coisa bem polida e divertida no título. Dessa forma, na contramão do que temos visto por aí, vamos dar uma olhada em todos estes pontos com calma.


Boa variedade nos modos de jogo

De cara, um elemento muito agradável para a franquia como um todo são os diferentes modos de jogo introduzidos neste novo Battlefront 2. Com três modos solo e cinco modos multiplayer, a longevidade do título fica garantida, principalmente para os amantes de combates multijogador. Nestes, em específico, existem mapas bem complexos com uma infinidade de elementos muito bem detalhados. A sensação de estar no meio de uma ínfima parte de uma batalha muito maior do que você nunca foi tão bem representada nos jogos da franquia.

Tudo salta aos olhos em um show de áudio e vídeo de primeira. Clones, droides, rebeldes, separatistas, personagens icônicos, naves memoráveis, cenários monumentais e também aqueles elementos que agradam todo bom fã da série, mas que não são tão lembrados pelos menos rigorosos, como mesas específicas nos bares em Tatooine ou a sala de reuniões de Kamino. Junto a isso temos efeitos sonoros de primeira com um trabalho de dublagem igualmente excepcional. Entretanto, isso tudo tem um preço.



Se o jogo funciona perfeitamente nos computadores mais potentes, tudo de acordo com os requisitos de sistema exigidos, algo continua dando problema mesmo nas melhores configurações possíveis: as cinemáticas do modo campanha. Mais de uma vez, som ou imagem travaram durante a campanha ou perderam a sincronicidade, tornando o momento de apreensão da história um pouco falho, mas nada que destruísse por completo a experiência do modo campanha em si.

História digna do universo de Star Wars

A campanha do jogo diz de um período que é alvo da curiosidade da maior parte dos fãs dos filmes:o período de 30 anos entre o episódio VI (Retorno de Jedi) e o novo episódio VII (Despertar da Força). A história acompanha Ido Versio, a líder do chamado Esquadrão Inferno, um grupo de elite do Império Galáctico. Controlando esse grupo através de missões interessantes, você presencia de uma ótica diferente acontecimentos marcantes como a queda da segunda Estrela da Morte e encontra alguns personagens icônicos da franquia mais de uma vez.



Além dos fan services na medida certa, a história tem conteúdo, com personagens interessantes e multifacetados. Junto a isso, ela é oficialmente canônica, o que faz a jogatina ser ainda mais divertida para os amantes da franquia, pois vez ou outra temos alguns vislumbres de informações que podem vir a ser úteis quando estivermos assistindo o episódio VIII em dezembro. Entretanto, aparentemente por escolha da própria Disney, elementos importantes não foram apresentados no jogo, como o surgimento da Primeira Ordem.

Mesmo assim, as cerca de 10 a 12 horas de campanha possuem um tamanho aceitável, com missões cujo cenário varia entre solo e espaço nas quais nem sempre o objetivo é “matar todos na sua frente”, o que faz tudo ser bastante divertido. Para os aficcionados por desafios, fica desde já a dica: o modo médio de dificuldade é fácil demais, mesmo para a maioria dos não acostumados com jogos de tiro, fazendo com que a experiência seja muito mais contemplativa do que desafiante.


Os polêmicos créditos não são tão polêmicos assim

Um elemento que foi alvo de diversas críticas foi o sistema de acúmulo de créditos para vários usos dentro do jogo, sendo o principal deles a liberação de naves, heróis e as tão faladas cartas de itens. Entretanto, como a EA modificou algumas coisas antes do lançamento oficial, a experiência com essa mecânica não foi tão desastrosa como parecia ser. Um dos principais motivos para isso é o fato de que praticamente qualquer coisa que você faça enquanto joga te garante alguma quantidade de pontos.

Completar as missões da campanha, jogar o modo arcade e completar seus desafios, praticar demasiadamente com uma ou outra classe, fazer manobras específicas que garantem conquistas e, claro, alcançar boas pontuações nos modos online,  lhe garantem pontos de crédito que podem ser trocados por tudo que é possível no título. Como as microtransações com dinheiro real estão bloqueadas até segunda ordem, isso permite que o jogo fique ainda mais “justo” na medida do possível, pois quem jogar mais e melhor vai acumular pontos mais facilmente e, assim, ter itens melhores.



Entretanto, ainda existem aspectos muito problemáticos desse sistema de créditos que não permitem que ele seja, de fato, justo. O principal e mais grave deles é um limite de acúmulo de créditos diários nos modos de jogo solo. Além desse limite ser baixíssimo, ele pune a pessoa por jogar horas a fio os modos de campanha e/ou arcade como quiser, pois não será devidamente recompensada por aquilo e precisará repetir os procedimentos depois, o que chega a ser ridículo. Mais ridículo ainda é pensar que este sistema não afeta os modos de jogo on-line, demonstrando uma intenção quase perversa de obrigar o jogador a jogar o multijogador.

Para além deste ponto mais do que negativo, acumular os créditos para obter os heróis não é um custo tão lastimante como ocorria antes do lançamento oficial. Com um custo de 15 mil créditos para desbloquear Luke Skywalker ou Darth Vader, é possível desbloquear um dos dois apenas por completar o modo campanha do jogo sem todos os desafios alcançados, por exemplo.


Heróis completamente desbalanceados

Sem dúvidas, uma das piores experiências do jogo é o modo Heróis vs Heróis, onde dois grupos de quatro jogadores se enfrentam com os icônicos personagens disponíveis. Dois são os principais motivos deste modo não ser tudo que promete ser: o primeiro é a falta de equilíbrio entre os personagens somado com uma baixa variedade dos mesmos, sendo esse o segundo.

Sobre a falta de equilíbrio, é bem óbvio: personagens que utilizam a Força, sejam eles Jedi ou Siths, são praticamente impossíveis de serem derrotados por um personagem como Han Solo ou Boba Fett sozinhos. Isso por conta da altíssima mobilidade e poderes estrondosos que eles  possuem. Some isso a uma quantidade de dano absurda, defesa alta e pontos de vida mais altos ainda e temos verdadeiros “Supermans” que precisam de um equivalente para ser derrotado, o que é bem frustrante.



Sobre a falta de variedade, uma das principais regras deste modo de jogo é o fato de que um herói não pode ser escolhido ao mesmo tempo por dois jogadores diferentes, o que seria um elemento muito interessante, caso não tivesse uma quantidade bem diminuta de personagens para se escolher, principalmente para os novatos que ainda não liberaram personagens como Chewbacca, Princesa Leia, Ido Versio, Luke ou Darth Vader, resumindo tudo a uma questão de “quem escolhe o Kylo Ren primeiro” ou coisa parecida.

O mesmo problema, felizmente, não existe nos outros modos de jogo porque, nestes casos, a união faz a força e um herói pode ser derrotado pela combinação de tiros, bombas e habilidades de vários personagens comuns juntos, com a devida dificuldade. 


Inovações muito bem vindas

As duas principais inovações de Battlefront 2 foram o sistema de cartas totalmente revisado e reformulado e uma mecânicas de classes que organizam todos os personagens não heróicos do jogo, sejam soldados ou naves. Entre os dois, o sistema de classes foi a melhor de todas as implementações, com quatro bases para o jogo em solo e três distintas para as naves. São elas que ditam as habilidades possíveis e a jogabilidade certa de cada um, adaptando suporte, fronte e assalto de modo bem interessante.

Vinculado a isso, o sistema de cartas acrescenta um quê de estratégia muito bem vindo para a jogatina. Elas servem para melhorar pontos de vida, dano, defesa, velocidade, mudar armas, melhorar equipamentos e até desbloquear outras habilidades desta ou daquela classe em específico. Isso abre espaço para builds de cartas ideais para este ou aquele estilo de jogo, além de ser um instigador benéfico para o uso dos créditos após desbloquear todos os heróis disponíveis.



O único problema é o efeito pay to win que ainda paira sobre esse sistema pois caso as microtransações com dinheiro real voltem a ocorrer, o sistema irá se tornar terrivelmente desleal para aqueles que optarem por não gastarem dinheiro dentro do jogo, usando apenas os créditos adquiridos pela jogatina,assim como o modo deluxe do jogo já garante cartas ultra-raras para personagens como Rey, Millenium Falcon e Kylo Ren, por exemplo.

Ainda não é tudo que pode ser

Não se enganem, Star Wars Battlefront 2 tem bastante conteúdo, principalmente se for comparado com o seu antecessor direto. Entretanto, como se trata de um jogo que se propõe a passar por todas as três eras de filmes da saga da Guerra nas Estrelas, ainda fica a sensação de que falta muito conteúdo para o jogo ser, de fato, completo. Para início de conversa, elementos que apareciam nos trailers do jogo não estão presentes ainda, como o modo multiplayer local no modo arcade, os personagens Finn e Capitã Phasma como jogáveis e o modo de combate com naves espaciais sem ser no multijogador.



Para além desses elementos que inexplicavelmente não estão no jogo ainda, temos aqueles que não foram prometidos mas, considerando que aqui se trata de um título que envolve toda a saga Star Wars, com certeza sua falta é sentida. Personagens icônicos que foram deixados de lado, ao menos por enquanto, como Obi-Wan/Ben Kenobi, Padmé Amidala, General Grievous, Conde Dookan (Dooku), Anakin Skywalker (antes de ser Darth Vader), Poe Dameron (sem ser em sua nave) e os já citados Finn e Capitã Phasma são ícones que mereceriam a devida atenção. 

A sensação que fica é a de que futuramente ocorrerá a liberação destes personagens pouco a pouco. Caso seja feito sem microtransações, será um modo interessante de manter o Battlefront 2 ativo. Mas, no presente, tal falta ainda é sentida. 


Vale a pena arriscar?

A pergunta que não quer calar, claro, é se vale a pena explorar mais uma vez a galáxia muito distante em Star Wars Bettlefront 2. Tudo vai depender do que você, leitor, espera encontrar no jogo. Do modo que ele está agora, arrisco dizer que ele vale a pena, pois, acima de tudo que falta e tudo que foi acertado, o jogo consegue divertir. Não é uma experiência frustrante como tem sido apresentado ao mundo. A campanha tem tamanho aceitável para um jogo focado na ação multiplayer, os tratos com som e imagem são excelentes e a ação é convincente. Além disso, os fãs vão gostar particularmente da campanha.

Entretanto, uma ameaça ronda sobre o título e as polêmicas entre as empresas detentoras dos seus direitos autorais ainda estão rolando. O material que temos agora já vale a pena de ser comprado, mas o que acontecerá em seguida ainda está envolto em mistério. O retorno ou o fechamento por completo das microtransações, o lançamento de novos personagens e o acréscimo dos conteúdos faltantes… Tudo isso não foi confirmado nem negado até o momento, o que torna a aquisição um tiro no escuro. Ao menos, o que temos até então diverte sem ser abusivo o que no caso é o mais importante a ser dito. Já o futuro, bom… Que a força esteja com todos.


Prós

  • Boa variedade de modos de jogo;
  • Visual e som de excelente qualidade;
  • Mapas multiplayer complexos e variados;
  • Campanha de tamanho considerável e com boa história;
  • Modo arcade diverte;
  • Possibilidade de acúmulo de créditos em qualquer modo de jogo;
  • Após ajustes, conseguir os heróis para multiplayer é um desafio interessante;
  • Variações de classes dinamizam as partidas online;
  • Aumento considerável de veículos, personagens e mapas em relação ao seu antecessor;
  • Servidores estáveis;
  • Dublagem bem feita;
  • Sistema de cartas acrescenta estratégia aos combates.

Contras

  • Personagens heróicos desbalanceados;
  • Pouca quantidade de heróis para o que o modo multiplayer pede;
  • Pouca otimização nas cinemáticas;
  • Limite diário de obtenção de créditos é desnecessariamente punitivo;
  • Ausência de elementos interessantes que foram prometidos;
  • Microtransações ainda são uma ameaça ao futuro do jogo.
Star Wars Battlefront 2 — PC/XBO/PS4 — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão:João Pedro Boaventura
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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