Blast Test

Deep Sky Derelicts (PC) é um estiloso RPG espacial

Monte uma equipe e explore naves abandonadas nesse título que ainda está no início do desenvolvimento.


Deep Sky Derelicts, título independente que foi lançado recentemente no Acesso Antecipado do Steam, utiliza várias mecânicas consagradas: o jogo mistura RPG, roguelike e cartas. Com temática espacial e visual convidativo, o título tenta trazer uma experiência tensa com a presença de escolhas complicadas e desafio moderado. A versão de Acesso Antecipado conta com a base do jogo e já dá uma boa ideia de como será o produto final.

Saqueando naves abandonadas

No universo de Deep Sky Derelicts, a humanidade expandiu seus domínios por todo o espaço sideral. Mas parece que não encontraram espaço para todos, pois parte da sociedade é composta de exilados, pessoas proibidas de viver em um planeta, sobrevivendo como podem no espaço. Neste contexto está um grupo de exilados que recebe uma proposta tentadora de um agente do governo: todos eles receberão cidadania se conseguirem encontrar uma nave alien supostamente repleta de tecnologias valiosas.


Para isso, o grupo precisa explorar inúmeras naves abandonadas em busca de pistas. Naturalmente, eles não estão sozinhos nessas ruínas espaciais, que são habitadas por criaturas hostis e outros grupos — mas há também muitos tesouros e equipamentos. O ciclo de jogo consiste em guiar um grupo de três personagens por estes mapas realizando missões, como investigar algum ponto da nave ou derrotar inimigos específicos. Os mapas são gerados proceduralmente, como é de praxe de roguelikes, o que traz aventuras diferentes a cada partida.

Como exilados, o grupo não tem acesso a muitos recursos e isso é representado pela mecânica de energia: ações como explorar as naves e batalhar consomem esse recurso. Sendo assim, é importante navegar com cuidado, sempre de olho na energia restante, afinal todos morrem caso o combustível acabe — e a morte, aqui, é permanente e significa recomeçar a jornada do início. O foco, então, é saber utilizar com sabedoria a energia e isso traz alguns dilemas: explorar mais um pouco, mesmo estando com a energia baixa? Ou é melhor desmontar algum item valioso para recuperar combustível e evitar a morte iminente?


Os confrontos com os inimigos acontecem em combates por turnos. Ao invés de comandos fixos, cada personagem tem a disposição um conjunto de cartas que representam ações como atirar, atacar com arma física, recuperar escudo e assim por diante. Os equipamentos definem as cartas do baralho, que podem ter efeitos especiais, e as armas têm variações entre si. Por fim, seis classes estão disponíveis, como leader (especializada em melhorar atributos dos aliados), technician (capaz de hackear máquinas) e bruiser (é lenta e poderosa). A combinação da variedade de classes e a mecânica de cartas trazem boas opções de estratégia.

Um detalhe que chama a atenção em Deep Sky Derelicts é seu visual: ele lembra bastante uma história em quadrinhos sombria por conta do uso de cores sóbrias e traços marcantes. A produtora chama a direção de arte de “retro futurista” e realmente fiquei com a sensação de estar explorando um mundo no futuro que de alguma maneira regrediu por conta do estilo das roupas e por conta da presença constante de ruínas.


Boas ideias, alguns problemas

Deep Sky Derelicts foi lançado no programa Acesso Antecipado e já apresenta bom polimento e quantidade de conteúdo suficiente para avaliar suas mecânicas e intenções.

A base do jogo é sólida e o ciclo de explorar as naves abandonadas funciona bem. No começo, me perdi um pouco tentando entender como navegar pelos mapas e acabei morrendo muito fácil por ficar sem energia suficiente, porém com o tempo passei a avaliar melhor quando deveria voltar para recuperar o combustível. Algo que me incomodou, nesse aspecto, é que a exploração acontece em um mapa simples e sem graça: andar de uma sala para outra é basicamente um círculo se movendo por alguns quadrados — torço para que alterem isso, deixando essa parte visualmente mais interessante.


O combate por turnos não tem muito mistério e basta conhecer bem os ataques dos personagens. Para vencer, basta ficar atento às cartas já utilizadas e planejar com cuidado os próximos movimentos. Nas minhas partidas, consegui montar algumas estratégias interessantes, principalmente com cartas dependentes uma das outras. Um dos meus personagens, por exemplo, tinha uma carta que permitia executar vários tiros no mesmo turno, desde que as cartas correspondentes estivessem na minha mão — para conseguir executar isso, precisava me planejar de tal maneira para que todas as cartas necessárias estivessem à disposição. Senti que são necessários vários ajustes no balanceamento dos combates: alguns ataques são praticamente inúteis e certos inimigos normais contam com golpes capazes de matar um aliado com um único acerto.

Um problema que me incomodou bastante é a ausência quase completa de informações básicas. Não há um tutorial ou menu de ajuda, sendo assim, é tudo na base da experimentação. Precisei morrer algumas vezes para entender que ataques do tipo perfurante, por exemplo, ignoram escudos. Durante o combate existe um status chamado “focus”, mas até agora não sei exatamente a utilidade dele. O jogo não me diz as características das diferentes classes, o que dificulta a montagem de times. Por fim, os menus são nada intuitivos, complicando bastante o acesso a informações como itens que podem ser equipados nos personagens e quais são as ações de cada equipamento.


A direção de arte é ótima, porém tudo me passou a sensação de estar incompleto. Animações de batalha acabam de modo abrupto, os efeitos sonoros não parecem naturais e transições de tela não são suaves. A interface tem problemas, o que me impediu de escolher cartas e alvos em algumas situações. Encontrei também vários bugs e travamentos, alguns inclusive exigiram recomeçar a jornada do início. No momento, a quantidade de conteúdo é bem reduzida: três naves, algumas poucas missões e um simples modo “arena”, focado em combates. Isso deve mudar com o avanço do desenvolvimento do jogo.

Uma aventura promissora

Deep Sky Derelicts já apresenta mecânicas base sólidas. O misto de RPG, exploração e combate com cartas funciona muito bem, e a direção de arte deixa a experiência bem prazerosa. Porém, o jogo ainda apresenta vários problemas, como desbalanceamento, transições abruptas e muitos bugs — algo justificável, já que ele está disponível no programa Acesso Antecipado. Acredito que com o tempo e com a ajuda da comunidade, o título melhorará, porém no momento ele ainda está em um estágio bem inicial. Deep Sky Derelicts tem lançamento final previsto para o primeiro trimestre de 2018.

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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