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Análise: Creeping Terror (3DS/PC) mescla mistérios e medo em uma mansão abandonada

Com mecânicas inspiradas em Clock Tower, game traz imersão e tensão, mas deixa a desejar pela linearidade e falta de interatividade nos puzzles.


O Nintendo 3DS possui pouquíssimos jogos de terror em sua biblioteca. De certo modo, o lançamento de Creeping Terror se torna uma opção interessante para os fãs do gênero. No game, um grupo de quatro adolescentes do colegial decide explorar e fazer gravações em uma mansão abandonada. O local também tem tido relatos de um misterioso monstro que está assombrando e atacando as pessoas.

O jogador assume o papel de Arisa, uma jovem que será filmada por Bob na mansão. Com os dois estão Emily, irmã de Bob, e Ken, o “crush” da protagonista. Entretanto, Arisa acaba caindo em um buraco durante as gravações e se separando dos demais. A partir disso, Creeping Terror nos mostra que ter medo às vezes pode ser melhor do que ter coragem.



Fugindo do perigo

É perceptível que Creeping Terror carrega muitas inspirações em Clock Tower. Sua mecânica é baseada no primeiro jogo da série, lançado para o Super Famicom em 1995, no Japão, na qual o jogador interage com personagens e coleta itens enquanto foge do vilão. Mesmo todos elementos visuais sendo sprites 2D, o game possui suporte ao efeito 3D do portátil, adicionando profundidade aos cenários.

Uma característica bacana, na versão para 3DS, é a possibilidade de alterar a função dos direcionais digital e analógico para controlar Arisa ou itens no inventário. E falando nele, é preciso gerenciá-lo com cuidado, pois há espaços para carregar apenas seis objetos. É verdade que não há muita variedade de itens, os únicos disponíveis são cereais para recuperar vida, bateria de celular, pedra, madeira e osso, mas eles não são escassos e logo você estará deixando alguns para trás, já que não é possível descartá-los, apenas usando-os ou ignorando os encontrados.

O jogador explora os locais de Creeping Terror entrando em inúmeras portas e a cada nova área, o mapa vai sendo preenchido na tela inferior do portátil. Ele mostra as portas, escadas e elevadores que se conectam, inclusive as trancadas. Para quem é acostumado a se aventurar em games de terror, sabe que o vai e vem pelos cenários em busca de itens é comum, mas Creeping Terror mantém o jogador atento e imerso na exploração. Os ambientes são muito escuros, obrigando Arisa a iluminar os cenários com o celular, e as músicas e efeitos sonoros caprichados deixam a atmosfera ainda mais amedrontadora.


A tensão é incrementada com o misterioso homem da pá. Arisa não possui armas para derrotar o vilão, e resta a ela fugir ou atordoá-lo momentaneamente ao arremessar pedras ou madeiras. Outra característica, herdada de Clock Tower, é a necessidade de procurar por esconderijos e esperar o perigo passar, seja embaixo de camas, mesas ou atrás de caixas.

Haja coração

Os encontros com o homem da pá, além de um membro de um culto e cachorros, criam uma espécie de pânico em Arisa. A barra de vida se transforma no fôlego da protagonista e vai reduzindo enquanto ela foge do vilão, ou seja, é preciso cautela para não deixá-la vulnerável. É importante manter a barra sempre cheia para evitar telas de Game Over, pois quanto menor o fôlego de Arisa, mais ataques ela poderá sofrer dos monstros. Durante as fugas, ela também pode acabar tropeçando em obstáculos no caminho caso não esteja iluminando com o celular.


Certamente o maior problema de Creeping Terror é falta de liberdade do jogador. Por ser linear, dificilmente você ficará perdido pelo caminho, principalmente porque os diálogos deixam bastante explícito o que você precisa fazer. Além disso, é sempre exibido o seu objetivo no mapa, como “examine o segundo andar” ou “encontre com Emily na capela”. A falta de interatividade com enigmas também é outro fator. Arisa encontra diversos documentos que contam história do passado da mansão, relatos e até dicas de códigos para acessar portas, ativar geradores ou passagens secretas, porém, eles atuam apenas como colecionáveis. Para solucionar um enigma, por exemplo, basta ter coletado um arquivo com a solução e voltar até ele e pressionar o botão de ação.

Apesar de ser um jogo curto, sendo possível concluí-lo dentro de 3 ou 4 horas, e de sua linearidade, Creeping Terror cumpre com sua proposta. Ele incentiva a exploração e acrescenta a tensão e medo para fugir do perigo. Encontrar todos colecionáveis e obter os quatro finais diferentes podem ser um incentivo para um replay, mas não haverá nenhuma adição ou diferença real. Mas o mais importante é que “se não fossem essas crianças enxeridas, o homem da pá teria conseguido.”

Prós

  • Boa ambientação e imersão;
  • Trilha sonora bem trabalhada;
  • Adaptação competente para as duas telas do portátil.

Contras

  • Falta de interatividade com puzzles;
  • Indicações excessivas tornam o game linear;
  • Curta duração.
Creeping Terror — Nintendo 3DS/PC — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: Nintendo 3DS
Revisão: Diogo Mendes

Alex Sandro de Mattos é formado em Gestão de TI. Entre se aventurar por Hyrule e se perder em Silent Hill, gosta de publicar fatos interessantes e bobagens no GameBlast. Pode ser encontrado jogando games 2D e também no Facebook.

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