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Análise: Omega Strike (PC) traz tiro e plataforma com ares retrô

Esse indie se destaca com a presença de mecânicas de metroidvania e visual atraente.


O gênero metroidvania tem sido bastante explorado pelas produtoras independentes, sendo que cada título tenta inovar com alguma característica única. Omega Strike, jogo lançado para PC, se autodenomina um metroidvania com mecânicas de run and gun, ou seja, muitos tiros e sessões de plataforma. Com gráficos em pixel art, este título evoca aventuras da era 16-bits.

Um trio contra um exército

Em Omega Strike, controlamos um trio de membros de uma força de resistência. Esse grupo luta contra Dr. Omega, que dominou praticamente o mundo todo com a ajuda de um exército de mutantes. Para tentar impedir o vilão, os heróis precisam explorar vastos mapas repletos de inimigos e desafios de plataforma. A ação lembra bastante títulos como Metal Slug e Contra, ou seja, destrua tudo o que aparecer pelo caminho.

O jogo tenta se diferenciar por meio de dois aspectos. O primeiro deles é que o mundo é dividido em grandes áreas labirínticas, com trechos que só podem ser acessados após adquiridas certas habilidades especiais. A outra diferença fica por conta dos personagens: é possível trocar de herói a qualquer momento de acordo com a situação. Serge utiliza um fuzil de alcance maior e consegue rolar por pequenas passagens, Bear tem força suficiente para empurrar grandes blocos, já Dex tem pulo duplo. Cada um deles adquire mais habilidades durante a aventura.

Omega Strike não é incrivelmente difícil, porém é importante avançar com cuidado. O motivo disso é que as áreas estão repletas de inimigos e armadilhas, como espinhos e bombas, e os itens de recuperar a vida são escassos e caros. Os chefes, em especial, são o ponto alto do desafio e exigem que o jogador observe com cuidado os padrões de ataque para sobreviver — morri mais justamente nesses confrontos.

Fiquei com a sensação de estar jogando um título da era 16-bits ao me aventurar por Omega Strike. O principal motivo disso são os comandos simples e precisos: é bem fácil e divertido controlar os heróis e sair atirando nos inimigos. Além disso, há muitas sessões de plataforma e segredos que dependem de habilidades específicas para serem alcançados. O visual colorido e detalhado em pixel art, que remete aos jogos daquela época, reforça a experiência retrô.


Conceitos subutilizados

O conceito principal de Omega Strike é interessante, no entanto, a execução deixou muito a desejar, o que torna a experiência não muito memorável.

O título é classificado como metroidvania, mas, na prática, o gênero é utilizado de maneira bem sutil. Ao invés de um grande mapa interconectado, o jogo tem várias áreas que funcionam como estágios independentes. Cada um desses locais são bem lineares e apresentam poucos caminhos opcionais. As habilidades adquiridas são utilizadas principalmente para liberar novas áreas e esses pontos costumam ficar em lugares bem óbvios (normalmente nas pontas dos mapas). Até existem segredos que só podem ser alcançados com movimentos específicos, porém, não me senti impelido a ir atrás deles: na maior parte das vezes a recompensa é só dinheiro.


Não vejo problema com mapas não muito interligados, todavia, para compensar isso, o desenho dos níveis precisa ser interessante. Nesse aspecto, o layout das áreas de Omega Strike é bem básico, o que traz a sensação de se estar explorando sempre as mesmas fases, sendo que não há grandes diferenciações de perigos de acordo com o bioma. Para piorar, algumas áreas são desnecessariamente longas e sem pontos de viagem rápida, o que me desestimulou visitá-las novamente. Sendo assim, em alguns momentos, fiquei meio cansado de explorar por conta da sensação de repetição.

Por fim, fiquei decepcionado com a mecânica de trocar de personagens. Na teoria, o jogo colocaria obstáculos e inimigos que só poderiam ser superados ao controlar um herói específico. Contudo, na prática, só precisei de mudar de personagem quando aparecia um ponto que exigia pulo duplo ou então uma pedra que só podia ser empurrada por Bear. Fora disso, o herói não fez muita diferença, tanto é que usei Sarge na maior parte do tempo por ter melhorado suas armas primeiro. É uma pena que essa mecânica tenha sido subutilizada.


Jornada razoável

Omega Strike diverte com a simplicidade de seus conceitos principais. É bem recompensador controlar um grupo ágil de heróis e destruir tudo que aparece pelo caminho em uma aventura que remete a títulos clássicos do estilo. Os mapas são grandes, mas o desenho dos níveis é um pouco repetitivo, o que pode deixar as coisas um pouco cansativas. No mais, Omega Strike é uma boa escolha para aqueles que gostam do gênero run and gun.

Prós

  • Mecânicas de tiro e plataforma precisas;
  • Mapas grandes a serem explorados;
  • Ótimo visual em pixel art.

Contras

  • Desenho dos níveis sem muita inspiração inspiração;
  • Uso tímido de características de metroidvania;
  • Pouca variedade de situações.
Omega Strike — PC — Nota: 7.0
Revisão: Ana Krishna Peixoto
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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