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Análise: No Heroes Here (PC) tem multiplayer cooperativo e boa diversão casual

Desenvolvido pelo estúdio brasileiro Mad Mimic Interactive, No Heroes Here é uma ótima chance de se divertir com os amigos.

Jogos cooperativos são conhecidos por garantirem a diversão dos jogadores através de situações que os obriguem a cooperar uns com os outros de forma a alcançar um objetivo maior. Esse modo de jogo ultimamente tem perdido bastante espaço para os versus e, muitas vezes, acaba sendo mesclado com partidas contra outros jogadores, fazendo com que eles ajam em conjunto, mas para vencer outro grupo de jogadores, como acontece na maioria dos jogos de sobrevivência atuais. Mesmo assim, games puramente de cooperação ainda são lançados e divertem bastante, como é o caso de No Heroes Here (PC).

Nessa linha de jogos para os amigos, a Mad Mimic Interactive, uma desenvolvedora de games de São Paulo, criou uma experiência interessante que mescla uma espécie de tower defense com mecânicas colaborativas que obrigam os jogadores a se unirem para defenderem juntos o que sobrou do castelo. No Heroes Here chega para PC com a promessa de ir para os consoles ano que vem e já garante bastante diversão com ótimas mecânicas e um tom cômico em pixel art muito agradável.


Quando o último herói morre…

A história do jogo é bem simples e passa longe de ser o foco da jogatina. Como pano de fundo temos o Reino de Noobland sendo massacrado por invasões inimigas terríveis. Nessa guerra pela supremacia, os últimos heróis do reino acabam sendo mortos (Noobs, sacou?) e restam os serviçais, bobos da corte e outros personagens “inúteis” para salvarem os castelos e o reino como um todo. Assim, entramos na pele de personagens caricatos para fazer o possível para salvar os castelos contra hordas de inimigos.

O visual em pixel art do jogo agrada bastante e deixa tudo ainda mais cômico. Os inimigos, mesmo que pouco variados esteticamente, têm variações de habilidades interessantes, sendo divididos em ondas que vão assolando o castelo de tempos em tempos. As cores do jogo são vivas e a música em 8-bits complementa a experiência, fazendo tudo ser bastante divertido e caricato.


O principal desafio é a cooperação

O foco de No Heroes Here é, sem dúvidas, em suas mecânicas de cooperação entre jogadores. A intenção é que os jogadores (até quatro simultâneos, seja local ou online) se organizem para utilizar os canhões da melhor maneira possível e defender as frentes do castelo que estão sendo atacadas. Entretanto, aqui não se trata apenas de atirar com os canhões na hora certa, mas também produzir o metal para confeccionar as balas, refinar a pólvora, levar tudo para o canhão, atirar e depois limpar o canhão para repetir todo o processo.

Como não existem mais heróis, são os próprios habitantes dos castelos que devem trabalhar e fazer todo o processo necessário para utilizar os canhões. É exatamente isso que faz de No Heroes Here um jogo parcialmente complexo e interessante para se jogar em equipe, pois coordenar todas essas funções entre até quatro jogadores é algo bem desafiador.



A curva de desafio do jogo não é tão focada nos inimigos e isso pode acabar desagradando alguns jogadores. Mas, ao avançar cada vez mais através dos castelos e das regiões, notamos que a provocação está principalmente na complexidade dos castelos. Cada vez se torna mais difícil fazer o trajeto que vai do estoque de metal até as fornalhas e dali para a mesa de trabalho. Junto a isso, quatro jogadores ansiosos com as hordas de inimigos chegando e temos uma histeria coletiva e cooperativa muito engraçada.

Entretanto, um ponto um pouco negativo do jogo é a dificuldade que se tem em jogar com um único jogador em contraste com a facilidade de se jogar com quatro pessoas. O problema é que o nível de dificuldade das hordas de inimigos não varia baseado na quantidade de jogadores que estão jogando, algo que ocorre em outros games com mecânicas cooperativas desse tipo, como o já citado Overcooked, por exemplo. Com isso, jogar em dupla se torna muito mais difícil, enquanto que jogar as primeiras 10 fases com quatro jogadores é fácil demais.


Formas criativas de usar estratégia

Outro aspecto interessante de No Heroes Here são as variações de usos para os canhões. Em determinadas fases, por exemplo, podemos aquecer garrafas de mel e atirá-las no chão para torná-lo grudento temporariamente e atrasar um pouco o avanço das hordas inimigas. Outra variação são as bexigas d’água que congelam o chão nas fases ambientadas no gelo. Cada novo tiro proporciona uma nova forma de confeccioná-lo e assim torna o jogo ainda mais complexo.

Isso ajuda a dinamizar as partidas, introduzindo variações nas estratégias que ampliam o leque de opções dos jogadores. Além disso, também influencia no nível de dificuldade das partidas, pois com cada vez mais variedades de itens a serem confeccionados, mais trabalho os quatro jogadores terão para administrar tudo em tempo hábil para impedir que os castelos sejam invadidos.


Uma ótima experiência com os amigos

No Heroes Here é o jogo ideal para passar o tempo e rir um bocado com os amigos. Nas partidas no modo online, um recurso de fala como o Skype ou o Discord é quase que essencial para tornar a experiência mais divertida e as tarefas no jogo mais produtivas. Entretanto, jogar “as cegas” também é uma experiência interessante que chega a lembrar a mímica em alguns momentos, pois ninguém sabe o que o outro irá fazer.

Mas a cereja do bolo no jogo é, sem dúvidas, seu multiplayer local. Este jogo foi pensado para se jogar com os amigos, rindo e gritando com eles para pegar a pólvora que falta para vencer o brutamontes com uma tora de madeira. No Heroes Here pode ter o aspecto negativo de não poder ser jogado facilmente por um único jogador, mas em compensação tem uma ótima experiência em grupo, que garante todas as merecidas premiações que o jogo tem recebido.


Prós

  • Ótimas mecânicas cooperativas;
  • Visual em pixel art muito agradável;
  • Complexidade das tarefas aumenta desafio;
  • Diferenciação entre tiros dinamiza estratégia;
  • Habilidades variadas dos inimigos aumentam desafio;
  • Posicionamento das ferramentas influencia na jogatina.

Contras

  • Dificuldade não varia com quantidade de jogadores;
  • Impossibilidade de jogar usando um único personagem;
  • Baixa variedade entre hordas de inimigos.

No Heroes Here — PC — Nota: 8.0

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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