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Análise: Morphite (Multi) une aventura e exploração espacial, mas acaba sendo morno

Em uma mistura que lembra bastante No Man’s Sky (PC/PS4), a Crescent Moon traz uma aventura espacial até interessante.

Nos últimos tempos os games de exploração espacial ganharam bastante popularidade. Para o mal ou para o bem, No Man’s Sky (PC/PS4) é um dos grandes responsáveis por essa onda de games que vêm carregada principalmente de títulos independentes. Com isso, temos Morphite (Multi), um projeto da Crescent Moon que une alguns aspectos interessantes tanto no quesito estético quanto em sua jogabilidade, mas acaba apresentando uma experiência um tanto morna para os jogadores. Mesmo que com uma quantidade de conteúdo até relevante, não é qualquer jogador que conseguirá se manter preso na experiência de jogá-lo.

Em busca dos Morphite

O enredo do jogo tem como pano de fundo um momento da história humana em que nossa raça passou a habitar os mais longínquos cantos do espaço sideral. Aqui incorporamos o papel de uma jovem tripulante de uma estação espacial, chamada Myrah Kale. A jogatina começa de forma bem leve, com um computador em formato de gatinho nos explicando os principais comandos para explorarmos planetas diversos. E assim seguimos inicialmente, com uma premissa que lembra bastante outros games do gênero.



Entretanto, com o desenrolar da história, passamos a ter acesso a enigmas a serem desvendados, mentiras e seres diferentes. Myrah então tem contato com uma forma quase mística chamada Morphite, a qual guia ela para sair de um determinado perigo. Daí em diante, precisamos investigar a fundo essa história, que tem ligações com o passado distante da protagonista que, também não sabe o que fazer.

O enredo serve como um ótimo pano de fundo para a exploração do espaço. Ter uma história repleta de mistérios e elementos a serem coletados como espinha dorsal de uma aventura espacial é muito proveitoso, principalmente para manter o jogador preso ao jogo ao menos até terminar a história principal deste. Nisso, o enredo de Morphite funciona de modo excelente, com diálogos interessantes e complicações boas para manter o jogador preso na aventura.


Visual bem característico

Morphite possui alguns ótimos pontos a serem citados, um deles é, sem dúvidas, o seu visual. Mesmo que seja bem simples, os gráficos do jogo agradam bastante. Principalmente por ter uma pegada bem caricata e única, dando uma roupagem bem lúdica para a experiência, sempre com tons de rosa ou violeta aqui e ali, com um bom neon no momento certo. Essa roupagem característica deixa o jogo bem leve e fácil de rodar até nos computadores mais básicos.

Essa roupagem mais básica não impede o game de possuir alguns elementos bem interessantes no sentido estético, como o design tanto da fauna como da flora apresentados de forma procedural durante a aventura, quanto também no level design dos planetas. Entretanto, esse excesso de simplicidade faz com que o vislumbre das paisagens dos planetas não seja tão agradável, principalmente porque não é possível ver tão longe assim dentro dos planetas, muito por conta de um mapa bem limitado no sentido físico.



Assim, a beleza de Morphite é vista apenas de perto, nunca de longe. Isso não chega a ser um fator que prejudique tanto a diversão no game, mas para um jogo de exploração espacial em que precisamos catalogar espécies de animais e plantas, não permitir o jogador ter esses vislumbres da paisagem é bastante problemático, pois dá uma sensação de incompletude na experiência.

Mecânicas de exploração que compensam

A jogabilidade de Morphite é basicamente em primeira pessoa, além de quê sua navegação entre sistemas, planetas e bases estelares e toda feita de forma simples e semiautomática, com o apertar de apenas alguns cliques do mouse. Nesse ponto, o jogo mostra algumas evoluções de mecânicas se comparado a outros do gênero. Um mapa do sistema solar no qual você está é facilmente encontrado na pequena nave que controlamos, dele podemos ir para um mapa das estrelas próximas, podendo viajar entre sistemas de modo bem fácil.



Mas é na superfície dos planetas que o jogo mostra a quê veio. Catalogar espécies tanto de animais quanto de plantas (e até algumas rochas) pode render informações passíveis de serem vendidas futuramente em estações espaciais. Esse recurso simples dá uma justificativa muito válida para que o jogador saia catalogando tudo que encontra pelo caminho, podendo encontrar espécimes raros que dão mais créditos ou liberam alguma informação que pode ser útil para futuras evoluções da sua própria nave ou de seu traje de sobrevivência.

Além disso, templos, cavernas e missões secundárias são facilmente encontradas, bastando que o jogador procure um pouco mais do que o óbvio na superfície dos planetas. Comércios, vilas hostis e uma grande variedade de criaturas também aparecem, o que deixa a exploração mais dinâmica e divertida do que vários outros games do gênero.


Combates divertidos e desafiantes

Outra “bola dentro” de Morphite é o seu sistema de combate. Como vários outros aspectos do jogo, a simplicidade foi colocada como referência aqui, mas o nível de dificuldade de vencer alguns inimigos, bem como a sua variedade e a ótima gama de evoluções possíveis para a nossa arma fazem dos combates algo bastante divertido. Fora isso, a movimentação facilitada, bem como os saltos ágeis da protagonista, permitem que o jogador corra ou desvie de ataques com maior facilidade, transformando alguns embates em verdadeiras disputas quase épicas.

Uma pena que o mesmo não possa ser dito dos raros combates que ocorrem no espaço sideral. Em determinados momentos, quando estamos indo na direção de algum planeta para descermos em sua superfície, podemos nos deparar com cinturões de asteróides com algum piloto pronto para atirar tudo que tem contra nós. Nos dois casos uma espécie de “mini-game” é iniciado, no qual controlamos a movimentação da nave para desviar de asteróides ou então controlamos a cabine de tiro contra naves adversárias.



O problema desses dois modos de jogo na nave é que eles são muito limitados, tanto em movimentação como em opções do que fazer. A liberdade que temos ao enfrentar inimigos em terra é totalmente negada quando estamos em nossa nave, forçando os jogadores a terem combates simples demais e fáceis demais. No caso dos meteoros, os comandos ainda são confusos, transformando a experiência em algo rápido e chato.

Ainda bem que temos bosses para superar isso. Mesmo que fáceis para os mais habituados com o sistema de jogo, os combates com esses vilões mais poderosos é bastante divertido e tem tudo que o combate em terra firme tem a oferecer: ação, liberdade de movimento, desafio e fluidez. Isso faz com que enfrentar bosses seja uma das melhores experiências que possamos ter jogando Morphite.


Mesmo com tudo isso, falta alguma coisa…

Não me entendam mal, Morphite tem várias qualidades e consegue entreter durante um tempo. Mas ele não consegue fugir do fantasma que assola a maioria dos jogos de exploração espacial: a monotonia. Em determinado momento, o jogador tende a perder o gosto por explorar planetas aleatórios e começa a se focar somente na história principal, para ver no que vai dar aquilo tudo.

Morphite possui um conteúdo considerável, que permite boas horas de jogo. Entretanto não tem personalidade o suficiente para ser um jogo memorável, ou que seja retomado por jogadores após algum tempo. Numa quase que literal “corrida espacial”, Morphite nos dá uma experiência um tanto interessante e esteticamente bem diferente, mas um pouco “sem sal”. Acabamos sem muita proximidade com os personagens da história ou com a aventura em si, fazendo dele um jogo de exploração com conteúdo, mas pouco imersivo.


Prós

  • Visual interessante, embora simples;
  • Jogabilidade exploratória divertida;
  • Variedade de fauna e flora agrada;
  • Enredo curioso e aventuresco;
  • Quantidade de conteúdo considerável;
  • Combate contra bosses divertido.

Contras

  • Mapas da superfície dos planetas pouco detalhados;
  • Interface de menus simples demais;
  • Combates espaciais limitados;
  • Experiência pouco imersiva.
Morphite — PC/PS4/XBO/iOS — Nota: 7.0
Versão utilizada para a análise: PC

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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