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Análise: Digimon Links (Android/iOS) consegue ressuscitar o digimundo com ótimas batalhas

Lançado no Japão já há algum tempo, o game mobile dos monstrinhos digitais chega ao ocidente com tudo!

A franquia Digimon teve altos e baixos ao longo de seus 20 anos, principalmente aqui no ocidente. Seja nos animes ou nos games, os monstrinhos digitais enfrentam constantemente uma montanha russa de popularidade com excelentes títulos intercalados com outros não tão bons assim. Com o aumento da popularidade de games mobile, a Bandai Namco chegou a se arriscar com Digimon Heroes! (Android), mas foi bem infeliz. Agora ela encontra a redenção com Digimon Links (Android/iOS), um game mobile digno para uma franquia tão querida por muitos.

Digimon Links apresenta um sistema complexo e bem interessante de criação e evolução de Digimon, com mecânicas como administração de uma fazenda, treinamento dos monstrinhos digitais e, a melhor parte, um agradável sistema de batalha 3vs3 com ótimos visuais e opções de estratégia diferenciadas. Com diversas opções de jogo, incluindo um sistema de batalha online cooperativo, o novo jogo mobile de Digimon é uma ótima opção para os fãs da série, seja lá qual idade eles tenham.



Início devagar e um pouco confuso

A premissa do jogo é bem simples e rapidamente é deixada de lado durante a jogatina. Aqui, somos domadores de Digimon que acabaram de chegar ao digimundo. Entretanto, algo misterioso aconteceu e o mundo começou a se fragmentar completamente, perdendo todos os dados que tínhamos a respeito do lugar. Com a ajuda de uma humana que nos orienta através do layout do jogo, começamos, então, a administrar uma fazenda/vilarejo para, aos poucos, reconstruir o digimundo e recriar todos os Digimon.

A premissa para a jogatina é muito simples e bem desconexa, mas de qualquer maneira ela acaba sendo deixada de lado quando começamos a nos debruçar sobre as mecânicas de jogo do título. A NPC Hina, que nos ajuda com informações de dúvidas, explica todo o funcionamento do jogo. É um início um tanto complicado para um jogo mobile, pois é preciso quase meia hora para se livrar de todos os tutoriais e informações que prendem seu acesso aos menus do jogo, só assim começando a jogá-lo de fato.



Além disso, mesmo com tutoriais tão presos, o jogo permanece confuso nas primeiras horas, deixando o jogador um pouco perdido entre os diversos menus e deixando passar várias informações relevantes, pois é muita informação para lidar de uma só vez. Entretanto, com o passar do tempo, o jogador instintivamente começa a aprender a mexer nos diversos menus e opções de jogo, explorando cada vez mais as mecânicas escondidas em Digimon Links.

Som e imagem dignos de um portátil

Uma coisa que chama bastante atenção em Digimon Links são seus gráficos e sons. Mesmo sem efeitos sonoros para o nome dos ataques, as músicas e efeitos de combate do jogo são muito bons, um elemento que não possui tanto foco normalmente em games mobile, até por conta da necessidade da maioria dos jogadores de diminuir o som do jogo dependendo do ambiente no qual estejam. Mas, além da excelente trilha sonora, o jogo também possui gráficos surpreendentes para um game mobile.

Os traços do jogo, bem como as animações de combate, remetem a outros games da franquia como Digimon Adventures (PSP) e Digimon World: Next Order (PS4), o que é algo muito admirável, considerando que se trata de um jogo próprio para smarthphones e tablets. Isso dá um ar de qualidade muito benéfico ao game, pois ao jogá-lo, principalmente em suas batalhas, a sensação que temos é de estar com um videogame portátil na mão, como o PSP ou até mesmo um 3DS.

Claro que toda essa qualidade tem um custo e, no caso de Digimon Link, o custo é no espaço que o game ocupa no celular. Comparado a outros jogos mobile populares como Pokémon GO (Android/iOS), o jogo é gigantesco, ocupando quase 900 mb de espaço do seu aparelho. Entretanto, todo esse tamanho compensa, pois a estabilidade do jogo é muito boa, mesmo que em alguns aparelhos as telas de loading sejam um pouco mais demoradas.


Uma infinidade de mecânicas

Digimon Links, como já falamos, possui um nível de complexidade quase confuso em seus menus, com muitas opções do que fazer e vários caminhos para se fazer uma mesma coisa. Isso é problemático até certo ponto, mas retrata um ponto bem interessante do jogo: a quantidade de mecânicas que ele possui. Para começar, temos a mecânica de administração de fazenda, que é bem semelhante ao padrão que vários games mobile seguem, como os jogos ambientados em Futurama e Os Simpsons, por exemplo. A diferença aqui é que as construções e melhorias da sua fazenda influenciam a evolução de seus Digimon.

A fazenda não é exatamente o ponto alto do jogo, mas serve adequadamente como base para toda a administração dos seus Digimon. Ao contrário de outros jogos mobile baseados em estamina que induzem o jogador a pagar para ter um aumento dos pontos, Digimon Links trabalha com uma mecânica de melhoria das casas da fazenda. Assim, o jogador pode aumentar o número de pontos de estamina que ele possui (deixando-o jogar ininterruptamente por mais tempo), assim como também poderá aumentar sua plantação de carnes, já tradicional em jogos da série. Entretanto, em Digimon Links, as carnes servem para evoluir mais rápido o nível dos Digimon, o que deixa a experiência bem divertida.



Além disso, temos diversas mecânicas de evolução de personagens bem complexa, indo desde o aumento de nível deles até a administração de chips que aumentam seus status básicos, algo que já víamos em Digimon Adventures (PSP) e que aqui é reformulado para se tornar mais prático para o toque dos celulares. É possível “desfazer” Digimon para fortalecer outros, transferir as chamadas Legacy Skills de um monstrinho para o outro (melhorando a estratégia do seu time) e também administrar as habilidades próprias do líder do seu time. Tudo isso e nem se quer chegamos a citar as mecânicas de digievolução.

Liberdade de evolução

Outro aspecto muito positivo de Digimon Links, que não é muito comum de se ver em outros jogos da franquia, é a liberdade de administração das evoluções que temos. Em Digimon Links, as evoluções acontecem através de dois aspectos combinados: o seu Digimon chegar no nível máximo que ele pode alcançar e também possuir a quantidade certa de itens para se transformar em um ou outro personagem. Esses itens são adquiridos através dos diversos tipos de combates distintos que o jogador tem acesso, gastando os já conhecidos pontos de estamina para isso na maioria das vezes.



Essa característica peculiar da mecânica de evolução do jogo é muito agradável, pois dá maior liberdade para que os jogadores decidam quando seus monstrinhos irão evoluir e, o mais importante, para qual criatura eles irão se transformar. Com isso, os times se tornam estrategicamente mais interessantes, além de que essa busca pelos itens serve como motivador adequado para que os jogadores permaneçam nas batalhas, mais pelos itens do que pelos pontos de experiência propriamente ditos.

Combinado com essa mecânica, temos uma enorme quantidade de Digimon diferentes desde os níveis de treinamento até os megas, passando por quase todas as séries animadas da franquia e pelas figuras mais conhecidas dos jogos. Com isso, figuras conhecidas tão distantes podem ser combinadas em um mesmo time como Lucemon, Omegamon, Titamon, Dukemon, WarGreymon e Alphamon, por exemplo. É possível também ter acesso a uma base de dados que mostra toda a confusa árvore evolutiva de todos os Digimon disponíveis no jogo, permitindo que o jogador monte estratégias adequadas para traçar uma linha evolutiva da qual tenha preferência.


O melhor dos combates da série

Independente de tudo que Digimon Links tem a oferecer, o que mais agrada são os seus combates. Seja pela mecânica de ataques ou pelas animações e visuais excelentes, as lutas do jogo são a sua parte mais interessante. Elas funcionam em combates 3vs3 baseado em turnos e até o momento somente contra inteligência artificial. Entretanto, uma opção de coliseu já existe no jogo, o que indica que em breve teremos a opção de combate de jogador vs jogador.

Os combates podem ser travados através de diversas modalidades de missões, algumas temporárias, outras de evento e mais algumas que servem de “missão principal” para o jogo. A maior parte dessas opções de combate podem ser feitas de modo individual (com 3 Digimon seus contra as ondas de inimigos da máquina) ou então no modo cooperativo (com um ou dois Digimon seus aliados a um ou dois Digimon de outros jogadores conectados online). É possível inclusive abrir salas de jogo somente para os seus amigos ou então buscar salas abertas online para entrar nas disputas.



Como cada Digimon possui dois ataques especiais e um básico, variando entre efeitos, elementos e quantidade de alvos, as batalhas se tornam bem variadas e pouco repetitivas. Entretanto, quando o jogador passa a focar a coleta de itens mais especificamente, essa experiência pode se tornar um pouco repetitiva, sim. Pensando nisso, o jogo disponibiliza para o modo solo a opção de manter os ataques de forma automática e também com o dobro da velocidade nas animações, para aqueles que não curtem muito ficar repetindo o mesmo processo várias vezes.

Mas vale dizer que a IA das batalhas automáticas é muito ruim, fazendo com que os Digimon desperdicem golpes especiais em inimigos com vida baixa ou então simplesmente ataquem o monstrinho que irá atacá-los primeiro, sem um cálculo de qual dos inimigos é o mais forte ou coisa parecida. Mesmo que seja frustrante, isso serve para balancear as coisas e não deixar que o combate não automático perca seu valor.



Agora, sobre os recursos cooperativos online, é interessante ver o incentivo para usá-lo, visto que em partidas online ganhamos mais espólio ao final da luta. Entretanto, é sentida a falta de um modo offline na parte solo dos combates. Ora, se o jogo não mantém seus dados salvos em nuvem, avisando inclusive que se você desinstalar o jogo de seu aparelho precisará recomeçar do zero, por que não ter a opção de se jogar offline as partidas solo e pedir a internet somente nos combates cooperativos ou nos eventos? Fica um gostinho ruim para quem não tem internet livremente em qualquer lugar que estiver.

Um excelente retorno ao digimundo

Com uma jogabilidade muito divertida (e quase viciante) e pouco apelo para a repetitividade e para a compra de elementos que deixem o jogo “pay to win”, Digimon Links é uma ótima pedida para os fãs da série. Depois de tanto tempo aguardando por um jogo digno da série no mundo mobile, agora temos a oportunidade de experimentar algo tão bom que lembra a experiência que temos em outros jogos da franquia, principalmente nos portáteis.

O mais interessante é que, como o bestiário do jogo possui uma ótima variedade que, provavelmente, ainda será atualizada futuramente, é muito bacana pensar que qualquer fã da franquia, de qualquer idade, poderá se divertir jogando o game já no seu lançamento, algo que não necessariamente aconteceu na sua franquia rival, Pokémon. Ter Digimon de várias gerações misturados só garante mais ainda aquela mistura de nostalgia e descoberta que cai muito bem na franquia. 

Prós

  • Visuais excelentes que remetem a outros games da franquia;
  • Sistema de batalhas muito divertido;
  • Grande quantidade de missões e itens coletáveis;
  • Pouca exploração de recursos "pay to win";
  • Sistema de fazenda agradável;
  • Grande variedade de Digimon;
  • Liberdade de evolução entre os Digimon;
  • Recurso cooperativo online bem construído;
  • Diversos elementos que auxiliam na estratégia do jogo.

Contras

  • Ocupa bastante espaço no celular;
  • Layout um pouco confuso inicialmente;
  • Pode se tornar repetitivo em alguns momentos;
  • Obrigatoriedade de se jogar online é desnecessária.
Digimon Links — Android/iOS — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: Android
Revisão: Ana Krishna Peixoto
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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