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Análise: SteamWorld Dig 2 (Multi) expande e melhora a aventura de escavação

A sequência do título de plataforma e mineração refina a fórmula básica, resultando em uma aventura mais completa e diversificada.


SteamWorld Dig apareceu sem nenhum aviso e foi um grande sucesso: o título de mineração e plataforma cativou jogadores e foi lançado para vários consoles. Depois de um ótimo spinoff de estratégia, a desenvolvedora Image & Form resolveu investir em uma continuação direta. SteamWorld Dig 2, lançado para PC, PlayStation 4, PS Vita e Nintendo Switch, mantém a forma básica ao mesmo tempo em que adiciona novidades e ameniza vários dos problemas do original. O resultado é uma experiência familiar, viciante e variada.

Cavando em busca de um amigo

O conceito de SteamWorld Dig é bem simples: no papel de um robô munido com uma picareta, precisamos escavar uma mina em busca de minérios e outros segredos. Pelo caminho, há também inimigos e cavernas com desafios e puzzles. A mochila tem espaço limitado, sendo assim precisamos de voltar à vila constantemente para vender o que coletamos na exploração.

É tentador cavar de qualquer jeito, porém é necessário cuidado, pois túneis construídos precisam ser escalados para poder voltar à vila — um erro significa ficar preso no subterrâneo. Há alguns toques de metroidvania com a presença de áreas que só podem ser acessadas após serem adquiridas melhorias capazes de expandir as capacidades da protagonista. O ciclo é fácil de entender e é bem recompensador e, na maioria das vezes, é bem relaxante e hipnotizante. Bastam alguns minutos para ficar completamente fisgado tentando construir os melhores caminhos, e coletando minérios para comprar melhorias — frequentemente fiquei curioso querendo saber o que ia aparecer no caminho.


A trama de SteamWorld Dig 2 acontece logo após o final do primeiro jogo. Dorothy, uma das personagens do original, parte para uma viagem em busca de Rusty, que desapareceu sem deixar rastros. A robô descobre uma pista: Rusty foi visto nos arredores de uma cidade mineradora acometida por tremores chamada El Machino, e seus habitantes especulam que ele é a causa deste fenômeno. Sendo assim, Dorothy precisa explorar o subterrâneo do local em busca de seu amigo. A narrativa é bem leve e simples, o visual elaborado faz um trabalho melhor de montagem de mundo e personagens. Algo legal é que Dig 2 serve de ponte para SteamWorld Heist (Multi): no título de estratégia, a Terra foi destruída e os robôs vivem no espaço, a explicação de como isso aconteceu é feita aqui.

Um mundo mais rico

O ciclo principal de jogo está intocado na sequência, ou seja, cavamos por uma mina em busca de tesouros. Isso traz uma sensação familiar em um primeiro momento, contudo várias características fazem com que essa aventura seja bem única.

Uma das grandes mudanças é um mundo maior e mais variado. Além da mina básica, Dorothy explora desertos, templos repletos de lava, cavernas tóxicas, e muito mais. Cada região conta também com mudanças estruturais: um templo tem áreas de plataforma e armadilhas; já em outra região a temos que cavar horizontalmente; em um terceiro lugar o problema é desviar da grande quantidade de perigos naturais e de inimigos. Boa parte das áreas está interconectada, trazendo mais incentivos para explorar todos os cantos. Com essa mudança, fiquei com a sensação de estar explorando de fato um grande mundo e não somente um corredor vertical.


Em todas as regiões do jogo, estão espalhadas cavernas repletas de desafios. Algumas exigem domínio das habilidades de Dorothy (principalmente do salto), já outras apresentam alguns puzzles. A maioria delas é opcional, mas fiz questão de explorar todas por serem variadas, divertidas e por ajudarem a quebrar o ritmo da mineração de sempre. É nelas também que estão localizados a maioria dos colecionáveis do jogo — boa parte destes artefatos está muito bem escondida e exigem muita atenção para serem encontrados. A única ressalva é a dificuldade: achei praticamente todas as cavernas bem fáceis de serem superadas, porém acredito que combina bem com a proposta mais descompromissada do jogo.

Essas duas características já resolvem grande parte dos problemas do primeiro jogo, considerado curto e repetitivo por muitos. Capricharam também na parte técnica: o visual foi completamente retrabalhado e apresenta gráficos bonitos e detalhados, principalmente os personagens. Os cenários contam com efeitos visuais, como sombras e distorção de calor, que reforçam a ótima direção de arte. A trilha sonora, de autoria de El Huervo (de Hotline Miami), traz composições calmas e intrigantes, encaixando perfeitamente dentro do tema faroeste tecnológico repleto de mistérios.


Agilidade na exploração

Ao explorar o mundo, Dorothy adquire várias novas habilidades e equipamentos que permitem explorar novos locais, como acontece em jogos do gênero metroidvania. Na vila também é possível melhorar características como energia e tamanho da mochila. Uma novidade é um sistema de habilidades atrelado à engrenagens, que pode ser alterado de acordo com a necessidade — essas engrenagens estão escondidas pelo mundo e é praticamente impossível ativar todas as habilidades simultaneamente.

Uma mudança que gostei bastante diz respeito aos equipamentos adquiridos por Dorothy durante a aventura: boa parte deles melhora alguma capacidade de locomoção da personagem, tornando a exploração mais ágil e prazerosa. Com isso, o ritmo de jogo é mais rápido e é muito mais fácil percorrer os lugares. Já o sistema de engrenagens é interessante, porém achei bem básico — não vi necessidade de ficar alterando essas habilidades e na maior parte do tempo usei sempre as mesmas opções.


Algo que senti falta em Dig 2 foi tensão ao explorar o subterrâneo. No primeiro título, os perigos eram brutais: morrer significava perder dinheiro e recursos, e voltar para a vila era custoso. Na sequência tudo isso foi amenizado com vários pontos de transporte, uma protagonista bem resistente e riscos menores (perde-se somente parte dos recursos da mochila ao morrer). Ainda é divertido cavar, porém é uma aventura que me pareceu bem mais fácil e tranquila. Por sorte, existe uma área opcional bem difícil com salas que exigem dominar com maestria todos os movimentos de Dorothy, principalmente o pulo — me esforcei bastante, mas não consegui chegar no final desse lugar.

E falando em cavar, ainda há aquela sensação de repetição nas partes principais da aventura, pois em muitos momentos o objetivo é fazer túneis e coletar materiais. Como o mundo é bem maior, aumentam também as vezes em que você é forçado a voltar para a vila para vender os minérios — isso pode deixar a experiência um pouco cansativa. Houve um esforço para amenizar a repetição com mais cavernas de desafio e um mundo mais variado. O resultado é bom, porém não elimina por completo o problema. Mesmo assim, ainda é muito divertido cavar em busca de segredos e tesouros.


Mineração refinada

SteamWorld Dig 2 melhora as características do original de ótima maneira. Além das mecânicas básicas de mineração, o jogo conta com um grande mundo repleto de segredos — basicamente um convite à exploração. Dorothy é ágil, o que torna a exploração bem mais rápida e prazerosa. Há alguns momentos repetitivos e o jogo ousa muito pouco, o que o deixa bastante parecido com o anterior. A mistura bem dosada de gêneros, faz SteamWorld Dig 2 uma aventura bem divertida e viciante.

Prós

  • Mecânica básica divertida e recompensadora;
  • Boa variedade de situações;
  • Direção de arte e música simpáticas;
  • Boa quantidade de conteúdo.

Contras

  • Andamento repetitivo em alguns momentos.
SteamWorld Dig 2 — PC/PS4/PS Vita/Switch — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PC
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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