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Análise: Fidel Dungeon Rescue (PC) — um cão resolvendo puzzles em calabouços

Misturando puzzle, roguelike e RPG, este título indie tem ideias simples e ótima execução.


Uma aranha aparece de um alçapão e rapta uma gentil senhora, e seu simpático cãozinho é o único capaz de salvá-la. Essa é a premissa de Fidel Dungeon Rescue, um inusitado puzzle para PC. O visual cartunesco pode indicar uma aventura relaxante, mas a verdade é outra: este jogo, que tem também características de roguelike e RPG, é bem difícil e exige muita atenção. Com partidas rápidas e mecânicas-base simples, é uma experiência divertida e frustrante ao mesmo tempo.

Um cãozinho no calabouço

Para resgatar a velhinha, Fidel explora um calabouço subterrâneo. Cada andar consiste em um puzzle e o objetivo inicial é alcançar a escada do próximo nível. Naturalmente, vários perigos estão presentes nesses locais, como monstros e armadilhas. O cãozinho anda um espaço de cada vez e, quando ele derrota um monstro, parte da saúde é perdida. Objetos ajudam na tarefa: kits de primeiros socorros recuperam todos os corações de Fidel, já as moedas provêm itens como bombas e corações.

Andar um espaço de cada vez não é difícil, mas um pequeno detalhe muda tudo: o cão deixa a corda de sua coleira por onde passa, o que o impede acessar novamente os locais já percorridos. Por conta disso, é importante pensar com cuidado a rota que será feita, afinal a corda limita as opções de movimento. Felizmente existe a opção de desfazer os movimentos a qualquer momento, o que permite corrigir erros.


Na maior parte das vezes, a saída do andar é fácil de acessar, porém essa não é a melhor estratégia de jogo. Ao derrotar inimigos, Fidel recebe experiência, que é necessária para subir de nível e aumentar a quantidade de corações do cãozinho. Fortalecer o herói é imprescindível, afinal os monstros vão ficando mais poderosos pela jornada. Sendo assim, para sobreviver na aventura, o ideal é derrotar o máximo de monstros que conseguir — e isso só é possível com estratégia e cuidado por conta da corda limitando os movimentos.

Conforme avançamos pelo calabouço, aparecem novas situações que exigem alterar as estratégias e abordagens, trazendo boa sensação de novidade. Há, também, vários segredos e mecânicas ocultas para aprender — alguns monstros, por exemplo, podem ser derrotados sem levar dano, sob certas condições. Além disso, os desafios mudam a cada partida, como em um roguelike: o tema de cada andar é fixo, porém a disposição dos perigos é sempre diferente. Morrer significa recomeçar tudo do início e a dificuldade é acentuada, por sorte a ação é ágil e uma partida pode durar alguns poucos minutos.


Simultaneamente frustrante e viciante

Fidel Dungeon Rescue tem um adorável cachorrinho como protagonista, entretanto o jogo é brutalmente difícil.

Nas primeiras partidas morri bastante, sem entender direito o que estava acontecendo. O motivo disso é que o jogo não te explica nada, você simplesmente vai tentando e entendendo as coisas aos poucos. A ausência de informações traz muitas situações de tentativa e erro que deixam a experiência um pouco frustrante, num primeiro momento. Isso resulta em uma curva de aprendizado um pouco acentuada e precisei de várias partidas para entender as coisas e conseguir avançar razoavelmente na aventura. Até percebi que existem dicas bem sutis, porém achei que elas pouco contribuem para o aprendizado.


Superada essa barreira inicial, Fidel Dungeon Rescue se revela um puzzle bem recompensador. Com a experiência, aprendi as melhores estratégias e passei a chegar mais longe em cada partida. É muito legal quando você consegue montar uma rota boa, o que significa conseguir experiência bônus, itens e mais força para o cãozinho. As escolhas difíceis também aparecem aos montes: vou por aquele lado para pegar mais moedas ou tento outra rota que me dá mais experiência? E a todo momento descubro um segredo novo como, por exemplo, o fato de que é possível influenciar inimigos ao latir. Essas características, em conjunto com as partidas ágeis e rápidas, fez com que eu ficasse viciado — sempre que tenho alguns minutinhos livres eu exploro novamente o calabouço.

Carisma em forma de puzzle

Fidel Dungeon Rescue usa mecânicas simples de maneira inteligente para trazer uma experiência divertida e charmosa. A aventura de Fidel pelos calabouços é pontuada por puzzles que podem ser resolvidos de inúmeras maneiras, porém é necessário domínio das regras para chegar longe. A combinação de perigos e poucas informações faz com que o jogo seja bem difícil e um pouco frustrante, contudo essa sensação é reduzida após aprender as nuances das mecânicas. No fim das contas, não consigo parar de jogar Fidel Dungeon Rescue, sempre tentando resolver cada andar da melhor maneira possível — e é difícil resistir ao carisma de um cãozinho.

Prós

  • Ótima mecânica de puzzles;
  • Boa variedade de puzzles e situações;
  • Muitos segredos escondidos;
  • Jogabilidade e partidas ágeis.

Contras

  • Tentativa e erro e ausência de explicações podem ser frustrantes.
Fidel Dungeon Rescue — PC — Nota: 8.0
Revisão: Vitor Tibério
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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