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Análise: Ys Seven (PC) ainda é uma boa experiência de ação e RPG para o PC

Lançado em 2010 para o PSP, o jogo chega finalmente ao PC. Mesmo depois de tanto tempo, ainda vale a pena se aventurar nele.

Desenvolvido originalmente para o primeiro portátil da Sony, Ys Seven (PSP) foi lançado inicialmente em 2009 no Japão, recebendo versões ocidentais no ano seguinte. A versão para PC foi exclusiva da China em 2012 e desde então nenhuma notícia sobre um port para o Ocidente havia sido previsto. Agora, cinco anos depois, o jogo finalmente chega ao Steam. O primeiro jogo em 3D da série Ys pode aparentar estar ultrapassado se comparado com os lançamentos do ano, mas ainda diverte bastante e cativa os amantes do gênero.

Enredo simples e cativante

Como o próprio nome diz, Ys Seven é o sétimo game da franquia Ys, bastante conhecida no Japão como uma ótima franquia focada no Action RPG. Este capítulo da aventura mostra Adol e Dogi chegando ao reino de Altago, mais precisamente em sua capital. Na cidade, os amigos se deparam com alguns embates e acabam na sala do trono, onde o Rei de Altago pede a ajuda de ambos, já renomados heróis, para investigar misteriosos terremotos que assolam o reino.



Com o desenrolar da história você descobre que cinco grandes dragões estão prestes a acordar e ameaçam causar uma grande catástrofe no reino. Cabe aos dois amigos (e mais alguns aliados pelo caminho) impedirem que isso aconteça. A história é bem simples e linear, mas cativa e funciona bem. Os personagens diversificados são bem interessantes e a exploração do continente chama ainda mais atenção. Uma aventura que lembra bastante a franquia The Legend of Zelda, só que em grupo, o que torna tudo mais dinâmico e bem divertido.

Ação como o ponto alto do jogo

Para começar a jogar Ys Seven é preciso ter muita paciência. Isso porque o início da aventura dentro da cidade de Altago é chato e bem devagar. Muitos diálogos lentos e poucas animações deixam a experiência beirando a monotonia. Ao menos isso tudo muda quando você finalmente sai da cidade e se desvencilha dos tutoriais chatos de combate. Ao conhecer os campos verdejantes próximos à cidade, você já tem um gostinho de como o sistema de combate do jogo é divertido.



Lembrando o mais atual Tree of Savior (PC), o sétimo Ys tem um sistema de combate dinâmico e bem fluido, com habilidades fáceis de utilizar e movimentação bem rápida. Como todo bom Ys, você pode alternar o controle entre alguns personagens, variando a quantidade deles ao longo da história do jogo. Cada um possui determinadas habilidades que garantem uma experiência distinta de jogo com cada um.

O fato de algumas criaturas serem mais resistentes a ataques de corte, de perfuração ou de impacto também ajuda bastante a dinamizar os combates. Isso te obriga a trocar constantemente de personagens durante a luta, fazendo com que o jogador tenha uma noção básica de como proceder durante os embates com cada um deles.



Os chefes, por sua vez, são um espetáculo à parte. Criativos e desafiadores, os chefões de fase aparecem aos montes ao longo da extensa aventura de Ys Seven. Com modos instintivos e, ao mesmo tempo, não tão óbvios de serem combatidos, não será surpresa se você ficar entre 20 minutos e meia hora lutando contra um único chefão sem parar. A ação desenfreada desses combates é um dos pontos mais altos deste jogo.

Os problemas do atraso

Como já foi dito, Ys Seven originalmente é um jogo lançado em 2009 para o PSP e adaptado para o PC em 2012. Os longo cinco anos até que a versão de PC chegasse no Ocidente fizeram alguns defeitos do jogo ficarem mais evidentes. Seus gráficos, por exemplo, são bem aquém de um título lançado em 2017, até mesmo entre os indies focados em visuais mais retrô. Mas não pensem que são feios, na verdade são bem coloridos e agradáveis.



O principal problema do visual do game é a discrepância evidente entre o visual dos personagens e a textura dos ambientes ao seu redor. Até você acostumar com essa diferença fica tudo meio confuso e desconexo, mas nada que atrapalhe a experiência do jogo para além da primeira uma hora de jogatina. 

Outro ponto negativo a ser considerado são as quedas na taxa de frames, que acontecem quando muitos personagens estão batendo em muitos inimigos ao mesmo tempo em tela. Representando uma má otimização do jogo, que em 2012 poderia até ser aceitável, mas em 2017 é bem complicada de engolir. Principalmente com as texturas média-baixas do jogo.


Sistema de evolução instigante

Como todo bom RPG, Ys Seven possui um sistema de evolução de personagens bem extenso baseado no chamado grind, que não é nada além do clássico “matar hordas de criaturas para passar de nível”. Além disso, as criaturas, como de costume, deixam como espólios moedas de ouro e alguns itens que podem ser vendidos ou então que servem de material para criar poções de cura ou vestimentas. Tudo isso funciona muito bem no RPG e mostra como ele ainda é completo, mesmo tendo sido lançado há tanto tempo.

Sobre o grind do jogo, ele é bem desafiante e instigante. Como os combates são muito bem projetados e a capacidade de desviar de golpes das criaturas é fluida e fácil de controlar (salve as quedas na taxa de frames), o jogador sem notar passará algumas boas horas explorando o mapa e caçando alguns tipos variados de criaturas. Entretanto, a evolução do personagem em pontos de experiência não é tão fácil, o que torna tudo mais desafiante.



Foram necessárias cerca de cinco a seis horas para alcançar o nível 12 com três personagens ao mesmo tempo, sem necessariamente ir rápido demais na aventura, mas também sem parar a cada minuto para olhar pro espaço. É um tempo considerável e, quem quiser um time realmente forte na hora de chegar nos bosses, precisará se dedicar um bocado para isso. O que dá ao jogo uma ótima longevidade.

Jogando sozinho, mas sempre em time

Ys Seven só possui modo single player, entretanto, o sentimento de grupo que o jogo lhe passa é constante. Isso porque, com o desenrolar da aventura, novas habilidades e mecânicas são desbloqueadas, permitindo cada vez uma maior interação entre os personagens que você controla. Isso inclui alguns combos e buffs cedidos por cada um dos membros do time. 



Isso faz com que o jogador, mesmo jogando sempre sozinho, não tenha uma sensação de monotonia na exploração que vá para além da introdução do game, como já citado. A dinâmica entre os personagens é cativante, bem como cada um dos jogáveis. Os NPCs também ajudam bastante e tudo parece uma aventura bem conectada e com um clima muito bom.

Ainda vale a pena a jogatina

Ys Seven pode ter demorado bastante para chegar oficialmente ao Ocidente, mas isso não atrapalha muito a jogabilidade do título e a experiência que o jogador terá ao experimentá-lo. Longe de ser um AAA, o jogo cativa por seu visual simples e aventura despretensiosa e ao mesmo tempo épica. Os amantes de JRPG e títulos da época do PS2 podem se divertir bastante com este aqui.



Mesmo para alguns jogadores mais novos o RPG também é bem interessante, principalmente pelo seu ótimo sistema de combate e longevidade da jogatina. Entretanto, vale uma ressalva: os comandos dele se tornam muito mais instintivos e fluidos ao ser jogado com um controle, isso porque são muitas teclas para configurar de maneira confortável no teclado do seu PC. Agora, caso vença essa e algumas outras barreiras temporais que a demora do lançamento do título possui, terá um ótimo jogo de RPG em mãos.

Prós

  • História simples e cativante;
  • Jogabilidade fluida e divertida;
  • Ação dinâmica com uso de diversos personagens;
  • Chefes de fase criativos e desafiadores;
  • Sistema de evolução de personagem instigante;
  • Buffs e outras interações entre personagens;
  • Desafios instintivos e puzzles divertidos;
  • Gráficos agradáveis e bem coloridos.

Contras

  • Quedas na taxa de frames prejudica um pouco a diversão;
  • Início muito devagar;
  • Textura de ambientes muito discrepante com a dos personagens;
  • Controles no teclado pouco confortáveis.
Ys Seven — PC/PSP — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Vitor Tibério
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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