Blast from the Past

The King of Fighters '98: The Slugfest (Multi): dos arcades para a palma da mão

Um dos jogos mais adorados pelos fãs de fliperama e plataformas Neo Geo dá as caras no Switch, e ainda esbanja diversão e desafios únicos.


A ação frenética dos jogos de luta nunca demora para emplacar títulos memoráveis a cada geração. Ainda no clima de lançamento de Ultra Street Fighter II: The Final Challengers (Switch) e na expectativa por um port decente de Dragon Ball: Xenoverse 2 (Multi), os proprietários do novo console da Nintendo foram surpreendidos por títulos de Neo Geo disponibilizados para compra na eShop. Entre os destaques, encontram-se franquias clássicas da SNK, como Metal Slug, Fatal Fury e The King of Fighters, e é justamente um dos títulos desta última série que vamos relembrar com carinho por aqui.

O Rei dos Lutadores

The King of Fighters '98: The Slugfest (Multi), também conhecido como KOF '98 entre os fãs de longa data, foi uma verdadeira febre nos fliperamas, casas e locadoras de videogames no ano em que foi lançado, e não era para menos. A produtora do jogo, SNK, lucrava cada vez mais com a série de luta que lançava jogos anualmente, atualizando os cenários e enredo, diversificando personagens e implementando melhorias nas mecânicas de jogo a fim de torná-lo mais agradável.


Esse foi o primeiro título não-canônico da série, ou seja, todos os eventos de história que ocorreram entre KOF '95 e KOF '97 foram desconsiderados, e um novo arco narrativo fora iniciado apenas em seu sucessor, KOF '99. Todos os personagens vencedores ou derrotados dos títulos anteriores deram as caras em KOF '98, fazendo deste uma verdadeira coletânea de heróis e vilões prontos para a briga.
O sucesso foi tamanho que o jogo foi lançado para Sega Dreamcast como The King of Fighters: Dream Match 1999 — esbanjando o melhor dos cenários 3D graças à tecnologia do console. Mas foi no PlayStation 2 que KOF '98 recebeu sua chamada "versão definitiva", intitulada The King of Fighters '98: Ultimate Match, ou KOF '98 UM. Seja pelo número ainda maior de personagens disponíveis ou pela jogabilidade e gráficos surpreendentes, esse título foi um adversário e tanto para concorrentes contemporâneos do gênero, como os jogos das franquias Mortal Kombat e Street Fighter.

Meia-lua para trás, chute, soco

Executar combos de golpes em jogos de luta não é uma tarefa fácil hoje em dia. Descobrir pontos fracos, posicionamento estratégico e saber o momento correto para apertar botões são alguns dos passos que devem ser seguidos para acertar um combo poderoso que pode reduzir a barra de vida de seu oponente drasticamente. Mas imagine isso há alguns anos, em uma época na qual os controles não eram tão precisos, em que não havia listas de combos no menu Start, e muito menos internet para consultar dicas e tutoriais no YouTube. Adicione tudo isso à dificuldade imposta pelas desenvolvedoras, que queriam desafiar, vencer e fazer com que jogadores compulsivos gastassem mais fichas nos fliperamas no final da década de 1990.

Assim como em outros jogos da franquia, KOF '98 apresenta um sistema de lutas em rounds com uma escolha de personagens em trios — escolher três entre os 38 personagens disponíveis na versão original do jogo. Ao fim de cada round, um dos personagens é derrotado e substituído pelo próximo participante, até que todos de uma equipe sejam eliminados. É durante a seleção de personagens que escolhemos entre o modo Extra ou Advanced, que dividem opiniões entre os fãs por serem opções distintas no carregamento daquele que pode ser o golpe decisivo da partida. Particularmente, o modo Extra me agrada mais pelo fato do personagem poder ficar na retaguarda (e, de certa forma, protegido) e, ainda assim, carregar a barra de Special Combo rapidamente ao apertar os quatro botões ofensivos simultaneamente.

Diferentemente de jogos como os da franquia Marvel vs. Capcom, que abusam da assistência e troca entre personagens em um mesmo round, KOF '98 te coloca em xeque-mate com suas próprias escolhas, já que não somente é um dos jogos de luta que mais exploram fraquezas entre os personagens, como também exige domínio de técnicas de defesa. Não se defender é um prato cheio para que seu oponente habilidoso acerte um combo de mais de 50 hits e acabe com o round com um Perfect. E depois não adianta reclamar daquele seu primo ou amigo chato que vai zombar de você até que surja outra oportunidade para derrotá-lo!

KOF '98 em 2017

KOF '98 é um jogo que está há quase 20 anos no mercado, e ainda arranca gritos de surpresa durante os combos executados com maestria. Apesar dos muitos sucessores e concorrentes que apareceram após seu sucesso inegável, este título se propôs desde o início a ser o que foi, cumprindo seu objetivo. Este não é um jogo com apenas mais uma história para disfarçar mecânicas ultrapassadas, nem um jogo com uma sequência narrativa que te obriga a lutar com seus rivais sem explicação alguma. KOF '98 foi e sempre será o jogo feito para lutar. É o jogo arcade que todos desejavam ter dentro de suas casas.

Entre as versões que mais se destacaram, podemos relembrar a versão original para Neo Geo CD e seus gráficos impressionantes para a época, que tinham a desvantagem das telas de carregamento que atingiam até cinco minutos de espera. O relançamento para o PlayStation 2 também agregou personagens e melhorou os gráficos do jogo, fazendo desta a versão mais completa do jogo na época. Mas, até alguns meses atrás, nenhum console portátil havia obtido sucesso em trazer a experiência de KOF '98 para a palma de nossas mãos.


O Nintendo Switch e seu ótimo desempenho como portátil favorecem (e muito) o fator multiplayer local, principalmente pelo fato de poder ser jogado em qualquer lugar com os dois Joy-Cons já incluídos de fábrica com o console. Logo em suas primeiras semanas, KOF '98 foi lançado para o híbrido, oferecendo tudo de melhor que a versão para fliperama já tem, e ainda opções extras durante a emulação — como salvar o jogo em qualquer ponto. Com gráficos tão bons quanto o Neo Geo CD, carregamentos tão rápidos quanto no PlayStation 2 e com toda a versatilidade de um título para portáteis, esta é a (verdadeira) versão definitiva do jogo, que, em pleno ano de 2017, ainda entretém jovens e adultos com a mesma emoção dos velhos tempos.

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Arthur Maia escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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