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Análise: Yonder: The Cloud Catcher Chronicles, biomas e sprites (PS4/PC)

Yonder é um jogo de aventura, onde devemos resolver quebra-cabeças para coletar sprites e avançar pelo mapa.

Lançado pelo estúdio australiano Prideful Sloth esse mês, Yonder: The Cloud Catcher Chronicles (PS4/PC) é um jogo em mundo mundo aberto com diversos desafios. Entre os elementos que mais agradam estão a exploração de um cenário e a busca por sprites para salvar o continente de uma sinistra fumaça roxa.


Cenários quase reais

Prideful Sloth foi criada em 2015 na Austrália, e tem foco na criação de jogos de exploração com mundos abertos. Inspirados por franquias como The Elder Scrolls, The Legend of Zelda, Destiny e outros, o estúdio queria fazer com que o mundo fosse o personagem principal presente no jogo.

Yonder: The Cloud Catcher é o primeiro jogo do estúdio e podemos ver o quão belo são os ideais da empresa, em fazer jogos com visuais belos. A empresa tentou colocar toda a beleza que eles viram dos lugares onde moraram, criando jogos focados em exploração, travessia e experiência.


Yonder: The Cloud Catcher se passa no continente de Gemea, uma exótica ilha que possui oito ambientes distintos, de praias ensolaradas e tropicais até montanhas cobertas de gelo. Sendo que cada lugar possui sua própria flora e fauna, acompanhado de estações que estão em mudança e um ciclo de dia e noite.

A história de Gemea

Gemea já foi um paraíso e apesar de ainda manter sua aparência, uma substância roxa e maligna começou a aparecer no continente, envolvendo-o e deixando as pessoas em desespero. O personagem principal retorna à sua ilha usando uma curiosa bússola e procura uma forma de libertar o continente de uma maligna fumaça roxa, nociva para humanos.

Ele sofre um naufrágio ao se aproximar  da ilha onde nasceu e após esse problema, se vê em um lugar estranho com uma criatura à sua frente, a rainha Sprite. A rainha Sprite diz ao jovem para procurar seus familiares e que eles irão ajudá-lo durante sua aventura, eliminando a fumaça roxa que se espalha pela ilha.

A história do jogo pode parecer um pouco estranha a princípio, mas isso não atrapalha a diversão. A medida em que avançamos, aprendemos mais sobre os habitantes que com o tempo se tornam mais amigáveis ao jogador auxiliando-o em sua jornada. Por se tratar de um jogo de exploração, a história consegue se encaixar.


Ciclo e temperatura

O jogo possui várias mecânicas interessantes, sendo o clima diversificado de cada região e o ciclo de dia e noite sendo notáveis por transformarem os cenários únicos presentes em algo ainda mais fantástico. Essa mecânica influencia na procura pelos sprites e outros lugares, fazendo com que tenhamos que aproveitar bem essa mudança.

Yonder ainda inclui o sistema de crafting, no qual usamos os diversos materiais coletados para criar novos itens, que só podem ser criados se o personagem possuir as receitas. Podemos coletar materiais pescando, cortando e quebrando objetos, além dos clássicos baús escondidos pelo cenário.


A principal característica de Yonder é a sua exploração, que foca na resolução de quebra-cabeças pelo cenário. Esses quebra-cabeças podem ser simples ou mais complexos, como esperar a noite para achar uma sprite ou virar monumentos para liberar a passagem, achando assim uma nova sprite.

Essas mecânicas tornam o jogo uma experiência bastante interessante que atiça nosso senso de aventura. O sistema de crafting peca um pouco na aparência dos objetos, sendo bem simples, não possuindo variação entre os pratos de peixe por exemplo. Porém, consegue ser bastante criativo na descrição de seus objetos.


No primeiro momento os quebra-cabeças parecem e são bem interessantes e criativos, mas com o tempo se repetem um pouco e podem deixar o jogador um pouco entediado, já que não temos inimigos e nossos desafios se limitam a completar as missões dadas pelos NPC para conseguir obter o maior número de sprites e liberar nosso caminho.

Exploração e recompensas

Para auxiliar na exploração o jogo nos permite criar nosso avatar, antes de entrar nesse maravilhoso mundo de Gemena. Atributos como tom da pele, tom de cabelo e formato dele, gênero e altura e peso estão incluídos na opção de criação de nosso personagem principal, que iremos observar durante todo o curso dessa história.


A medida que exploramos o mapa nos deparamos com NPCs que possuem exclamações em suas cabeças, eles normalmente nos oferecem as missões para que continuemos a desbravar o mapa. Ao conversar com eles, ainda podemos aprender como sobreviver ao mundo de Gemena e com o tempo ganhar a simpatia dos habitantes.

Uma das recompensas pelas quests é uma fazenda, onde podemos colocar os animais espalhados pelo mundo. Esses animais podem ser conquistados pelo jogador quando este lhes alimenta com sua comida favorita. O animal seguirá o jogador por um curto período de tempo, e caso seja guiado a fazenda se torna um pet, lhe doando objetos, como leite, barro e lã.


A jogabilidade é bem simples e divertida, o sistema de crafting deixa o jogo interessante e nos faz buscar cada vez mais ingredientes para utilizar em nossas receitas. A bússola que possuímos aponta para as regiões com um raio de luz, ela permite com que não nos percamos enquanto conhecemos o continente.

Belos cenários

Por ser baseado em locais reais que os criadores conheceram, o jogo traz cenários incríveis de tirar o fôlego, que era o foco real da empresa. Os personagens são bem simples e possuem gráficos pouco elaborados, mas que não atrapalham na diversão que o jogo proporciona, realizando o que a produtora queria: levar esses lugares ao conhecimento dos jogadores.


Graças a seus cenários, Yonder consegue fazer com que tenhamos uma vontade de explorar, buscando conhecer novas regiões, sua flora e fauna. O mundo deixa de ser apenas o local onde estamos e se torna parte do personagem principal, como se estivesse vivo, sendo o principal atrativo para essa mecânica.

A trilha sonora presente no jogo também é bem trabalhada e escolhida para causar sensações específicas no jogador, podendo variar de uma batida suave a algo mais desafiador. Lembrando algo como os jogos em que foi inspirado, principalmente os títulos da franquia The Legend of Zelda, tanto em música quanto em arte.

Apanhador de nuvens

O primeiro jogo lançado pelo estúdio Prideful Sloth consegue divertir e nos passar a sensação de exploração que seus criadores tanto desejavam. Yonder peca em pequenas coisas, mas não possui algo que realmente atrapalhe sua experiência de jogo. Não foram encontrados bugs, carregamentos demorados ou problemas gráficos.

Yonder: The Cloud Catcher é um excelente jogo que nos mostra alegria e consegue nos trazer a paz de jogos do gênero. Relembrando um pouco jogos de nossa infância, o jogo possui um enorme potencial e quem sabe podemos ver alguma continuação ou spin-off. Que a Prideful Sloth faça jogos ainda melhores.


Prós


  • Sistema de crafting simples e eficiente;
  • Quebra-cabeças criativos;
  • Ciclo de dia e noite que altera a resolução de desafios;
  • Biomas diversificados;
  • Enredo combina com temática de exploração;
  • Jogabilidade de exploração muito boas.

Contra


  • Design dos NPC não possui grandes variações;
  • Quebra-cabeças podem possuir certa repetição.


Yonder: The Cloud Catcher Chronicles — PS4/PC — Nota: 9.0
Plataforma utilizada para análise: PS4

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Antonio Stark escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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