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Análise: The Town of Light (Multi), o psicológico jogo de horror

Town of Light é um jogo de horror que se passa em um manicômio e nos assusta sem ter nenhum inimigo.

The Town of Light (Multi) é um jogo de terror psicológico desenvolvido e publicado pela LKA, uma empresa independente italiana, que possui sede em Florença. O jogo foi lançado em 26 de fevereiro de 2016 para PC, porém, uma nova versão com melhorias e adições foi lançada em 06 de junho deste ano, para PC, PS4 e XBO.


História solitária e assustadora

Town of Light conta a história de Renée, uma jovem que aos 16 anos de idade foi internada em um hospital psiquiátrico. A história se passa em 2016, neste hospital, chamado de Volterra. O enredo é baseado em fatos reais e o hospital realmente existiu, sendo meticulosamente reconstruído para esse jogo.

A jovem protagonista volta para o hospital em busca de suas memórias e para trazer a luz o que aconteceu naquele lugar. Renée explora o hospital decadente em busca de folhas do seu diário. A medida em que ela avança no cenário, suas memórias vão retornando, contando sobre os maus tratos e abusos sofridos no lugar.


A história é realmente perturbadora, não há inimigos, assombrações, malucos e nem nada no cenário além da protagonista. Isso torna o jogo assustador, pois a cada minuto o silêncio nos amedronta e as memórias da jovem nos mostram o sofrimento dentro daquele espaço e como as pessoas realmente são.

Personagem melancólicos

Como dito acima, não há outros personagens exceto pela protagonista enquanto jogamos e avançamos pelos corredores vazios. Porém, durante as cutscenes, podemos ver muitos personagens e alguns são falados por Renée, como a mãe da jovem e sua amiga, Amara, que também era amante da garota.


Um outro personagem que sempre aparece de alguma forma ou outra é uma boneca que a mãe da menina amava, e que acaba indo com a jovem para o manicômio. Muitas vezes a boneca aparece nos lugares, de forma macabra e assustadora, o que pode aumentar a tensão e o medo de que algo assustador aconteça.

Os personagens são profundos e melancólicos, demonstrando tristeza e os problemas psicológicos da jovem. Como ela é a única personagem jogável, o jogo fica um pouco vazio e a única forma de conhecermos essa trama sinistra é através dos flashbacks de fragmentos, mas que conseguem contar essa história.

Jogabilidade simples e aterrorizante

Town of Light não possui quebra-cabeças complexos, inimigos ou outras mecânicas para avançarmos. Tudo que precisamos fazer é andar pelo cenário procurando documentos, páginas do diário e objetos específicos, como a boneca e interruptores. Dessa forma, as passagens irão se abrir para que a exploração continue. A jogabilidade é bem simples e suave, facilitando tanto para iniciantes quanto para veteranos.

A única dica que temos para avançar neste jogo vem da fala da protagonista, ainda que de forma um pouco confusa. Devemos estar atentos para sabermos quando ir a determinada ala e procurar algo que devolva sua memória. No entanto, essa mecânica pode ser um pouco caótica, já que não temos como realmente saber para onde ir, o que fazer e pelo quê procurar.


O jogo pode parecer um pouco monótono para alguns, já que ele realmente não oferece perigos e desafios que fazem o jogador ficar bem empolgado, seus puzzles são um pouco difíceis, já que é necessário desvendar a fala desorganizada da protagonista. Mas para os fãs de terror, talvez ele seja uma boa pedida, já que, de modo geral,é bem rápido e possui uma pegada psicológica e assustadora.

Visual próprio para um terror psicológico

O design do jogo consegue passar a sensação de terror mesmo que o cenário não possua nada de assustador. Seus corredores com iluminação bem encaixada conseguem nos deixar apreensivos e focados no caminho que devemos percorrer. Os objetos que podemos observar pelo cenário não são nada surpreendentes e diferentes do comum.


As memórias de Renée nos são dadas em preto e branco através de desenhos um pouco bizarros que nos mostram a forma que a jovem os enxergava. Essas memórias nos trazem um pouco do medo talvez, principalmente pelo fato de mãos escuras aparecem durante essas memórias, como se fossem mãos demoníacas.

O som do jogo é bem tranquilo, com música suave em determinados pontos que vai variando de local em local. A música também muda durante as memórias, com gritos para ajudarem na sensação de terror. O som de passos que fazemos e os rangidos que ouvimos também são assustadores.


Excelente terror psicológico

Town of Light consegue passar a sensação de terror apropriada para o gênero que ele se propõe a ser, trazendo aspectos psicológicos que lhe acrescentam. Relembrando um excelente filme de terror, o jogo traz a tona as emoções através da cutscenes que ocorrem com certa frequência e que acompanham um enorme silêncio e solidão.

The Town of Light consegue surpreender com seu cenário e narrativa, demonstrando potencial para a realidade virtual. Devemos esperar por futuros jogos dessa empresa italiana que, com incrível habilidade, reconstruiu o cenário do manicômio para nos contar essa história macabra. Excelente para os fãs de terror.









Prós


  • Terror psicológico autêntico;
  • Fidelidade do ambiente com os aspectos reais;
  • Cutscenes auxiliam a compreender a história;
  • Jogabilidade suave;
  • Personagens bem construídos.

Contras


  • Dificuldade em achar o caminho;
  • Jogabilidade monótona;
  • Quebra-cabeças simples.


The Town of Light — PS4/XBO/PC — Nota 8.0
Plataforma usada para análise: PS4

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Antonio Stark escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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