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Análise: Cursed Castilla Ex (Multi) traz de volta todo o charme e a dificuldade dos fliperamas

Lançado originalmente em 2012 pela Locomalito, o game imita os antigos arcades e é bem desafiador, com um bom toque de nostalgia.

Cursed Castilla Ex, ou Maldita Castilla como é conhecido em alguns lugares, chegou ao Steam em 2012 e agradou bastante por reviver com fidelidade a experiência dos games de ação dos arcade dos anos 1980. Mais atualmente, na virada de 2016 para 2017 ele recebeu versões para o XBO e o PS4. Agora ele recebe mais uma versão, a primeira portátil, para o 3DS.




O game de ação em plataforma ressuscita bons elementos do estilo clássico de Ghosts 'n Goblins, bem como elementos que lembram bastante os primeiros jogos da franquia Castlevania. Mas prepare-se, pois o game traz também um alto nível de dificuldade mesmo para aqueles mais acostumados com os jogos clássicos. Morrer acaba virando parte da rotina do jogo.


Um enredo simples, mas o suficiente

A história de Cursed Castilla se passa por volta do ano 1801, na Espanha. Lá, um antigo demônio usa seus poderes para desencadear o surgimento de diversas criaturas do submundo por todo o Reino de Castela. O Rei Afonso VI de León chama então o grupo de seus mais destemidos cavaleiros, Don Ramiro, Quesada, Don Diego e Medonza para resolver o problema. Nós, comandando Don Ramiro, temos que passar então por seis fases, que possuem quatro finais diferentes cada, enfrentando chefes ao final delas.

O enredo é bem simples e nada chamativo, mas é o necessário para ambientar uma aventura medieval na medida certa. Além disso, como o jogo é uma homenagem aos clássicos arcade dos anos 1980, não seria preciso nada muito mais elaborado que isso, pois o foco não é a história em si, mas a jogabilidade.


Visual retrô muito agradável

Um fator que agrada desde o início da jogatina são os seus visuais. Com personagens, fundos e fases muito bem feitos e sempre apelando para o estilo gráfico dos fliperamas antigos, Cursed Castilla Ex fica muito fiel aos seus jogos inspiradores. Completando a experiência de forma muito gratificante estão as músicas e efeitos sonoros do título, todos igualmente monofônicos, mas muito bem desenvolvidos, servindo como um fundo que acrescenta mais prazer ao “revisitar” o título.

Revisitar é o termo pois a impressão que dá é que o jogo é um retorno de algum clássico para as plataformas de jogo atuais. Não é de surpreender se alguém confundir seu gameplay com um emulador ou então um remake, pois todo o ar que Cursed Castilla Ex traz é de ser um jogo que viajou no tempo, dos anos 1980 para cá. Mas claro, ele é um daqueles títulos que “envelheceu muito bem”.



O jogo é tão bem pensado em seus visuais que na versão de 3DS, por exemplo, você pode escolher se a tela do jogo ficará no formato de resolução da tela do 3DS ou se ficará no formato quadrado clássico, com bordas laterais que lembram bastante os fliperamas clássicos. Essas bordas, é importante ressaltar, melhoram ainda mais a sensação de profundidade que o 3D do portátil possui.

Os desafios de outrora nos comandos atuais

O nível de dificuldade do jogo pode incomodar jogadores pouco acostumados com a época, mas aqueles mais adéptos do old school vão se apaixonar. Com um único nível de dificuldade, o jogo segue a ideia de ser fácil de se aprender e dificílimo e se dominar, o que o torna levemente viciante. Morrer é algo tão comum no game que não é tão punitivo como em outros jogos. Aqui, mesmo com o game over, você só perde sua pontuação acumulada e os itens que seu personagem havia conquistado durante a fase.



Mesmo com essa naturalização da morte, ela ainda é frustrante, pois perder determinados itens pode ser bem custoso para a aventura, inclusive porque muitos você pegou em fases anteriores e assim vai precisar explorar o que vem à frente com a espada básica e nenhuma habilidade secundária.

É bom ressaltar também que todo este desafio é proporcionado por um excelente design de fases, que coloca as respostas rápidas e noções de espaço do jogador à prova. Em contrapartida, os comandos do jogo não seguem os padrões difíceis e não ergonômicos que muitos jogos antigos possuíam. Aqui você é livre para usar os direcionais ou o analógico (dependendo da plataforma ou do controle que você use), facilitando a adaptação aos comandos do jogo, que são bem básicos.


Experiência no tempo certo

Mesmo que muitos possam achar seis fases com quatro finais cada um conteúdo um tanto quanto curto, o nível de desafio que o jogo proporciona aumenta bastante o tempo que o jogador vai precisar passar em cada fase para conhecê-la por completo. Além disso, tentar superar todos os desafios sem ver a tela de game over, para assim acumular seus pontos até o final é um desafio à parte que precisará de uma maestria extra dos jogadores.

Talvez um placar global com as pontuações de cada um seria um recurso interessante, para fomentar ainda mais a aura dos fliperamas antigos, nos quais os jogadores tentavam sempre dominar as lojas com o maior recorde do local. Quem sabe um dia não é mesmo? 



No geral, o jogo é excelente e cumpre com eficiência suas promessas. A versão de 3DS só possui o efeito 3D e a segunda tela como diferenças significativas às versões dos outros consoles. Entretanto, o 3D é dispensável, mesmo que seja bonitinho. Já a segunda tela é totalmente inútil, pois tenta representar a base de um fliperama com controles sensíveis ao toque, mas estes são minúsculos e nem um pouco funcionais.

Mesmo assim, seja no portátil, no PC ou nos consoles de mesa, Cursed Castilla Ex é uma experiência sensacional diretamente vinda de um túnel do tempo que fará qualquer um com mais de 25 anos sentir saudades dos arcade antigos. Além disso é uma ótima viagem para jogadores mais novos que queiram se aventurar em materiais “clássicos”.


Prós

  • Gráficos retrô muito bonitos;
  • Level design bem planejado aumenta o desafio;
  • Trilha sonora ajuda no ar retrô do título;
  • Nível de dificuldade alto pode agradar a um público restrito;
  • Mortes não são excessivamente punitivas;
  • Bordas da versão de 3DS ajudam na nostalgia;
  • Poucas fases são compensadas com finais alternativos;
  • Levemente viciante;
  • Fácil de aprender, mas dificílimo de dominar.

Contras

  • Versão de 3DS tem segunda tela inútil;
  • Alta dificuldade pode desagradar alguns;
  • Pouco número de fases pode incomodar.

Cursed Castilla Ex  —  PC, XBO, PS4, 3DS  —  Nota: 9.0
Versão utilizada para a análise: 3DS

Revisão: Vitor Tibério

Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, mas começou sua vida gamer bem cedo, no NES. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico.

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