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Análise: Randall (PS4/PC), o mundo de eletricidade não tão bom

Primeiro jogo feito pela empresa mexicana We The Force Studios, Randall (PS4/PC) tem muito espaço para melhorar.



Randall (PS4/PC) é um metroidvania lançado pela empresa mexicana We The Force Studios em junho deste ano. Porém, o jogo é bem fraco, possuindo uma história desinteressante, alguns bugs e jogabilidade fraca, falhando em trazer diversão para seus jogadores. No entanto, se você gosta de jogos com alta dificuldade, talvez se interesse por esse jogo.

Mundo da eletricidade com problema de enredo

O jogo se passa em Nook City, um mundo distópico e futurístico, onde um regime opressor está em vigor. Os cidadãos são prisioneiros de uma organização maligna que utiliza da eletricidade para controlar e muitas vezes intimidar os moradores da cidade, que são monitorados e gravados em câmeras.

Apesar dessa história parecer bem interessante, na prática os diálogos que deveriam ocorrer para explicar estes pontos da história, ou apenas desenvolvê-la, ocorrem dentro da cabeça de Randall de uma forma bem confusa. E assim a história acaba ficando desinteressante, seja o jogador de perfil mais casual ou aqueles mais ávidos a esmiuçar todo o game.


Os diálogos tentam ser apenas engraçados, o que inicialmente pode conseguir a atenção dos jogadores. O que acontece na medida que avançamos na jogatina é que isso tende apenas a se tornar irritante, uma vez que não acrescenta nada de relevante à história do jogo. Outro fator que causa frustração é o fato dessa narrativa não ajudar a compreender as motivações do protagonista, que só fica prosseguindo pelas fases.

Ganhando poder

Uma das ideias do jogo, como todo bom Metroidvania, é explorar cada canto dos cenários à procura de habilidades e consumíveis, permitindo a Randall ficar mais forte e ir a lugares que anteriormente eram inacessíveis, enquanto ele é desafiado por diversos inimigos e armadilhas mortais. Porém, isso não ocorre tão bem assim.

O jogo possui seis fases que poderiam ser distintas, como por exemplo Fábrica e Prisão, mas elas são idênticas entre si, possuindo os mesmos inimigos e mesmas armadilhas. A única forma de notarmos tal diferença é o fundo da fase, que possui algo para nos lembrar da região onde estamos. Com novas habilidades às vezes temos de voltar para procurar caminhos agora acessíveis.


As habilidades, das mais simples como agarrar em borda até as mais complexas como confundir e controlar inimigos são interessantes e recolhê-las é um desafio aceitável, mas com o tempo passam a ser repetitivas. Já que temos que andar pela fase, passar por armadilhas que já conhecemos e enfrentar os mesmo inimigos.

Além disso, no decorrer do jogo sofremos com alguns impedimentos, famosos bugs, que podem atrapalhar a experiência de jogo. Coisas como ficar preso no chão ou ficar parado na posição de pulo acontecem quando menos esperamos, ao usar habilidades Randall também pode ficar preso na posição e não conseguir usá-la.

Socos e Chutes

Durante o combate podemos usar algumas habilidades adquiridas nas fases, mas ao usá-las podemos sofrer alguns bugs, atrapalhando o combate. Além dos bugs, algumas habilidades, como confundir o inimigo, deixam Randall vulnerável a ataques, e dependendo do número de inimigos nosso protagonista será encurralado e derrotado rapidamente.


A ideia era deixar o combate mais tático, já que ao atacar nossos inimigos podemos apenas acertar um deles independentemente de quantos estejam por perto, mas todos os nossos inimigos podem nos atacar e acertar ao mesmo tempo. Inicialmente é algo bacana, mas o combate fica frustrante com o aumento de inimigos.

Apesar de possuírem um design e coloração interessantes para a premissa do jogo, os inimigos são sempre iguais, não possuindo nenhuma distinção de um bruto que estava na fábrica para um bruto que está no esgoto. Eles também possuem poucas animações de ataque, realizando os mesmos movimentos em todos os momentos que os encontramos,

Mesmo com os bugs já descritos acima, algumas habilidades são interessantes. Deixar os inimigos confusos e até mesmo controlá-los é interessante no início e pode render bastante diversão, mas com o tempo essas habilidades se tornam repetitivas. Lutar se torna algo menos interessante que explorar os mapas.

Mundo distópico

A escolha de cores utilizada consegue nos trazer a sensação de solidão e opressão que ocorrem na cidade Nook, fazendo com que mesmo o design repetido das fases lembre, mesmo que de pequena forma, o lugar onde estamos. E essas cores encaixam bem no formato dos prédios e no design dos personagens, aliados ou inimigos.


O mesmo não pode ser dito sobre a música, já que ela é apenas repetitiva e não nos passa muita coisa, sendo bem simples. O som não funciona bem com o jogo tornando-o monótono em alguns momento. Em vez de ditar o ritmo para o jogador, em Randall a música facilmente o quebra.


Esses elementos, porém, não explicam o longo tempo de carregamento que o jogo possui durante sua entrada e transições. A tela de carregamento pode demorar mais de um minuto, o que pode quebrar o fluxo do jogador fazendo-o perder a vontade de continuar jogando, sendo essa mais uma falha contida no jogo.

Espaço para melhoria

Randall infelizmente possui muitas falhas que atrapalham bastante a diversão que o jogo poderia proporcionar para todos os fãs do estilo metroidvania. Apesar de ter pontos positivos, como a premissa da história, a pouca variação de design e coloração tornam o jogo em geral muito monótono, causando mais frustração do que diversão ao jogador.

Randall possui potencial para melhorar e com o tempo esperamos que suas falhas sejam corrigidas por pacotes de atualização lançados pela empresa. Apesar do grande número de falhas que o jogo apresenta, esperamos ansiosamente pelos próximos títulos que serão oferecidos pelo estúdio mexicano We The Force Studios, e seu crescimento.

Prós:


  • Os poucos designs são interessantes;
  • As cores utilizadas combinam com o tema;
  • Algumas habilidades são divertidas no início;
  • Excelente premissa para a história.

Contra:


  • Péssimo desenvolvimento da história;
  • Narrativa confusa;
  • Repetição preguiçosa de armadilhas, cenários e inimigos;
  • Bugs;
  • Jogabilidade cansativa e repetitiva;
  • Tela de carregamento muito demorada.

Randall — PS4/PC — Nota 4.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Vitor Tibério
Antonio Stark escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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