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Análise: Portal Knights (Multi) é a combinação perfeita entre Minecraft e RPG

Se aventure por mundos diferentes e deixe sua imaginação voar nessa jornada!


Eu sempre torci meu nariz para Minecraft. Não pelo gênero, pois sempre curti games no estilo sandbox (não se esqueçam que esse é o redator que deu 10 para No Man’s Sky), mas o game não me agradava visualmente e parecia não ter nenhum objetivo concreto a não ser a liberdade de criação praticamente infinita. Felizmente, a Keen Games parece ter compreendido essas questões ao desenvolver Portal Knights: uma mistura feliz entre RPG e sandbox que garante horas de diversão e criação.

Uma aventura por muitos mundos

Como todo bom RPG, Portal Knights começa dando ao jogador a escolha mais difícil que ele irá fazer em todo o game: escolher a classe, aparência e nome de seu personagem. Você pode escolher entre um guerreiro, caçador ou mago. Tenho preferência por utilizar ataques à distância, por isso escolhi o caçador por possuir um arco e flecha como arma básica. Até tentei jogar um pouco com o guerreiro, mas seus atributos não eram os melhores quando era necessário evitar o combate ou fugir.

Todos os mundos de Portal Knights são gerados de forma procedural e aleatória, ou seja, nenhum jogador encontrará o mesmo mundo em diferentes jogadas. A primeira impressão que o game passa assim que você aterrissa no primeiro mundo é que ele se parece muito com minecraft principalmente porque todo o ambiente é construído com cubos, com exceção do personagem, inimigo, árvores e armas. Apesar de se caracterizar como um sandbox, o elemento de RPG entra de forma correta para garantir objetivos ao jogador.

O principal objetivo da aventura, além de construir o que sua imaginação desejar, é se aventurar por diferentes mundos e descobrir todas as “ilhas” que compõem o universo, enfrentando alguns chefões mal-encarados pelo caminho. Para ir de um mundo para o outro, é preciso coletar fragmentos de portais, peças que inimigos costumam derrubar e que, uma vez que o portal seja ativado, lhe permite ir e voltar entre vários mundos a hora que quiser. Esse esquema de transporte sem nenhum custo motiva você a explorar os detalhes de cada mundo com muito cuidado. Por exemplo, se está muito difícil de enfrentar os adversários de uma “ilha” para pegar peças essenciais, basta ir para um mundo mais fácil!


E falando em peças, uma das maiores funcionalidades do game é seu sistema de coleta e criação, porém ele é muito confuso e o manuseio não é muito intuitivo. Por exemplo, somente os primeiros quatro slots de acesso rápido podem ser acessados rapidamente, enquanto para ir aos outros é necessário pausar o game. Além disso, não é simples encontrar no menu os locais onde estão disponíveis as “receitas” para um certo tipo de arma, e mesmo as peças que são necessárias para sua construção não ficam muito claras. Talvez a pior parte desse sistema seja que o game não para quando você está acessando o menu, portanto procure um local seguro se você não quiser morrer enquanto tenta organizar seu inventário.



Apesar de o jogador ter toda a liberdade para destruir e construir o ambiente à sua volta, o sistema de mineração dos blocos que constituem o mundo é muito limitado e lento. Mesmo construindo picaretas que tornam o trabalho um pouco menos maçante, o processo ainda continua muito demorado. Por exemplo, em um dos mundos, o portal se encontrava embaixo de uma torre, em uma câmara escondida que não possuía acesso por outro local. Sendo assim, minha única alternativa foi cavar até chegar ao local. Foram mais de 30 minutos quebrando blocos para chegar até o portal, uma experiência cansativa e desnecessária. O jogo poderia ter adicionado alguma função para eliminar vários blocos rapidamente ou ferramentas melhores para modificar o cenário.



Em contraste com o menu confuso e o sistema de mineração, uma das características marcantes do game que nos deixa esquecer suas falhas por alguns momentos é seu visual. A riqueza de detalhes, a simplicidade e variedade dos cenários de cada mundo impressiona. O jogador irá visitar campos verdes, desertos, mundos tóxicos com cogumelos gigantes e até locais totalmente cobertos por gelo, ou seja, variedade de cenários é o que não falta. Em vários momentos me peguei parado em algum ponto inóspito de uma das ilhas observando a forma e disposição dos elementos daquele mundo. Mesmo com uma trilha sonora muito repetitiva, era uma vista maravilhosa de se apreciar.



A outra característica importante de Portal Knights é a jogabilidade no modo cooperativo. Infelizmente não é possível, pelo menos no PS4, procurar jogadores fora da sua rede de amigos, e somente consegui experimentar o modo com um amigo que possuía o título. Como alguns tipos de inimigos são complicados de derrotar e alguns itens (como as próprias pedras de portais) difíceis de serem encontradas, é bom poder contar com um amigo para te ajudar. Como meu amigo utilizava um guerreiro, e eu um caçador, a nossa principal estratégia sempre era  ele partir para o ataque enquanto eu o dava cobertura. Para nossa sorte, a técnica funcionava na maior parte das vezes. A diversão somente era um pouco frustrada por eventuais problemas de conexão que causavam um pouco de latência, mas nada que prejudicasse muito a experiência.



Mesmo depois de muitas horas de gameplay, uma das característica de RPG que mais se sente falta em Portal Knights é a variação dos combates. Seja qual for a classe de personagem que você escolha, seu ataque básico será sempre o mesmo independente da arma que você escolher. Muitos podem argumentar que RPGs como Diablo se apoiam nesse tipo de mecânica, mas nesse caso existem as magias e habilidades especiais para criar uma experiência mais diversificada. Em Portal Knights, até existem feitiços que podem provocar danos diferentes nos inimigos, mas nada que cria uma diferenciação muito grande que faça o jogador querer abandonar sua arma.



Portal Knights é uma ótima pedida para aqueles jogadores que acham Minecraft interessante mas procuram uma aventura que permita algo mais do que apenas criar e modelar o mundo ao seu redor. A mecânica de RPG que o game utiliza é muito simples e rápida de aprender, apesar de ter uma interface não muito intuitiva. Tamanha simplicidade pode frustrar um pouco aqueles que procuram algo mais desafiador, mas o game tenta criar a dificuldade em seus cenários aleatoriamente construídos e com inimigos que podem te surpreender em qualquer lugar. Se você tiver um ou mais amigos que podem jogar com você, não hesite em convidá-los, pois essa viagem por vários mundos fica muito mais divertida com um grupo de companheiros do que sozinho.


Prós

  • Visual divertido e agradável;
  • Co-op bem estruturado.

Contras

  • Poucas opções de combate;
  • A interface não é muito simples ou intuitiva;
  • Sistema de construção muito limitado.

Portal Knights - PC/PS4/Xbox One/Switch - Nota: 8.0
Versão utilizada na análise: PS4

Revisão: Arthur Maia
Luis Antonio Costa escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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