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Análise: Injustice 2 (PS4/XBO) é melhor que o seu antecessor em todos os aspectos

A NetherRealm mantém a fórmula de sucesso de Injustice: Gods Among Us e apresenta o seu melhor jogo de luta até o momento.

O pessoal da NetherRealm tem criado um jogo melhor do que o outro. Mortal Kombat 9 foi um ótimo reboot da franquia, Injustice: Gods Among Us apresentou um jogo de luta com super-heróis e enredo sólido, Mortal Kombat X estreou em alto nível na atual geração de consoles, e Injustice 2 chega expandindo e melhorando todos os conceitos dos seus antecessores, dando continuidade à história iniciada no primeiro Injustice.

Hora de dar um fim à “injustiça”, ou não

Dificilmente um jogo de luta merece destaque especial pelo seu enredo, até porque não é o foco dos produtores desse gênero, que se concentra nos combates em si. Injustice: Gods Among Us conseguiu trazer uma história inédita e muito interessante, ao ponto de ter uma história em quadrinhos de cinco volumes contando os fatos que precederam aos eventos do game. Até mesmo um volume especial — Injustice: Marco Zero —, recapitulando a história de Gods Among Us, mas pelo ponto de vista da Arlequina, foi lançado previamente a Injustice 2. Assim, a expectativa para o seu modo história era especialmente alta.


Os eventos de Injustice 2 ocorrem anos após o final de Gods Among Us e seguem a fórmula de sempre: cenas de vídeo contando a história, personagens dialogam, não chegam a um entendimento, e logo partem para a briga, momento este que o controle do lutador da esquerda passa para o jogador. Finalizada a luta com vitória, voltam as cutscenes dando prosseguimento à história. A novidade fica pelo fato de a campanha trazer a necessidade de escolher um entre dois personagens para lutar. Isso não afeta no desenrolar da narrativa, até a escolha final, que entregará um dos dois finais possíveis do game. Mas não é necessário jogar tudo novamente para ver o final alternativo, bastando, após terminar o jogo, escolher os personagens preteridos durante as escolhas, inclusive no final. Essa foi uma forma que a NetherRealm encontrou de agradar tanto quem torcia para um lado quanto para o outro.


Da mesma forma que o primeiro game, há uma revista em quadrinhos homônima em edição que contará o que houve nesse lapso de tempo entre os jogos. Apesar disso, o enredo de Injustice 2 não parece incompleto, já que a revista é apenas um algo a mais para os fãs. O que temos é uma história muito interessante, que não deixa a desejar para nenhum outro arco da DC Comics, e mesmo os longa-metragens da editora poderiam aprender algo com Injustice.

Mais uma vez, a história é toda dublada no nosso idioma e, novamente, buscaram um seleto grupo de dubladores para participar do projeto — quase todos são dubladores oficiais dos personagens nos filmes e desenhos animados. Nomes como Guilherme Briggs, que já emprestou sua voz diversas vezes ao “Homem de Aço”, e Márcio Seixas, a voz do Batman em Batman: A Série Animada, fazem parte do excelente elenco. O diretor é o Goku, ou melhor, Wendel Bezerra, que dá voz ao Irmão Olho no jogo. Ele falou um pouco sobre a dublagem de Injustice 2 em seu canal no YouTube:

Os dubladores fizeram um trabalho impecável. É um verdadeiro prazer escutar cada fala no jogo. Mas como o próprio Wendel aponta no vídeo acima, há problemas na dublagem de games que dificilmente são evitados, como a falta de sincronia entre as vozes e a boca dos personagens. Isso, infelizmente, é algo constante em Injustice 2. Não chega a atrapalhar, mas seria ótimo que os dubladores recebessem os vídeos do jogo para desempenhar com perfeição o seu trabalho. Outro problema que ocorre no game, com menos frequência, é o erro de gênero, já que, algumas vezes, não é possível saber, apenas com a frase do original em inglês — de onde são retiradas as falas —, se o diálogo é com uma mulher ou com um homem. Outro probleminha é que algumas palavras acabaram não sendo dubladas, como o momento que o Batman ativa o seu golpe especial e diz “now”, em vez de “agora”.

Para deixar a história ainda mais agradável, o visual gráfico de Injustice 2 está muito detalhado — com destaque para as expressões faciais, que receberam atenção especial, dando vida aos personagens. O jogo ainda roda a 60 quadros por segundo e é certamente o melhor nesse quesito entre os jogos de luta da atualidade — muito superior ao seu antecessor.

Lutas aprimoradas

O sistema de jogo de Injustice 2 é similar ao de Gods Among Us e é bem acessível para jogadores mais casuais, graças a controles simples e combos curtos. Contudo, para ter domínio completo de um dos 28 personagens iniciais, é necessário muito treino, como em qualquer jogo de luta. Combos maiores, que envolvem cancelamento de golpes, e estratégias complexas exigem um certo tempo de dedicação ao lutador escolhido.


Cada personagem conta também com uma habilidade única, ativada ao apertar um botão e com um curto período de recarregamento. Além disso, é necessário administrar bem o medidor de energia, que aumenta conforme dano é aplicado ou recebido, pois ele serve para diversas funções diferentes, como escapar de um combo com gasto de uma barra de energia, desferir um golpe especial gastando toda a energia, que causa muito dano e conta com uma cena animada muitas vezes extremamente exagerada, mas sempre divertida, ou ainda para gastar durante o “Choque” entre personagens — momento no qual é possível “apostar” barras de energia contra o oponente para ganhar vida. Gastar toda a energia usando o golpe especial, por exemplo, deixa o personagem à mercê do oponente, que certamente vencerá durante um “Choque”, recuperando até 33% de sua energia vital.


O cenário, além de dinâmico e bem detalhado, faz parte do gameplay, pois é possível, quando disponível, interagir com os objetos dele, seja arremessando ou o usando para saltar (o que serve bem para fugas). As transições, ao acertar um golpe muito forte próximo
à borda, também consomem mais energia do oponente, além de trazer uma cena diferenciada.

Melhorando equipamentos

A grande novidade em Injustice 2 está no seu sistema de equipamentos. Assim como em um RPG, além de subir de nível (até o 20), os personagens adquirem partes diferentes que podem aumentar o seu nível de defesa, vida, força e habilidade, e ainda mudam o visual deles. Antes de o jogo ser lançado, essa ideia não agradou a muitos jogadores, que viram nela uma forma de desequilibrar as partidas. Contudo, essas melhorias nas características dos personagens não estão presentes nas partidas ranqueadas — apenas as mudanças meramente cosméticas — e certamente não estarão nas competições, já que é possível desabilitá-las.

As partes são adquiridas aleatoriamente ao vencer partidas, ou dentro de “Caixas Maternas”, que são ganhas lutando nos modos do jogo. Há todo um sistema em cima desses equipamentos, pois é possível vendê-los, modificá-los ou restaurá-los. Nem sempre há uma peça ideal e o jogador deve decidir qual elemento o personagem escolhido precisa melhorar mais.


O melhor local para se utilizar e ganhar equipamentos é o Multiverso, um dos modos principais de Injustice 2. Ele aparece no lugar do S.T.A.R. Labs de Gods Among Us, e é uma mistura das torres vivas do Mortal Kombat X com o clássico modo arcade. O Irmão Olho descobriu vários universos paralelos, em que várias versões da Terra passam por problemas e precisam de ajuda. Cada planeta contará com diversas torres com personagens modificados, nem que seja apenas no traje, e devem ser enfrentados um a um. Ao final do tempo indicado em cada um, novos universos dão lugar aos antigos, com novos desafios.

Nesse modo, as alterações dos personagens são melhor aproveitadas, já que inclusive os inimigos terão upgrades. Além disso, desafios extras fazem parte de muitas dessas lutas, que podem ser modificações no cenário, com serras e choques aparecendo no chão, ou mísseis sendo lançados por cima; mas podem ser relativas aos personagens, com inimigos sugando sua energia toda vez que o acerta, ou sendo impossível desferir combos, apenas um golpe por vez. Nem sempre são modificações para atrapalhar a vida, como no caso em que Hades precisa de ajuda e seu machado é arremessado na direção que desejamos, com um curto período de resfriamento. Esses são apenas alguns exemplos e as possibilidades são incontáveis. Esse modo é um dos melhores para ganhar equipamentos, já que praticamente toda ação finda em recompensa.


É no Multiverso também que o modo arcade aparece de forma disfarçada, no Simulador de Batalhas. Basta escolher um personagem, lutar algumas batalhas, vencer Brainiac no final e ver o seu final exclusivo. Até mesmo os piores vilões terão o seu final feliz.

Fazendo parte do “clube” online

Nos modos online, é possível jogar partidas casuais e ranqueadas, que contam com alguns problemas para conectar e raros momentos de lag durante os combates. Possivelmente, com as atualizações que a NetherRealm vem fazendo, essas irregularidades serão corrigidas.


O diferencial online fica por conta das Guildas, em que é possível fazer parte de um “clube” para realizar desafios em planetas do Multiverso preparados com desafios exclusivos para as “Guildas”. Todos os membros recebem “Caixas Maternas” exclusivas, mesmo que não façam nada, apenas por participar. Ou seja, mesmo que a sua contribuição não seja tão relevante, pela falta de tempo, por exemplo, ainda lucrará alguns equipamentos exclusivos, dependendo do tamanho e empenho da “Guilda”.

Um jogo nada “injusto”

Injustice 2 entretém com lutas dinâmicas, aprimoradas de God Among Us, história interessante, com roteiro digno de cinema, e coletando equipamentos, que agregam substancialmente em rejogabilidade. Mesmo os jogadores menos competitivos devem gastar muitas horas melhorando seus personagens e interagindo com o Multiverso e as Guildas, na busca pelas cobiçadas “Caixas Maternas”. Mesmo com pequenos problemas na dublagem e na conexão online, a NetherRealm trouxe o seu melhor jogo de luta até o momento, e estabeleceu um alto nível para os concorrentes.

Prós

  • Modo história com ótimo roteiro;
  • Dubladores brasileiros oficiais dos personagens em filmes e desenhos;
  • Visual gráfico detalhado;
  • Diversos modos de jogos;
  • Sistema de melhoria de equipamentos.

Contras

  • Pequenos problemas de conexão online;
  • Falta de sincronia das vozes com as bocas e algumas falas não foram dubladas.
Injustice 2 — PS4/XBO — Nota: 9.5
Versão utilizada para a análise: PS4
Alberto Canen é formado em Direito pela UFRN. Joga videogame desde os tempos do Atari e sempre acompanha as novidades na indústria de jogos. Está no Facebook e no Twitter.

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