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Análise: World to the West (Multi) combina quatro histórias de modo encantador

Ambientado no mesmo mundo que Teslagrad (Multi), o novo título da Rain Games mostra uma excelente capacidade para contar histórias.

A Rain Games já era conhecida por apresentar ao público o título Teslagrad (Multi), lançado inicialmente em 2013 e que mostrava as aventuras de um jovem mago com domínio da eletricidade em explorações recheadas de puzzles em um universo 2D bastante criativo. Já em 2017, a intenção do estúdio foi produzir outra história ambientada no mesmo universo desenvolvido em Teslagrad, entretanto, de modo bem diferente. Com isso, a empresa nos presenteia com uma aventura cativante vivida por quatro personagens desconexos que, aos poucos, vão se ligando de forma bastante convincente. Esse é World to the West.

A Teslamancer, o aristocrata, o escavador e a exploradora

O enredo e a narrativa da história são um dos pontos mais interessantes e positivos do game. Tudo começa com a manipuladora de eletricidade que é a ponte com o título lançado em 2013 pela empresa. Em uma tentativa frustrada, ela acaba utilizando um mecanismo de teletransporte que a envia para um local até então desconhecido por ela e pelos seus. Nesse início somos apresentados a algumas das mecânicas de controle da personagem, enquanto desbravamos junto com ela esse novo local.

Com o tempo, sua história se mistura a de outro personagem, um jovem que trabalhava nas minas e acaba fugindo de lá. Nesse mesmo modelo, somos apresentados muito em breve aos dois outros personagens que também se interligam curiosamente: uma exploradora e caçadora de relíquias e um aristocrata fisiculturista animado para conhecer o “novo mundo”. Aqui, a originalidade dos personagens e do enredo em si é interessantíssima.



Conhecemos e nos apegamos a cada um deles ao mesmo tempo em que nos familiarizamos com a jogabilidade diferenciada que cada um possui. Junto a isso, temos um enredo que, aos poucos, nos apresenta um grandioso mundo interativo e mistérios a serem resolvidos por cada um dos protagonistas individualmente e, também, por todos ao mesmo tempo. Sempre de forma simples e carismática.

Quatro mundos diferentes em um só

Para além do enredo de World to the West, a sua jogabilidade traduz muito bem essa narrativa vista de quatro óticas diferentes. Como já foi dito, em determinados momentos de jogos controlamos um ou outro personagem, alternando entre eles em determinadas horas e sendo obrigados a utilizar uns em outras. Como cada personagem possui habilidades e características próprias, essa experiência de jogar com eles alternadamente dá ao jogador realmente uma noção totalmente diferente em cada mapa, dependendo de cada personagem que ele esteja utilizando.



Com um design de mapa que lembra muito o estilo de The Legend of Zelda - A Link to the Past (SNES) e A Link Between Worlds (3DS), World to the West carrega uma complexidade interessante em suas variadas regiões. Ao mesmo tempo em que aparenta certa simplicidade, todas as regiões possuem atalhos, segredos e puzzles que serão resolvidos somente com um ou com a combinação de alguns personagens.

Esses puzzles são altamente instintivos e não tão óbvios, o que dá um nível de desafio muito agradável para a jogatina, equilibrando descobertas e superações com mistério e dificuldade acentuada. Os próprios inimigos encontrados em cada mapa são explorados de forma diferente por cada personagem, obrigando uns a fugirem dele, outros a enfrentarem o perigo e até a usarem as habilidades de cada criatura para o seu próprio proveito.



Este fato faz com que a forma que você observa cada mapa durante as explorações se torne distinta. Junto a isso, o que impede o jogador de explorar todo o território de uma só vez não é simplesmente uma parede invisível ou um NPC bloqueando o caminho, mas sim as capacidades e relações dos personagens que ele está controlando naquele momento. Isso deixa a imersão nesse mundo e o senso de exploração muito mais divertidos.

Tudo isso, claro, num mundo repleto de cores vivas, bons efeitos de movimentação, partículas e iluminação e um traço carismático que, novamente, remete um pouco aos jogos citados da franquia Zelda. Já os efeitos sonoros e músicas ambientes, não são tão orquestradas, mas exibem qualidade ímpar, principalmente para animar o jogador durante a exploração.


Alguns problemas contornáveis

O jogo combina com certa perfeição as máximas narrativa e jogabilidade. Entretanto, em seus controles convencionais para o PC (utilizando o mouse) são percebidos alguns bugs como movimentação não muito coordenada e até problemas ao utilizar algumas habilidades dos personagens. Em um determinado ponto, me vi preso pois não conseguia usar da maneira correta a habilidade de andar sobre a água de um dos personagens. Tudo por conta de bugs de movimentação.

Ainda bem que esse problema é facilmente contornado, uma vez que os controles são totalmente customizáveis. Assim, quando organizei todos eles no teclado, sem usar o mouse para nada, o bug foi superado e a jogatina pôde continuar sem outros problemas. Porém, uma pessoa que não está acostumada a mexer nas configurações de jogo pode ter problemas com isso.


Um todo maior que a soma das partes

World to the West nos dá diversão e imersão em um mundo criativo e transformador, com mecânicas interessantes e jogabilidade fluida. Fazer com que se vivencie a história pela ótica de quatro personagens diferentes só deixa tudo ainda mais interessante. Arrisco dizer que, se o jogo não tivesse essa separação e mostrasse tudo que tem com um único personagem em tela, ele não seria tão interessante como é.

A Rain Games arriscou bastante fugindo completamente da fórmula de seu primeiro jogo, tanto no quesito história quanto na jogabilidade. Mas o risco foi presenteado com excelente qualidade e um tempo considerável de gameplay, com direito a replay. Com seus enigmas instintivos e história fácil de compreender, ele inclusive é recomendado para todas as idades, o que não prejudica outros fatores como nível de desafio e complexidade. Realmente uma aventura e tanto, que é mais do que simplesmente quatro aventuras conectadas.


Prós

  • Ótimas mecânicas para cada personagem;
  • Gráfico agradável e com belas cores;
  • Trilha sonora divertida;
  • Nível de desafio considerável;
  • Puzzles inteligentes e instintivos;
  • Controles customizáveis;
  • Exploração do mapa varia de personagem para personagem;
  • Narrativa bem construída que mescla quatro histórias diferentes.

Contras


  • Bugs de movimentação na versão de PC.


World to the West  — PC, PS4, XBO  — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Ana Krishna Peixoto
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, onde é Redator e Diretor. Começou sua vida gamer bem cedo no NES e hoje divide seu tempo entre games antigos e novos. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico. Geralmente é visto em alguma discussão no Facebook ou no Twitter.

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