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Análise: Human: Fall Flat (Multi), sonhando com puzzles e física

Viaje pelo mundo dos sonhos numa atmosfera realista.

Nós não ouvimos com muita frequência a expressão open-ended game, porém ela designa um tipo de jogo em que o jogador tem liberdade para escolher a forma para se chegar a um objetivo.


Diferente dos jogos de mundo aberto, em que as possibilidades dadas pela ambientação são quase infinitas, jogos open-ended seguem uma linearidade de história, mas oferecem a chance de alcançar o sucesso nas fases de diferentes maneiras. Esse é mote central de Human: Fall Flat (Multi), da No Brakes Games.


Liberdade com limites

Em Human: Fall Flat, você é o construtor Bob, um homem comum, sem superpoderes ou habilidades especiais, que vêm tendo sonhos estranhos. Por que a ênfase no herói ser uma pessoa comum? Porque a mecânica de física realista é o principal foco do jogo da No Brakes Games, e, portanto, o jogador deve estar no comando de alguém comum que precisa aprender a superar os obstáculos a partir de seus próprios limites.

Como todo ser humano, Bob não voa, não solta rajadas de fogo e não possui visão de raio-x. Em Human: Fall Flat, a jogabilidade te desafia a concluir missões se utilizando unicamente de raciocínio e muita criatividade. Os puzzles do jogo são bem colocados e oferecem inúmeras maneiras de serem resolvidos: você pode chegar a um lugar em um barco, escalando lugares ou saltando de equipamentos de construção. Vale tudo para chegar ao objetivo.


Contudo, não é porque existe essa gama de possibilidades de resolução para os puzzles que Human: Fall Flat facilita para o jogador. Ao contrário, pelo personagem ser construído com cerne na física, a mecânica é desafiante frente os obstáculos a serem transpassados. Bob não consegue alcançar lugares altos, precisa empilhar coisas para ativar algo ou coletar objetos específicos para quebrar vidro, por exemplo. A mecânica com base física, ao mesmo tempo que oferece liberdade, também acarreta limites, fazendo o jogador pensar bem antes de solucionar cada missão.

Minimalismo, tranquilidade e reflexão

A arte de Human: Fall Flat é minimalista, com cenários e personagens tridimensionais em um estilo de modelagem. Não há ênfase em detalhes de móveis, lugares e pessoas, e expressões faciais e outras características das animações tradicionais estão ausentes. Todavia, o jogo centra-se no minimalismo unido a cores e sombras, destacando a ideia de um sonho, algo irreal, mas ao mesmo tempo tão familiar ao ser humano.


Em conjunto a este mundo estranho e reconhecível, preciso destacar a belíssima trilha sonora. As músicas instrumentais são delicadas e emocionantes, criando um clima agradável de aventura e descoberta que convida o jogador a se sentir um verdadeiro explorador dos sonhos ao resolver os puzzles e os mistérios da mente de Bob.

A forma como os tutoriais são inseridos também é muito interessante e divertida. O jogo exibe um vídeo mostrando como efetuar determinadas ações, exemplificando com situações hilárias e comparações com a vida cotidiana. Em contrapartida, a narração possui um teor sério e reflexivo ao destacar as atitudes quase robóticas dos seres humanos frente os mesmos desafios. Sem dúvida, um dos pontos que mais me agradou na narrativa.


Cooperativo personalizado e falhas técnicas

Se você deseja compartilhar a experiência de Human: Fall Flat com a família e os amigos, o jogo tem suporte para o modo cooperativo, bem como oferece — tanto no modo single player como no cooperativo — a chance de personalizar seu Bob com cores, roupas e acessórios diferentes. As opções de personalização não são ilimitadas, mas oferecem um bom número de itens e cores para se divertir.

Apesar de tantas qualidades, Human: Fall Flat sofre com pequenos travamentos em alguns carregamentos de fases, em especial nas quedas no céu, transição para um novo cenário. Da mesma forma, algumas vezes o personagem morre e retorna para novas tentativas defeituoso, sem alguns membros do corpo, o que acarreta sérios problemas na hora de resolver os puzzles.


De todo modo, Human: Fall Flat é um puzzle de física para todas idades e ideal para jogar com companhia. O jogo é agradável, simples, bonito e instiga o espírito aventureiro dos jogadores através de um mundo centrado nos limites físicos dentro de um sonho, um lugar onde não deveria haver limites para a imaginação. Um paradoxo poético de Human: Fall Flat.

Prós

  • Arte simples, mas funcional;
  • História poética;
  • Mecânica de física inteligente;
  • Customização de personagem;
  • Puzzles desafiantes;
  • Trilha sonora agradável e apropriada;
  • Várias maneiras de concluir as missões.

Contras

  • Personagem retorna à vida defeituoso;
  • Travamentos no carregamento de fases.
Human: Fall Flat — PC/PS4/XBO — Nota: 9.0
Versão usada para análise: XBO

Revisão: Bruno Alves
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no DeviantArt, Wattpad ou Twitter ela aparece.

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