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Análise: Red Barton and the Sky Pirates (PC/Mobile) junta péssimos controles e desafio desbalanceado

O título independente da Schism deixa bastante a desejar com uma jogabilidade problemática e alguns outros deslizes.

Com o intuito de honrar o nome de Star Fox 64 (N64) e alguns outros games arcade ambientados com naves e aviões, Red Barton and the Sky Pirates tinha uma grande responsabilidade nas mãos. Entretanto, não basta a promessa ou citar o nome da franquia famosa, para ser comparável aos verdadeiros ases do gênero, é preciso diversos acertos. Acertos esses que, infelizmente, o título da Schism World Wide não teve. Mas tudo ao seu tempo.

História e problemas clássicos

O jogo apresenta um enredo simples, mas válido para a aventura. Ambientado em uma realidade paralela da Primeira Guerra Mundial com artifícios Steampunk, nós assumimos o controle de Red Barton, o protagonista encarregado de salvar a própria imagem e, também, sua amada das garras dos Piratas do Céu. Assim, somos guiados a passar por quatro grandes fases entre desertos, pântanos, selvas e cavernas pelo caminho.



Como todo bom arcade, o título não é focado em sua história, mas sim em sua jogabilidade. Entretanto, esta peca em vários momentos da jogatina. Logo no início, sentimos o problema dos controles: eles são em 2D em uma ambientação totalmente em 3D. Mesmo que a habituação aconteça depois de algum tempo de insistência, sua imprecisão chega a ser injusta com os jogadores iniciantes.

Além disso, o nível de dificuldade inicial, somado a quase completa falta de tutoriais ou mecânicas que ensinem o jogador a usar os comandos próprios do avião vermelho deixam tudo mais injusto ainda. Não digo de carregar o jogador pela mão, mas estabelecer uma curva de aprendizado digna que permita ao jogador ir pegando o jeito ao longo do tempo que explora suas primeiras mortes no game.


Nível de dificuldade oscilante

Depois de insistir bastante com as mortes e os controles imprecisos do jogo, o jogador consegue acumular algumas moedas de ouro e é levado ao hangar para melhorar os equipamentos do seu avião. Aqui, uma das críticas é a quase completa falta de animações do hangar, que possui opções estáticas e, novamente, a imprecisão do cursor é percebida.

Para além dos comandos básicos, a árvore de upgrades é totalmente desbalanceada com o nível de dificuldade das fases. Isso faz com que as melhorias do avião façam o nível de dificuldade e desafio das fases cair drasticamente. Além do fato, também, de que os bosses dos primeiros níveis apresentarem também essa discrepância, sendo muito mais fáceis de vencer do que o percurso inteiro até chegar neles.


Nem tudo é tão ruim

Mesmo com diversos problemas de controles e dificuldade, Red Barton acerta em alguns pontos. Um deles é o seu visual. Um estilo de animação cômico que lembra uma mistura traços de desenho, papel e massa de modelar agrada consideravelmente, que somado a sua paleta de cores bem viva deixa os cenários, mesmo que simples, bastante agradáveis ao olhar.

Fora isso, mesmo que o jogo tenha apenas quatro grandes fases jogáveis, elas são bem extensas e passíveis de muita curtição. Além disso, o fator replay é intensamente reforçado seja pelas melhorias em seu avião, seja pelo acúmulo de moedas. O multiplayer local também é interessante, mas necessita de um controle externo para o PC, uma vez que o jogo não computa uma quantidade muito extensa de botões sendo apertados ao mesmo tempo durante a jogatina.


Como não fazer um arcade

Infelizmente, Red Barton nd the Sky Pirates acumula mais deslizes do que acertos. Mas nem tudo é passível de arremesso de pedras aqui. A empresa pode muito bem reconsiderar esses elementos e trabalhar melhor em um futuro título para o que eles pretendem que seja uma franquia. Se a intenção foi homenagear Star Fox e semelhantes, faltou um planejamento melhor daquilo que é o foco desse gênero: a jogabilidade e controles afiados.

Porém, a ideia de usar a clássica figura do Barão Vermelho em um universo Steampunk é interessante e não deve ser jogada no lixo apenas por conta de uma tentativa frustrada. O jogo pode não ser o que pretendia, mas o tema está aí e pode ser bem aproveitado no futuro. Quem sabe em uma continuação ou nova franquia?


Prós

  • Visual agradável;
  • Fatore replay considerável;
  • Boa extensão das fases.

Contras

  • Controles imprecisos;
  • Curva de aprendizagem mal desenvolvida;
  • Animações rudimentares nos menus;
  • Jogabilidade muito dependente dos upgrades do avião;
  • Nível de desafio alterna muito entre bosses, fases e upgrades.
Red Barton and the Sky Pirates — PC, Android, iOS  — Nota: 4,0
Plataforma utilizada para análise: PC
Revisão: Ana Krishna Peixoto
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, mas começou sua vida gamer bem cedo, no NES. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico.

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