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Análise: Dreamfall Chapters (Multi), a mistura entre dois mundos.

Dreamfall Chapters é a continuação da franquia criada pela Red Thread Games.

Dreamfall Chapters (Multi) é uma aventura 3D, contendo 13 episódios, focada na interação com as pessoas e dando um peso às nossas decisões. O jogo é uma continuação direta para The Longest Journey (PC) e Dreamfall: The Longest Journey (PC), lançados respectivamente em 1999 e 2006, pelo estúdio norueguês Funcom. Como a Funcom começou a investir em jogos massivos online, eles deixaram o título nas mãos de uma nova empresa, comandada por Ragnar Tornquist.


Início do sonho

O jogo foi criado pela Red Thread Games, empresa pertencente a Ragnar Tornquist, o homem que criou a história dos dois jogos anteriores, mas que se separou da Funcom pelo foco dela ter mudado. Como dito acima, a Funcom começou a trabalhar com jogos massivos online, e Tornquist criou sua empresa com ex-funcionários da Funcom que trabalharam no título.

Para o desenvolvimento do jogo foi criado um fundo no Kickstarter com valor inicial de 850,000 dólares em fevereiro de 2013. Até outubro de 2014 a Red Thread Games continuou recolhendo dinheiro via Paypal. Para aumentar o reconhecimento do jogo a empresa usou como subtítulo The Longest Journey, já que esse nome foi usado nos títulos anteriores da franquia.

Dois mundos distintos

O jogo inicialmente possui dois personagens com mundos e histórias distintos e um terceiro personagem que aparece apenas no final da trama. A continuação segue diretamente a história da protagonista Zoe Castillo, que está em coma após impedir que a megacorporação Waticorp roubasse os sonhos das pessoas enquanto realizava lavagem cerebral nos habitantes do mundo tecnológico.

Zoe vive em mundo futurístico, com uma vasta gama de tecnologia. Ela busca criar um mundo melhor para seus habitantes, quase sempre estando presente em situações perigosas. Enquanto estava em coma, Zoe se vê num mundo os sonhos são criados e nesse lugar ela muda bastante, ganhando o objetivo de salvar as pessoas presas em pesadelos naquele lugar. Após acordar, ela começa a buscar um propósito em sua vida, ainda que tenha esquecido sobre os acontecimentos no mundo dos sonhos.

O outro mundo é mais rústico e mágico, possuindo uma grande variedade de raças, e é onde encontramos nosso segundo protagonista, Kian Alvane. Kian foi considerado um traidor pelo seu reino, extremamente militar, que caça e mata criaturas mágicas. O homem que foi salvo pelos rebeldes ganha um novo propósito de vida, lutar contra os líderes que controlam seu país para que assim ele posso salvar todos os reinos.

Esse estilo de jogo com dois ou três personagens distintos oferece visões diferentes, mas não uma jogabilidade diferente. Os dois personagens realizam as mesmas ações, seja juntando peças para os quebra-cabeças ou explorando os mapas. Inicialmente o jogo não parece se complementar, mas com o progresso dele vemos os mundos se interligarem com o terceiro personagem jogável.

Saga é introduzida apenas nos últimos capítulos e interliga a trama do jogo, sendo uma dos personagens mais importantes para o título. Porém, não irei entrar em detalhes sobre ela, já que isso conteria muitos spoilers sobre a história e poderia estragar a diversão para os futuros jogadores dessa bela história.

Poder da decisão

Em momentos durante o jogo somos surpreendidos com decisões a serem feitas, algumas contendo um relógio para que nossa decisão seja rápida e concreta. Essas decisões afetam a forma como o jogo progride, já que a morte de um personagem pode acarretar problemas para personagens que nem conhecemos ainda.

Não só as decisões, mas até mesmo analisar e perguntar aos NPC pode nos dar muitas dicas sobre a missão e sobre as melhores decisões a serem tomadas. Essas decisões ainda afetam o mapa com o passar do tempo, mesmo que de forma não tão significativa, refletindo desta forma os acontecimentos e dando uma maior imersão. Apesar disso as decisões não influenciam no final do jogo, apenas no decorrer dele, o que faz com que nossas decisões não sejam tão relevantes.

Outra mecânica do jogo que influencia no gameplay do mesmo são os puzzles. Sendo a maior parte do jogo dominada por esse elemento, os jogadores são desafiados de forma brilhante, e precisam interagir com elementos e conversar com os NPC para dessa forma a conseguir chegar numa resposta para prosseguir.

Os puzzles são muito criativos, porém, o jogo não mantém um diário de missões para o jogador acessar sempre que possua dúvidas, podendo ficar perdido e preso na missão. Para jogadores casuais talvez esse não seja uma boa pedida, pois é necessário ter foco e uma boa memória para não errar ou esquecer de uma dica importante.

Dreamfall Chapters não possui combate e nem stealth em seu gameplay. A maior parte dele é apenas resolver os puzzles e conversar com outros personagens. Outro problema encontrado é a jogabilidade um pouco pesada, os personagens são um pouco lentos e não conseguem saltar, o que pode causar um pouco de estranheza.

Durante as escolhas também temos a possibilidade de ver a decisão tomada por outros jogadores no decorrer da trama, principalmente de nosso amigos no Facebook. Esses dados ficam armazenados em um servidor global, são contabilizados e mostram a porcentagem de escolha das respostas para o jogador.

Dois pontos de vista

O jogo possui variações de tom em sua arte que consegue demonstrar bem as emoções. A escolha de cenários, tons e música mostram bem a situação do personagem e a forma que ele vê o lugar onde está. A cidade futurista é mais escura, mais fria, mas a casa de Zoe é apresentada na cor amarela sendo mais vibrante, e nos remetendo sentimentos de alegria.

A escolha de sons também se encaixa bem no cenário, músicas com tons mais pesados em momentos mais críticos e tons mais leves em momentos mais calmos. O som se mistura ao cenário causando uma boa harmonia que nos prende ainda mais durante o jogo e nos faz continuar buscando conhecer o cenário. Porém, algumas vezes podemos ser surpreendidos com paredes invisíveis, não atrapalhando a jogabilidade.

Capítulos da Vida

Tornquist define “Chapters” como sendo os capítulos da vida ou a vida em capítulos. Como dissemos antes, cada decisão muda algo no decorrer da vida de nossos personagens. Apesar do jogo não cobrir nem um ano da vida dos protagonistas, ele cobre os fatos do nascimento, passando pela vida e finalmente chegando à morte.

Dreamfall Chapters conta com uma filosofia predeterminada, onde as decisões influenciam a vida mas não o final da jornada, já que nosso destino está traçado e será o mesmo independente de nosso percurso. Outro tópico contido no jogo são as histórias e como elas se tornam realidade no decorrer da trama, sendo no mundo dos sonhos ou não.

O final da série

Dreamfall Chapters traz o final da bela franquia que foi criada inicialmente pela Funcom e agora está nas mãos da Red Thread Games. O jogo possui uma excelente história contada por seus distintos personagens, seus pontos de vista variados e desafios diários diferentes, contando com três personagens diferentes.

Seus belos efeitos sonoros e arte oferecem uma excelente imersão ao jogo e conseguem demonstrar bem as emoções durante as cenas. Em junção com a passagem de tempo e as escolhas que fazemos durante o jogo, o mesmo se torna ainda mais imersivo já que vemos que nossas ações possuem consequências.

Sendo em um mundo de fantasia, num mundo futurista ou qualquer outro, a história e interação de Dreamfall Chapters são excelentes elementos e criam uma grande imersão nesses incríveis mundos. Apesar deste ser o final da série, eu espero que a Red Thread Games nos surpreenda com novos jogos ainda melhores.


 Prós


  • Excelente arte e cores;
  • Ótima música;
  • Bela história;
  • Puzzles criativos;
  • As escolhas afetam o desenrolar do jogo;
  • Interação com NPC;
  • Personagens possuem pontos de vista diferentes.

 Contra


  • Não tem muitas “dicas” para o jogador;
  • Jogabilidade um pouco repetitiva e pesada;
  • O final do jogo não é influenciado pelas escolhas;
  • Não recomendado para jogadores casuais.


Dreamfall Chapter- PS4, XBO, PC - Nota 8
Plataforma usada para análise: PS4

Revisão: Pedro Vicente
Antonio Stark escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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