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Análise: 10 Second Ninja X (Multi), para um Ninja 10 segundos bastam

Depois de derrotar robôs nazistas, o Ninja Azul da Four Circle enfrenta um novo desafio: Piratas.



O sucesso e a consolidação de jogos como Super Meat Boy (Multi) e I Wanna Be The Guy (PC) abriu as portas para o gênero sidescroller no meio independente. Não só revelando uma demanda pelo gênero 2D como também pela dificuldade apresentada pelo ritmo alucinante desses jogos.

10 Seconds Ninja X é um sidescroller de ação e o segundo título do estúdio independente Four Circle Interactive, apresentado como um sucessor espiritual do primeiro, 10 Second Ninja (PC). A premissa é a mesma: o jogador controla um ninja que deve resolver as fases em pelo menos dez segundos, sendo premiado com uma pontuação de uma a três estrelas dependendo do desempenho.

As maiores diferenças entre ambos acontece na história. No jogo de 2014 os inimigos são robôs nazistas controlados pelo Robô Hitler. Já no sucessor, de 2016, não há um “mau” estabelecido, apenas um Capitão Pirata que decide sequestrar e prender o ninja no navio para provar que ele não é “tão rápido assim”.



A narrativa simples permite que os diálogos se concentrem no humor dos personagens, que têm um caráter lúdico e infantil. O maior embate entre vilão e protagonista se dá no momento em que o Capitão tenta ser razoável com o Ninja, buscando formas de fazê-lo falar, coisa que não acontece em momento algum, levando a acreditar que o refém é mudo. Os inimigos das fases não são mais os nazistas do primeiro jogo, e sim passarinhos transformados em robôs, que esteticamente remetem um pouco ao Robotnik, vilão do Sonic.

Certos tripulantes do navio liberam pequenos minigames, que em alguns casos premiam o Ninja com moedas de prata para comprar dicas para as fases, mas esse recurso é totalmente dispensável, já que em nenhum momento as fases atingem um grau de dificuldade que exija dicas.

O personagem mais marcante do jogo, além do Capitão, é Benji, um pequeno garoto que cuida da parte elétrica do navio e quer ser o melhor amigo do Ninja. A cada novo estágio do jogo Benji tenta acompanhar o amigo pelas fases, mas acaba facilmente morrendo em cada uma delas, apenas para renascer na sala da energia novamente, um pouco parecido com o Kenny do South Park.



Diferente de outros títulos do gênero, o jogo não possui uma área que deve ser percorrida o mais rápido possível para concluir a fase, e sim alguns dos passarinhos robóticos dispostos em pontos específicos do mapa que devem ser eliminados em até dez segundos. O Ninja conta com todo seu arsenal, que consiste em uma katana e três shurikens, durante todo o jogo, o que faz com que os desafios estejam na fase e não na mudança da mecânica do personagem.

As fases estão dispostas em seis pequenas televisões no deck principal do navio, e cada uma delas acrescenta um tipo de obstáculo diferente, entre paredes que shurikens não atravessam e terrenos cobertos por raios. O jogo aposta na repetição para melhorar o desempenho na fase — 0,1 segundo pode ser a diferença para alcançar a próxima estrela, e por mais que isso seja totalmente factível de alcançar, em alguns momentos parece impossível melhorar o tempo.

A cada 20 estrelas alcançadas a próxima televisão é liberada, o que faz com que o jogador não se aprofunde muito em uma determinada mecânica, já que rapidamente se alcançam as estrelas necessárias para prosseguir, mas permite que o jogo fique mais fluido, sem exigir três estrelas em fases difíceis.



Com o ritmo rápido e podendo reiniciar a fase ao apertar os gatilhos, ao errar é mais fácil começar de novo do que prosseguir com a fase, pois para alcançar o melhor tempo uma mudança milimétrica, como o ponto certo do segundo pulo ou onde arremessar a primeira shuriken, pode ser essencial. Mas a facilidade de recomeço pode resultar em um looping de falhas, já que na tentativa de manter o ritmo, o jogador não tem tempo de avaliar o que está fazendo errado.

O jogo apresenta certos elementos de puzzle, existem diversas formas de se passar por uma fase, mas uma delas sempre é a mais rápida. Dificilmente o jogador vai ser bem-sucedido apenas tentando passar direto, sem pensar no trajeto que deve fazer. Deve-se avaliar quais inimigos serão eliminados pela espada, em quais deve-se jogar as shurikens e por onde se alcança mais facilmente os inimigos.

O visual cartunesco combina com a proposta dos personagens mais infantis e ajuda a construir o humor característico do jogo, mas não apenas o humor tem a ganhar com o aspecto infantil, os efeitos sonoros se aproximam dos jogos da era 16-bits com uma trilha de fundo mais elaborada, tais efeitos ajudam na ambientação do jogo, reforçando o paralelo com as gerações mais antigas dos games. Graficamente não deixa a desejar, mas se assemelha aos jogos indie de quase uma década atrás - como Braid ou Spelunky.

Apesar de não ser ousado em nenhum momento, mantendo mecânicas simples e desafios previsíveis, o jogo se sustenta pelo ritmo e facilidade de progressão. É possível terminar em uma tarde sem precisar alcançar três estrelas nos mapas. Mas garante um desafio a mais para quem quiser liberar os extras e fases secretas.




Prós

  • Personagens carismáticos;
  • Ritmo agradável;
  • Fácil progressão. 

Contras

  • História irrelevante;
  • Pouco tempo de jogo. 
10 Seconds Ninja X — PS4/PS Vita/PC/XBO — Nota: 7.0
Plataforma utilizada para a análise: PS4

Revisão: Vitor Tibério
Thiago Henrique escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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