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Análise: Bulletstorm: Full Clip Edition (Multi), novo rosto e velha história

Bulletstorm: Full Clip Edition, lançado pela Gearbox Software, traz algumas mudanças para o jogo lançado pela Electronic Arts.

O título original, Bulletstorm, foi criado e desenvolvido pela empresa polonesa People Can Fly em parceria com a empresa americana Epic Games, e publicado pela Eletronic Arts em 2011, para Xbox, PS3 e PC. Recebeu muitas notas positivas, principalmente pela sua jogabilidade e seu humor. A versão para consoles funcionava da forma esperada, com um ou outro bug eventual, mas a versão para PC vinha com alguns problemas.

O jogo fazia parte do Games For Windows Live (GFWL), um sistema online de jogos para Windows, e necessitava de um editor próprio para realizar alterações no jogo, como mudanças na câmera e som. O Fato da Gearbox Softwares ter pego a licença do jogo foi excelente, pois com as novas mudanças poderá oferecer a diversão para os que não conseguiram ou não conheciam o jogo.

Dead Echo

O modo campanha conta a história de Grayson Hunt, líder de uma unidade Black Ops, chamada de Dead Echo, no século 26. Hunt descobre que seu esquadrão era usado pelo General Serrano para matar pessoas inocentes que se opunham ao governo. Então, o protagonista da história se rebela contra o general junto ao seu esquadrão, composto de mais três pessoas, jurando vingança contra o Serrano.


Durante um ataque contra a fortaleza do general, sua nave fica gravemente danificada e eles são obrigados a aterrissar num planeta próximo. Um dos companheiros de Hunt, Ishi Sato, fica gravemente ferido e precisa ter partes robóticas implantadas para que possa sobreviver. Durante o procedimento a nave é atacada por locais que matam dois de seus companheiros. Hunt e Ishi descobrem que o general ainda vive, e partem em uma missão para achá-lo.


Apesar da história ser simples, ela tem seu charme. Possui um humor mais seco e algumas piadas são bobas ou forçadas, mas acabam chamando a atenção e causando risos. O cenário possui elementos gore, em diversas cenas vemos corpos mutilados de muitas formas diferentes, poças de sangue são algo comum no jogo, mas nenhum deles vem do personagem ou dos inimigos.


Quatro vezes mais carnificina

A campanha toda se assemelha a um grande corredor, onde nossa única opção é ir em frente. A diferença é que em alguns pontos temos uma área um pouco maior para os combates, possuindo paredes e lugares para poder se proteger de tiros. Também possui muitas paredes invisíveis, não permitido ir a diversos lugares pela fase, elas não atrapalham a jogabilidade, já que o jogo é um grande corredor, porém, podem frustrar os jogadores que gostam de uma boa exploração.


A interação com o cenário é bem limitada também. Por exemplo, ao ter de pular sobre uma pilastra para poder prosseguir eu fui impedido, mas andando para o lado consegui achar uma zona na mesma pilastra para saltar, gerando esse erro de interação. Outra coisa que me chamou atenção foram pequenos bugs. Ao entrar embaixo do que parecia uma pilastra fiquei preso e precisei reiniciar o jogo. Apesar de possuir bugs e limitações é possível aproveitar o jogo, já que estes não atrapalham na jogabilidade.


O jogo traz também o modo Anarchy, que permite quatro jogadores lutarem contra hordas de inimigos que aparecem durante 20 ondas, tudo isso em um total de 12 mapas diferentes. Esse modo recompensa o jogador com pontos por trabalho em equipe e possui uma nova habilidade, a Blood Symphony, que consiste em matar todos os inimigos transformando-os em uma chuva de sangue, durante um curto período. O modo Anarchy permite que você troque pontos por novas skins de personagem e armas. Isso tudo enquanto você vai ganhando experiência e sobe de nível.


O jogo nos recompensa por mortes criativas, mas isso se torna cansativo. A pontuação por mortes não muda com tempo e ao longo do jogo repetimos várias vezes as formas de eliminar os inimigos. Umas lista nos é disponibilizada e lá fica a pontuação e uma descrição para nos auxiliar, porém, esta lista não sofre alterações com o tempo, o que pode causar a sensação de repetição na criatividade.

Arsenal destrutivo

Bulletstorm: Full Clip Edition (Multi) traz uma jogabilidade simples bem semelhante a outros jogos do gênero, com poucas mudanças. Uma delas é a adição do Leash, uma corrente de energia que pode puxar os inimigos, objetos explosivos, munição e o mais importante, usá-lo durante a história para poder prosseguir.


Bulletstorm é bem focado em combate, colocando o jogador quase sempre em embates contra grupos de inimigos que acontecem em cenários semelhantes a corredores, com algumas exceções. O jogo também recompensa o jogador com pontos, sempre que este mata um inimigo de forma inusitada, como um tiro nos “países baixos”.


Para auxiliar o jogador a realizar essas mortes inusitadas, o game conta com um câmera lenta sempre que um inimigo está no ar. Para isso ele nos permite chutar, dar um carrinho e usar a corrente de energia para jogá-los no ar. Alguns inimigos, porém, são mais ágeis ou mais pesados e precisam de táticas diferentes para serem derrotados, fazendo com que o jogador mude um pouco a estratégia e pense em formas de matar os inimigos.


Os pontos adquiridos com as Skillshots podem ser usados em objetos pelas fases, denominados de Dropkits. Esses pontos nos permitem comprar munição e aprimoramentos para as armas. O jogador pode carregar três armas com ele. Elas são bem criativas e cada uma possui dois modos de tiro, o modo esperado e o modo “carregado”, que varia de arma para arma. Por exemplo: o rifle de assalto atira balas rápidas, mas quando carregado pode dar um tiro potente de uma shotgun.


Remaster?

O jogo possui melhoras gráficas compatíveis atualizando seus respectivos consoles, e possuindo suporte para o PS4 Pro. Ele possui atualizações nos modelos de personagens e inimigos, lugares, animações, e um novo modo de renderização, que permite que ele rode sem problemas. Porém, muitas vezes parece apenas que a iluminação em determinados lugares foi aumentado, mas uma olhada mais de perto nos detalhes a distância mostram uma melhora, menor, mas presente.


Também conta com efeitos sonoros generosamente improvisados. Além disso, todo o conteúdo original do jogo e todos os adicionais lançados estão presentes nessa nova versão. O game possui outras novidades, entre elas, o novo modo campanha Overkill. Consiste em um Novo Game+, nos permitindo carregar todas as armas e já começar com a lista de pontuação, nos poupando de esperar horas de tutoriais e animações para começarmos a nos divertirmos.


Seis novos mapas Echo, onde o jogador deverá matar com habilidade ganhando pontos e então subindo pelo rank dos jogadores. Esse modo é limitado apenas pela criatividade do jogador. Com o total de 30 mapas diferentes para sua carnificina, esse modo permite que o jogador casual consiga se divertir bastante.

Participação Especial

O jogo ainda possui um novo conteúdo que permite trocar a skin de Grayson Hunt pela aparência de Duke Nukem, contendo um script mais pesado e com voz de seu dublador original Jon St John. Dessa forma, jogamos todos os modos do jogo na pele desse hilário personagem. Permitindo dessa forma uma repaginada nas piadas.


Porém, como dito antes, Duke é apenas uma skin e só seu script foi adaptado. Durante as animações e interações outros personagens se dirigem a Duke como Grayson, ou Hunt, ou a simplificação, Gray. O que demonstra que a na inserção dessa homenagem a Duke foi boa, mas feita de forma um pouco preguiçosa.

Full Clip Edition

Essa nova versão do jogo é bem vinda para jogadores que não tiveram a oportunidade de jogá-lo anteriormente, seja por não conhecê-lo ou por problemas na versão para PC. Porém, apesar das mudanças e acréscimos feitos pela Gearbox, o jogo ainda demonstra potencial para ter sido melhor explorado e atualizado.

Muitas vezes senti que estava jogando uma versão para PS3, já que a atualização dos gráficos foi bem pequena. O modo campanha possui poucas horas e seu modo multiplayer não pôde ser acessado. O que me chamou atenção foi a forma interessante de pontuar jogadores por serem criativos e os elementos da história, principalmente o humor.


Prós


  • Recompensa por mortes criativas;
  • Humor mais pesado pode agradar fãs do gênero;
  • Jogabilidade simples;
  • Permite jogar casualmente.


Contras


  • Repetitividade para a pontuação criativa;
  • Poucas melhorias visuais;
  • Falhas no script ao jogar com Duke Nukem;
  • Linearidade excessiva pode desmotivar;
  • Valor de mercado não condizente com conteúdo;
  • Bugs de interação com o mapa;
  • Modo campanha curto demais.


Bulletstorm: Full Clip Edition - PS4, XBO, PC - Nota 7.0
Plataforma usada para análise: PS4

Revisão: Pedro Vicente

Antonio Stark escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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