Blast Test

Streets of Rogue (PC) oferece liberdade, boa arte e um gorila gigante para quebrar tudo

Nova aposta de Matt Dabrowski cativa por sua divertida insanidade, enquanto dá ao jogador tudo o que precisa e não precisa para encarar desafios do seu jeito

Enquanto você está navegando na internet, se deparar com um jogo que auto se intitula como o único RPG rogue-lite action stealth shooter brawler co-op megame chama atenção. Parece ambicioso, não é mesmo? Talvez seja, mas isso não é nada ruim, pois Streets of Rogue (PC) consegue cumprir perfeitamente seu objetivo. É divertido, alucinante, difícil, livre e bem-humorado.

Impeachment legitimamente por revolução popular

A história de Streets of Rogue é somente um prólogo para uma zoeira sem limites. Um prefeito foi eleito sob promessas de abaixar impostos e liberar mais cerveja, porém, no dia da posse ele fez totalmente o inverso: aumentou os impostos e confiscou todas as bebidas alcoólicas com o pretexto de fazer “a mãe de todas as raves”. No grande dia, só havia um barril de cerveja e um pacote de batatinha frita. Na verdade, o prefeito usou os recursos que estava arrancando da população para montar uma organização terrorista e cumprir suas ordens calamitosas. O povo, lúcido sem as bebidas, decidiu se organizar em um grupo revolucionário de nome clichê: A Resistência; e ir às ruas combater o fascismo. Tudo isso é dito no tutorial, depois nada mais é citado.

As missões d’A Resistências incluem soltar prisioneiros, libertar escravos, “neutralizar” pessoas, recuperar itens ou destruí-los. Tudo isso acontece em cidades geradas aleatoriamente com diversas áreas, gerando bons locais de exploração. Dá para passar por um cemitério antes de entrar numa prisão e sentir o peso de uma falha lá dentro; entrar num bar e afogar as mágoas (cerveja dá HP) do prisioneiro que quase escapou, mas seu descuido deixou ele ser assassinado; invadir a residência de cidadãos à procura de comida assaltando geladeira querendo restaurar HP; pagar por drogas, armas, escravos e suborno! De prisão a laboratório científico de teste em gorilas, há muito para visitar em Streets of Rogue.

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É incrível como é fácil passar de 5 a 20 minutos passeando pelo cenário, explorando, porque o jogo te leva a isso, e não deixa que se torne cansativo, pois sempre há um objetivo por trás, seja concluir uma missão, desbloquear um personagem ou somente brincar. 

Então você, novo integrante d’A Resistência, o que tem para oferecer? Digo eu que você tem bastante coisa. Streets of Rogue entrega vários personagens para usar, diferentes entre si, com limitações, vantagens e habilidades únicas, como conseguir invadir eletrônicos, anestesiar pessoas, roubar, ficar invisível ou correr passando por cima de tudo até o fim do mapa. Tem de tudo e é possível tirar proveito de qualquer dessas habilidades do jeito que o jogador imaginar. O destaque fica para o transformo, ele pode possuir pessoas na rua e tomar conta de suas habilidades.

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Você pode ser uma médica, um lobisomem, uma hacker, um mendigo, uma traficante de drogas, um atleta, uma ninja, etc. Você pode escolher quem quer ser e aproveitar o que cada um tem de especial. O resultado é uma jogabilidade intensa e dinâmica. O game dá a chance do jogador criar suas empreitadas do jeito que bem quiser, com uma inteligência artificial bastante funcional (o que não impede de ser feita de trouxa) e desafios que necessitam de estratégia para serem cumpridos. As ricas possibilidades permitem que se conclua missões em passos leves sem que ninguém seja alertado, ou criar um pandemônio detonando todo o cenário e pessoas (claro). Que tal montar seu time de capangas e sair por aí completando as missões? Matar as pessoas colocando ácido no sistema de ar do ambiente? Usar seus escravos para lutar contra inimigos, e quando estiverem pertos de morrer, explodi-los? Por que não?

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Como rogue-lite, Streets of Rogue não é exatamente difícil, talvez possamos chamá-lo de “menos injusto”. No começo pode ser complicado passar de duas fases seguidas, mas depois elas já são superadas rapidamente, só necessitando de um pouco de destreza que é conseguida com o tempo de jogo. Porém, nada é tão belo. Morrer é imperdoável. O jogador volta ao início de tudo, tudo mesmo, da fase 1 do andar 1. Não é estressante, é divertido até. É como ter uma chance para fazer tudo diferente, porque de fato os desafios não serão os mesmos; um incentivo para usar outras táticas com outros personagens em uma nova cidade criada aleatoriamente. Não é tão fácil cansar, finalizar o jogo chega ser triste, porque você tomou um gosto masoquista de morrer. Para que não fique tão chateado, ainda estará disponível uma grande lista de modificadores, desde “modo sem fim” até um em que todos os cidadãos te odeiam. Dá até para misturar! Imagina jogar com todo mundo te odiando portando armas de fogo e desastres no ambiente (radiação nuclear a cada 15 segundos, um robô de lança-mísseis te perseguindo, chuva de mísseis ou motim). Realmente, não é tão fácil cansar.

Streets of Rogue oferece modo multiplayer online ou local de até 4 pessoas e talvez não seja tão divertido quanto parece. Jogar com qualquer pessoa online pode atrapalhar seus planos de exploração do cenário, por exemplo, caso queira desbloquear algum personagem, ou até missões propostas; assim, é muito comum que mais da metade das partidas estejam fechadas para convite, o que entristece um pouco. Nada que chamar seus vizinhos para jogar não resolva. Junte a galera, compartilhe os controles e note quantas gargalhadas, zueiras e momentos épicos vocês podem ter. Estar com amigos só melhora a experiência de Streets of Rogue em seu estado alucinante.

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O estilo 16 bits já se tornou predileto para massacres indies, é o que vem sendo provado desde Hotline Miami, referência do estilo quando se trata de violência. Os cenários são bem construídos, até mesmo o chão mostra preocupação dos desenvolvedores, não é um trabalho que fascina, mas que se encaixa perfeitamente na proposta do jogo, apesar de surgir umas misturas meio inesperadas de piso de concreto com paredes de madeira ou o contrário. Não vamos deixar um suposto espírito arquiteto de vidas passadas entrar aqui. Continuando, o som flui tão bem quanto o visual e sua presença é muito bem-vinda. A trilha sonora bem construída é embalante e coloca o jogador em sintonia com o cenário, servindo de incentivo para os momentos tensos de ação ou de plano de fundo para desbravar calmamente a cidade. A junção bem encaixada da proposta visual com a sonora deu em uma mistura bacana que pode ser apreciada graciosamente durante a jogatina.

Com tudo que eu falei, você, leitor, pode achar que o jogo é 10/10, já está indo atrás dele na página do Steam, vendo os requisitos mínimos e colocando no carrinho. Calma, não é bem assim. Streets of Rogue ainda está em fase de testes, como acesso antecipado, essa é uma análise prévia do que temos em mãos no momento. De fato, o jogo está evoluindo com várias atualizações por semana que os devs adicionam. Em 10 dias de lançamento já teve 5 atualizações. Apesar disso, ainda falta muito para ser concluído. Só tem dois “andares”: favela e indústria, cada um com 3 níveis. Muita coisa está sendo prometida, além de novas fases e personagens, também foi anunciada a futura possibilidade de criá-los.

Divertido, maluco, bonito, criativo e livre. Enquanto esperamos Streets of Rogue ser finalizado, a certeza é de que se esse bom trabalho for levado adiante, teremos a criação de um dos melhores rogue-lite do Steam, tendo grande chance de sucesso de downloads. Ainda melhor se a história passar a fazer realmente parte do jogo e não servir de prólogo esquecido ao longo da jogatina. Ops!

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Janderson Oliveira ainda não chegou ao patamar de universitário por estar no Ensino Médio, entrou no GameBlast com o intuito de unir o que aprendeu em sala com o que andou jogando enquanto deveria estudar para Química. Tem Facebook caso queiram catalogar a espécie.

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