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Análise: Warlock's Tower (Multi), fofura e infância no Game Boy

Puzzle com mecânica de jogos de tabuleiro emana a elegância dos games portáteis das décadas de 1980 e 1990.

Jogos de puzzles são sempre bem-vindos. São games que incentivam o raciocínio, a lógica e a estratégia dos jogadores. Se você não gosta de jogar xadrez (Magneto desaprova essa atitude), os puzzles são uma ótima maneira de treinar seu cérebro a trabalhar com enigmas. O que o jogo indie Warlock's Tower (Multi), da Midipixel, tem de diferente? Além de ser um puzzle com gráficos em 8 bits, o game funciona como um simulador do Game Boy, portátil da Nintendo lançado em 1989, trazendo uma experiência nostálgica regada a uma história fofa de um carteiro em uma missão heróica dentro de uma torre mágica repleta de armadilhas.

Caminhando por torres e masmorras

Em Warlock's Tower você é um carteiro, membro da Guilda Postal, encarregado de levar uma mensagem de paz ao Feiticeiro Perverso, o rei do mundo mágico. O feiticeiro pensa erroneamente que as pessoas não gostam dele e decide destruir o mundo, assim, o povo tem a ideia de escrever uma carta dizendo o quanto o admiram e gostam de seu reinado para reverter o engano. Então, o carteiro é escolhido para a missão de entregar a importante carta ao Feiticeiro Perverso, passando por uma torre amaldiçoada com monstros e armadilhas mortais.

Dentro da torre Warlock você se depara com diversos cômodos com puzzles, como masmorras, indústrias, armazéns, bibliotecas, entre outros. Cada lugar possui modos diferentes de se chegar a porta, seja por máquina de teletransporte, com a ajuda de um amigo ou esteiras. Além do desafio de chegar a porta, nem todas elas estão abertas, algumas necessitam de chave, o que torna o caminho ainda mais difícil.


A história é adorável e divertida, com um teor meigo e engraçado lhe capta a atenção nos primeiros minutos de jogo. O enredo nos recorda da infância, construindo castelos de livros ou caixas de papelão e correndo por toda a casa para enfrentar o rei maligno ou salvar a princesa. Uma experiência extremamente agradável.

Game Boy e jogos de tabuleiro

Além de uma história bonita e divertida, a arte de Warlock's Tower está sensacional. Ao buscar a semelhança com jogos do console portátil Game Boy, Warlock's Tower exibe a técnica artística do 8 bits, com gráficos no estilo pixel. A opção pela arte em pixel foi um grande acerto e passa a sensação de estarmos jogando um Game Boy no computador.

Cada fase possui cores homogêneas para cenário e personagens. Por exemplo, na indústria a colorização é azul, na biblioteca é vermelha e assim por diante. O jogo usa as cores primárias num tom mais ameno e opta por formar cenários e menus de cores monocromáticas. Característica do primeiro Game Boy, que possuía jogos em preto e branco.


O lado de jogo de tabuleiro de Warlock's Tower fica por conta de sua mecânica. No game, você possui um determinado número de vidas que diminuem conforme você avança pelos cenários com blocos de piso, deste modo, a única maneira de seguir adiante é calcular seus passos para recolher vidas pelo caminho e saber poupá-las com teletransporte nos momentos apropriados.

O carteiro não é o único que caminha pelos blocos de piso, mas há a necessidade do jogador ficar atento a seus inimigos. Zumbis, fantasmas e outros monstros possuem um número de casas para se moverem, cabendo ao gamer sincronizar o caminhar do protagonista com o dos monstros para evitar encontros indesejáveis pela torre.


Uma viagem para o final dos anos de 1980

A trilha sonora é composta por efeitos sonoros, não propriamente músicas, mas um som artificial característico do período dos primeiros jogos de consoles portáteis.

Warlock's Tower seria o jogo perfeito se não fosse um erro de optimização que o faz fechar sem aviso prévio. Isso causa transtornos para o jogador, que perde o avanço do nível em questão. O erro ocorre raras vezes, contudo, não deixa de ser um problema e deve ser resolvido.


Uma trilha de efeitos sonoros, arte gráfica bela e nostálgica, e o enredo cômico e fofo de Warlock's Tower, faz do jogo de puzzles um tesouro recém-chegado e que merece toda atenção dos gamers.

Prós

  • Arte 8 bits clássica;
  • Elevado nível de desafio;
  • História bonita e divertida;
  • Mecânica híbrida com jogo de tabuleiro funciona muito bem;
  • Recriação elegante de um jogo para Game Boy;
  • Respeito à história dos videogames;
  • Viagem para a infância dos anos de 1980 e 1990.

Contras

  • Erro que gera fechamento automático do jogo.

Warlock's Tower — PC/iOS/Android — Nota: 9.5
Versão usada para análise: PC

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no DeviantArt., MGC. ou Twitter. ela aparece.

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