Blast Test

Sundered (PC/PS4) é um metroidvania com inspirações lovecraftianas

O novo jogo da Thunder Lotus tem potencial para se destacar, mesmo em um mercado saturado de jogos do subgênero.


Enquanto a Konami parece ter abandonado tanto os jogos da série Castlevania como os metroidvanias como um todo, os indies abraçam o subgênero cada dia mais. Só a plataforma Steam conta atualmente com mais de 120 títulos que seguem esse estilo e muitos outros títulos ainda estão por vir, dentre estes se destaca Sundered (PC/PS4).


Desenvolvido pela Thunder Lotus, a mesma criadora do acalmado Jotun (PC), o jogo é uma mistura de metroidvania e roguelike, com uma ambientação inspirada nas obras de um dos maiores escritores de terror que já existiu, Lovecraft.
H.P Lovecraft

Apesar de toda empolgação que a combinação desses elementos possa gerar, é interessante ressaltar que o jogo está em pré-alpha, em outras palavras, ele ainda está no início de seu desenvolvimento e seu lançamento está previsto apenas para algum momento de julho de 2017.

Consequentemente, muitos elementos de Sundered sequer foram implementados, como é o caso de sua trama. As mecânicas e a estética, no entanto, parecem estar próximas de sua conclusão, mas, é claro, tudo pode mudar radicalmente até julho.

A arte lovecraftiana

Sundered possui uma belíssima arte ao estilo cartunesco, toda feita à mão e colorida digitalmente.  O jogo é ambientado em uma espécie de dimensão infernal, repleta de criaturas bizarras e cachoeiras de sangue. Infelizmente, o tamanho da protagonista é ínfimo comparado ao cenário, logo é difícil distinguir exatamente quem é ou como se veste, mas parece se tratar de uma bela jovem trajando um capuz com manto branco. Seja como for, só saberemos mais sobre ela quando o enredo for efetivamente adicionado ao jogo.

Sobrevivendo ao caos

Em Sundered, há três marcadores básicos, que podem definir sua sobrevivência durante suas partidas. Uma barra de vida, uma barra de escudo e o número de tiros de seu canhão.

Quando você é atacado, primeiramente, você sofre perdas em sua barra de escudo, depois em sua vida e, finalmente, quando esse é consumido, você morre. Diferente da vida, no entanto, o escudo se regenera automaticamente após alguns segundos.

O Canhão, por sua vez, serve para causar uma grande quantidade de dano e atingir vários inimigos de uma só vez. No entanto, você deve usá-lo com sabedoria, pois são possíveis apenas cinco disparos por partida e não há nada no jogo que os recarregue.

Horda Infernal

De tempos em tempos, você será atacado por uma onda de monstros, o que no começo é um pouco intimidador. Mas, por mais que seja complicado lidar com vários deles de uma vez, vale a pena arriscar, pois ao matá-los você frequentemente é recompensado com cristais.

A morte, por outro lado, é desanimadora, como é natural em roguelikes, pois lhe obriga a recomeçar o jogo desde o início em uma fase totalmente nova, gerada proceduralmente. As únicas coisas que permanecem inalteradas são o tamanho do mapa, a localização dos atalhos, perks e chefes, porém você terá de percorrer um trajeto inédito para alcançar cada um deles. Nessas horas, seu único consolo é a possibilidade de investir os cristais adquiridos em melhorias que fortalecerão seu personagem. Esses aprimoramentos podem variar desde o aumento de atributos a novas habilidades.

Lembrando que, como é característico de metroidvanias, alguns perks são essenciais para ultrapassar alguns obstáculos e alcançar o final do jogo, como paredes de cristal e cachoeiras de sangue. Essas melhorias, geralmente, são adquiridas após derrotar chefes ou em alguns locais isolados.

A essa altura, já deve ter ficado claro que não há qualquer espécie de sistema de salvamento ou checkpoints no jogo, porém existem enormes portões de pedra que podem ser usados como atalhos. O problema destes é que só poderem ser abertos pelo lado de dentro, gerando certa dificuldade. De qualquer maneira, isso quer dizer que, mesmo com geração procedural de fases, esse trâmite pode encurtar o seu trajeto, diminuindo severamente o tempo gasto para se locomover de um ponto para o outro do mapa.

A insanidade é o menor dos problemas

Como vocês já devem ter notado, mesmo nesse momento do desenvolvimento, as mecânicas do jogo já estão muito bem estruturadas. Todavia, há ainda alguns problemas que dificultam a movimentação e, consequentemente, atrapalham nos combates.

Primeiramente, os saltos e golpes aéreos não estão tão fluidos quanto os demais movimentos, dificultando certas ações do personagem, principalmente na hora de alcançar os lugares mais altos e de combater demônios alados.

Aliado a isso, mesmo após a recente atualização da Steam, que permite a compatibilidade de todos os jogos da plataforma com a maior parte dos controles do mercado, Sundered só funciona atualmente com a utilização de teclado e joystick do Xbox 360. Isso pode ser um entrave para alguns jogadores, pois trata-se de um acessório pertencente a um console da geração passada, e muitos já migraram para a geração atual. Além disso, o aparelho possui um dos valores mais caros do mercado.

Uma combinação inusitada

A combinação dos dois subgêneros (metroidvania e roguelike), e sua inspiração nas obras Lovecraft é exatamente o que distingue Sundered dos demais jogos do subgênero. O mapa, que detalha as principais localizações das coisas do jogo, faz com que você possa estabelecer por si próprio seus objetivos, enquanto a geração procedural das fases e a inexistência de checkpoints tornam as partidas mais desafiadoras.

Em suma, mesmo sendo lançado em uma época na qual o mercado está saturado de jogos do estilo roguelike, Sundered tem potencial para se destacar, principalmente se seu enredo for tão bom quanto suas mecânicas e visual.

Revisão Arthur Maia
Manoel Siqueira Silva é formado em Análise de Sistema e Filosofia pela UFSCar. Aprecia games de todos os gêneros, mas confessa ter uma queda por RPG e jogos de mundo aberto. Está sempre em busca de games de qualidade que foram subestimados ou são desconhecidos. Este ser pode ser encontrado no Twitter e no Facebook.

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