Blast from the Trash

Os piores jogos de 2016

Nem só de lançamentos incríveis vive a indústria dos videogames.



É simplesmente horrível quando passamos meses ansiosos pelo lançamento de determinado jogo e quando, finalmente, colocamos as mãos no game, ele se mostra uma verdadeira tragédia. Campanhas de marketing exageradas, promessas descumpridas pelos desenvolvedores ou títulos que não entregam a experiência esperada são alguns dos motivos que resultam em projetos fadados ao fracasso. Em 2016, tivemos vários jogos que se encaixam nesse perfil, e chegou o doloroso momento de relembrarmos quem se destacou negativamente no ano que está terminando.

10 – Alekhine's Gun (Multi)

Produzido pelo estúdio Maximum Games e lançado para PS4, XBO e PC, o título prometia colocar o jogador em meio a uma empolgante trama que se desenrola durante a Guerra Fria. Assumindo o papel do russo Alekhine, o objetivo é auxiliar agentes da CIA em uma operação secreta envolvendo o assassinato do presidente norte-americano John F. Kennedy. Entretanto, a enorme quantidade de problemas acaba reduzindo o enredo a pó, e a história é a última coisa em que prestamos atenção. Logo de cara, é possível perceber que a direção artística deixa muito a desejar, com jogos de luz e sombras que fazem doer os olhos e gráficos que mais parecem da geração passada.

A jogabilidade é totalmente travada, com controles pouco responsivos e constantes quedas de frame rates que atrapalham qualquer movimento, ainda mais levando em consideração que a missão tem muitos elementos de stealth. Como se já não fossem pontos negativos suficientes, a câmera acaba sendo outro inimigo a ser derrotado. No final, Alekhine's Gun acabou sendo considerada uma cópia de Hitman mal-executada e finalizada. Os fãs do assassino 47 devem ficar bem longe de Alekhine para não passarem raiva.

09  – Ghostbusters (Multi)

O ano de 2016 marcou o retorno do clássico ‘Os Caça-fantasmas’ para as salas de cinema. Se a nova versão do longa-metragem dividiu opiniões, o game lançado para acompanhar o hype pelo filme é uma unanimidade negativa. Desenvolvido pela Activision, Ghostbusters chegou para PS4, XBO e PC trazendo uma nova equipe de combatentes de fenômenos paranormais. Entretanto, os gráficos cartoonizados deixaram tudo bastante estranho e fica difícil identificar se os personagens jogáveis realmente são seres humanos ou criaturas com movimentos tão deformados que parecem ter vindo diretamente do além.

Com multiplayer para até quatro pessoas, a aventura acontece em cenários constantemente escuros e pouco atrativos. O objetivo é vasculhar cada fase e acabar com os inimigos fantasmagóricos. Porém, os estágios são totalmente repetitivos e enjoativos. Após terminar o segundo, dificilmente estamos motivados ou animados para continuar com a jornada. Bastam alguns poucos minutos com esse título para ter a certeza que se trata somente de um caça-níquel que pretendia fazer algum lucro às custas do filme.


08  – Street Fighter V (PS4/PC)

Enquanto elaborava essa lista, realmente fiquei em dúvidas sobre colocar ou não Street Fighter V. Após o período conturbado de lançamento, aos poucos, o jogo foi tomando forma através das atualizações e, hoje, até apresenta conteúdo interessante. Acabei optando por incluir o mais recente capítulo da consagrada franquia de luta devido à decepção daqueles que adquiriram o game logo na primeira semana em que chegou às prateleiras. A explicação da Capcom para ter disponibilizado o game tão cru foi atender ao pedido dos jogadores profissionais que queiram tempo para treinar antes das competições oficiais, como a EVO.

Porém, a falta de personagens, modos de jogo limitados e problemas com os servidores causaram um tremendo mal-estar na comunidade que estava ansiosa para disparar alguns Hadoukens na nova geração. O cenário foi se ajustando aos poucos, com conteúdo novo sendo liberado frequentemente e a promessa do estúdio de que o game receberá suporte total até 2020. Nesse caso, faltou uma comunicação mais clara da Capcom com seus consumidores. Se todas as informações sobre o título tivessem sido divulgadas ao público de maneira clara, a primeira impressão negativa teria sido facilmente evitada.


07  – Weeping Doll (PS4)

A realidade virtual é uma novidade na geração atual de consoles e alguns desenvolvedores ainda procuram a melhor maneira de aproveitar a tecnologia. Seja qual for o melhor caminho a se seguir, certamente, não é aquele escolhido pelo estúdio Oasis Games Limited e seu projeto Weeping Doll, lançado para PlayStation VR. O jogo deveria funcionar como uma experiência de terror interativa; no entanto, logo no início, o narrador já revela tantos detalhes sobre a trama que o clima de mistério é totalmente destroçado. O título conta a história de uma empregada que acabou de ser contratada para trabalhar em uma enorme mansão, porém coisas estranhas acontecem na casa.

Em vez de dar liberdade ao jogador para explorar os ambientes em busca de respostas, o game te coloca automaticamente nos cômodos que precisam ser analisados. A resolução dos quebra-cabeças passa pela interação com objetos espalhados pelos cenários, porém, esses itens sempre apresentam uma resolução baixíssima em relação aos demais elementos presentes na tela. Com isso, o nível de desafio é quase inexistente, já que o próprio game joga na sua cara o que deve ser feito na sequência. Com cerca de uma hora de duração, o final é tão mal trabalhado que só percebemos que realmente o fim chegou quando começam a subir os créditos.


06  – Umbrella Corps (PS4/PC)

Que Resident Evil saiu dos trilhos há algum tempo, não é nenhuma novidade. Porém, entre os mais recentes capítulos da franquia, nenhum é tão bizarro quanto o spin-off Umbrella Corps. Em um mundo infestado de zumbis, fica difícil de acreditar que o trabalho de um soldado seria tão entediante quanto aquilo que foi mostrado no jogo. O único ponto positivo do título é seu fator nostalgia, já que muitos dos cenários visitados remetem a ambientes conhecidos pelos fãs da série. Mas todo o encanto logo desaparece após sermos obrigados a percorrer o mesmo local diversas vezes para concluir as missões.

Já o modo multiplayer funciona como uma cópia barata de Counter-Strike. Outro problema constante de Umbrella Corps é a enorme quantidade de bugs. Com poucas armas e personagens extremamente genéricos, esse é um claro exemplo de game que os fãs da franquia vão querer esquecer o mais rápido possível.


05  – Slain! (Multi)

Quando Slain! estava sendo desenvolvido, muito se falava que o título seria um sucessor espiritual de Castlevania. Porém, após diversos adiamentos anunciados pelo estúdio Wolf Brew Games, o jogo acabou frustrando muitos daqueles que acompanharam todo o processo de produção. A pressa em entregar o projeto acabou se revelando um inimigo cruel e fez com que o game fosse disponibilizado com aspecto de inacabado. A experiência tem péssima mecânica de combate, inimigos desinteressantes e movimentação truncada. Tudo isso fez com que todo o potencial fosse jogado no lixo.

O único ponto positivo de Slain! é sua trilha sonora toda trabalhada em heavy metal. Como um título que se propunha a ser um ótimo hack ’n’ slash para PS4, XBO e PC, acaba funcionando somente como um CD de rock para se ouvir algumas poucas vezes e depois deixá-lo pegando pó no fundo mais escuro da estante.


04  – Homefront: The Revolution (Multi)

Desenvolvido pela Crytek e Dambuster Studios, Homefront: The Revolution tropeça nos vícios do gênero FPS. Disponível em versões para PS4, Xbox One e PC, o jogo é apenas mais do mesmo e que não traz nenhuma novidade que o faça ser relevante ou interessante. A falta de ousadia em inovar acaba estragando até o enredo, que demonstrava certo potencial. A trama se desenvolve em uma realidade alternativa em que a Coreia do Norte é o país mais poderoso do mundo e está sitiando os Estados Unidos, por sua vez afundado em uma crise econômica causada pelo péssimo governo de George W. Bush.

Basta alguns poucos minutos de jogatina para que surja a dúvida de como os asiáticos conseguiram tamanho domínio; afinal, a inteligência artificial é fraquíssima e qualquer inimigo se transforma em alvo fácil de ser abatido. Pelo menos, esse quesito acaba se balanceando com a jogabilidade medonha. Em um ano que recebemos ótimos títulos do gênero FPS, Homefront: The Revolution se mostra um game totalmente dispensável e irrelevante.


03  – Bombshell (Multi)

Responsável pelos ports dos primeiros Duke Nukem, o estúdio Interceptor Entertainment resolveu se aventurar por conta própria e apostar em um projeto totalmente autoral. Assim nasceu Bombshell, porém teria sido melhor se os desenvolvedores continuassem focados nos títulos do loiro mulherengo. O game acaba carregando mais de Duke Nukem do que deveria, trazendo uma protagonista durona, alienígenas malvados, tiroteios, explosões e frases de efeito. Os problemas começam com a visão isométrica, semelhante com a que temos em Diablo. Esse posicionamento da câmera é péssimo devido aos cenários mal acabados, que deixam tudo muito confuso. O excesso de luzes ou cores que se misturam com a dos inimigos fazem com que seja praticamente impossível entender o que está acontecendo na tela.

O nível de desafio praticamente não existe, sendo que a jogatina se resume a simplesmente sair atirando nos extraterrestres. Bastante repetitivo e maçante, Bombshell ainda sofre com a enorme quantidade de bugs, que de tão graves podem, inclusive, travar o game, forçando o jogador a ter a dura e tediosa missão que repetir todos os passos que acabou de executar.


02  – Mighty No. 9 (Multi)

Mighty No. 9 é um exemplo clássico de que game fadado ao fracasso graças às promessas não cumpridas dos desenvolvedores. Anunciado em 2013, o jogo iniciou uma campanha de financiamento coletivo naquele mesmo ano, com o objetivo de arrecadar US$ 900 mil. Não demorou muito para que a meta fosse alcançada e, no final, o total angariado ultrapassou os US$ 3,8 milhões. Mesmo com todo esse dinheiro, a produção do jogo ficou marcada pelos atrasos. Previsto inicialmente para abril de 2015, o lançamento só aconteceu em junho de 2016, depois de quatro adiamentos.

Quando finalmente chegou ao mercado, todos esperavam um novo Mega Man, afinal, o marketing indicava para essa direção, além do envolvimento de Keiji Inafune no projeto. Porém, o resultado ficou muito aquém das aventuras do robozinho. O grande problema foi que quem participou da campanha de financiamento gostaria de ter recebido uma nova aventura do bombardeiro azul e acabou ganhando um título genérico, mal acabado e somente com poucos elementos dos clássicos estrelados por Mega Man. Colaborou para deixar a situação ainda pior a afirmação de Inafune, após as primeiras criticas negativas. O produtor disse que o game era “melhor do que nada”, porém, para muitos, seria melhor continuar com nada e também com o dinheiro dentro da carteira.


01  – No Man's Sky (PS4/PC)

O troféu de decepção do ano vai para a Hello Games e seu projeto No Man's Sky. Ocupando um lugar entre os mais aguardados de 2016, o hype para aventura espacial era enorme. O jogo era tão importante que ocupou bons minutos durante a apresentação da Sony na E3 de 2015. A promessa era de uma jornada infinita, com uma quantidade incontável de planetas a serem explorados. Mas, o título ficou somente nisso... Mundos e mais mundos para visitarmos, porém sem nenhum grande objetivo a ser cumprido.

O game era ambicioso demais e derrapou nas promessas vazias. Os jogadores esperavam ter recebido algo bem diferente daquilo que realmente foi lançado. A raiva foi tamanha que não demorou muito para que alguns fãs processassem o estúdio por propaganda enganosa; a justiça, no entanto, considerou a denúncia improcedente. No final, No Man's Sky se revelou tão vazio quanto a infinidade do escuro universo.



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E você, caro leitor, concorda com a lista? Teria adicionado ou retirado algum jogo? Não deixe de expressar suas opiniões nos comentários.
Revisão: Bruno Alves
Vinicius Veloso é jornalista e obcecado por games (não necessariamente nessa ordem). Seu vício começou com uma primeira dose de Super Mario World e, desde então, não consegue mais ficar muito tempo sem se aventurar em um bom jogo. Está no Facebook ou Twitter.

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