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Análise: Super Dungeon Tactics (PC) é uma boa aventura estratégica casual

A Underbite Games trouxe uma ótima experiência casual com boas doses de Boardgame e estratégia, mas ainda faltou algo.

Anteriormente testado aqui no GameBlast, o mais novo jogo da Underbite Games finalmente foi lançado! Super Dungeon Tactics (PC) é uma mistura de gêneros bem agradável, mesclando conceitos de RPG com a boa e velha estratégia baseada em turnos. Mas além disso, como o título originalmente era um Boardgame, sua versão virtual também carrega algumas boas mecânicas que lembram os jogos de tabuleiro tradicionais. Com uma boa diversão casual, modo história divertido e as já citadas mecânicas que pegou dos gêneros do qual faz parte, o título é uma boa pedida para se divertir, mas deixa um gostinho de que “faltou alguma coisa” no final das contas.

Carisma no visual, nem tanto nas músicas

Uma das coisas que mais chama atenção em Super Dungeon Tactics é o visual dos seus personagens. O traço no estilo Chibi, caracterizado por apresentar personagens mais baixinhos e com a cabeça do mesmo tamanho do corpo, continua funcionando bem no jogo. As cores vivas tanto dos personagens como dos ambientes também agrada muito. Isso faz com que a estética do jogo se torne muito mais convidativa, lembrando o estilo de jogos como Clash of Clans (Android/iOS), por exemplo.


A história da campanha, mesmo que um pouco rasa, agrada. Ao longo da jogatina vamos conhecendo os personagens e dando nomes a todas as classes de heróis. No bom estilo das fantasias medievais clássicas, dois personagens (Dwarf e Mage) acabam encontrando uma cidade que sofria grandes ataques de Kobolds e, após salvá-los do terror, emendam uma missão atrás de outra, lembrando as aventuras vividas por diversas pessoas em mesas de RPG ao estilo Dungeon & Dragons.

Essa sequência de aventuras despretensiosas tornam o título um agradável e leve game casual, mesmo sendo de um gênero repleto de jogos mais voltados para o público especializado. O que deixa a desejar, entretanto, é a trilha sonora. Bastante repetitiva e sem muitos efeitos sonoros como em menus ou em batalhas, o que parece é que os esses efeitos foram um pouco deixados de lado na produção do jogo.


Combates estratégicos e desafiantes

Os combates melhoraram se comparados com a versão demonstrativa do jogo. Agora as rolagens de dados só são realizadas enquanto existem potenciais combates a serem feitos e não mais a todo turno independente de se ter inimigos na tela ou não. Sobre essas rolagens, a cada rodada de combate um dado é arremessado para cada personagem em campo, possibilitando que diferentes tipos de bônus e habilidades fiquem disponíveis durante aquele turno. Cabe ao jogador distribuir de forma estratégica os bônus entre os seus personagens, tornando os combates bem mais inteligentes e menos mecânicos.

Fora isso, os ambientes possuem uma importância interessante durante as partidas. Dependendo de onde se está (em masmorras, cavernas ou cidades abertas, por exemplo), mesmo que se tenha os mesmos personagens disponíveis, sua forma de jogar pode variar pois as frentes de batalha mudam, assim como o formato e alcance do mapa, a quantidade de inimigos, entre tantas outras variáveis. Assim, mesmo sendo casual, Super Dungeon Tactics consegue fazer o jogador parar e pensar por um tempo sobre o que deve fazer em seguida.


A importância das classes

Ainda temos outra variação interessante que acrescenta bastante dinâmica às estratégias durante as partidas do jogo: as variações de classe. Com mais de dez classes diferentes desbloqueáveis ao longo da história, cada uma possui peculiaridades, funções e mecânicas de combate diferentes que são ótimas aquisições para uma determinada situação, mas podem acabar sendo problemáticas em outras. 

Em cada missão, seja ela secundária ou da história principal, o jogador volta para a sua guilda e escolhe quais personagens irá utilizar. Nessa mecânica da guilda ainda temos a escolha de quais itens de suporte levar para a missão, assim como também o acesso ao inventário de cada personagem, equipando-os com itens e bônus coletados durante as missões. Ainda temos os níveis de cada personagem individualmente, encorajando os jogadores a utilizarem todos eles em algum momento para que nenhum fique fraco demais em relação aos outros, o que pode ser prejudicial em algum momento da campanha.



Como se isso tudo não bastasse, o nível de desafio proporcionado pela AI do jogo é bem agradável. No nível médio já é possível ter alguns desafios pela frente e, inclusive, perder a partida caso o jogador marque alguma bobeira ou subestime os inimigos. Em um título onde a estratégia é uma das bases, ter inteligência artificial com nível de dificuldade adequada é muito gratificante para a experiência.

Mas é só isso?

Mesmo com tudo isso, ainda falta alguma coisa na experiência de Super Dungeon Tactics que não faz dele um jogo perfeito ou excelente. Ora, para um antigo boardgame com diversos personagens, evolução individual e exploração de masmorras ao estilo D&D, a falta de multiplayer e de partidas isoladas é sentida por alguns. 



Isso acaba por diminuir a vida útil do jogo, pois depois que você completar o modo história lá pelas suas 10 a 15 horas de jogo, não existirá muita variedade do que fazer, a não ser repetir tudo em um nível mais difícil, caso não tenha tentado. Isso é um pouco frustrante pois o jogo é realmente bom e diverte de forma casual e despretensiosa. Talvez um dia atualizem com essas mecânicas, as quais ainda não estão disponíveis. 

Mas se você não se importa em explorar as masmorras com uma dezena de personagens todos controlados apenas por você, esse jogo pode ser uma boa pedida. Mesmo com alguns tropeços e esse ar de “faltou alguma coisa aqui”, Super Dungeon Tactics ainda faz o que é essencial para qualquer jogo: divertir. E fora isso, sendo ele um RPG de estratégia, ele também bebe na medida certa desses dois jogos, deixando apenas a desejar o fator multiplayer do seu terceiro gênero, o Boardgame


Prós:

  • Visual Chibi e cores vivas agradam;
  • Nível de desafio adequado;
  • Boa quantidade de personagens diferentes para jogar;
  • Cria situações adequadas para ótimas estratégias;
  • Dados dão mais dinâmica às partidas;
  • Boa ambientação em fantasias medievais.

Contras:

  • História rasa pode desagradar alguns;
  • Efeitos sonoros básicos e trilha sonora repetitiva;
  • Falta de modos alternativos de jogo prejudicam a longevidade do título.

Super Dungeon Tactics - PC - Nota: 7.0

Revisão: Pedro Vicente
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, mas começou sua vida gamer bem cedo, no NES. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico.

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