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Análise: Darksiders: Warmastered Edition (Multi) — um outro modo de ver o apocalipse

Uma belíssima remasterização que mostra todo o poder da nova geração.


Nos últimos anos, a nova geração de consoles está recebendo uma grande quantidade de remasterizações, dentre elas, a franquia Darksiders. A desenvolvedora original da franquia, THQ, teve diversos problemas financeiros e acabou sendo adquirida pela Nordic, que, por causa disso, recentemente mudou seu nome para THQ Nordic. O primeiro jogo da franquia, em sua mais recente publicação, recebeu a alcunha de Warmastered Edition (Multi).

O confronto entre o céu e o inferno

No jogo nós controlamos Guerra, um dos quatro cavaleiros do apocalipse, que chega na Terra quando a batalha final entre os exércitos dos anjos e do inferno está acontecendo. Quando Guerra confronta Abaddon, o general dos céus, ele descobre que os outros cavaleiros não chegaram e que o sétimo selo não havia sido quebrado. O anjo surpreendido logo é abatido pelo demônio Straga.

O cavaleiro e o demônio então começam uma batalha, na qual Guerra é derrotado. Pouco antes de morrer, ele é salvo pelo Conselheiro, que o acusa de destruir o equilíbrio e de trazer o Apocalipse de forma prematura, auxiliando na destruição da humanidade. Nosso herói se diz inocente e roga por uma chance de achar o verdadeiro culpado. O Conselheiro aceita sua proposta, mas com duas condições: perder todo o seu poder anterior e estar conectado a um dos seus servos, o Observador, que tem o poder de matá-lo caso ele se desvie de sua missão.

A história do jogo é extremamente genérica e basicamente está lá para criar uma motivação para o jogador, mas estranha-se a ideia de que um dos quatro cavaleiros do apocalipse fosse ser subjugado tão facilmente.

O Senhor da Guerra

Os controles funcionam bem e respondem rapidamente. Logo no primeiro momento eu me senti jogando God of War, mas ao invés de habilitar uma maior gama de golpes como no jogo da Sony, isso não acontece em Darksiders. Mesmo aprendendo novos, eles são tão similares e alguns tão pouco úteis que nem valem a pena utilizá-los.

Mas o que mais me incomodou foram as mecânicas repetitivas. O jogo, após um tempo, resume-se a apenas resolver puzzles, matar um chefe, levar o item recebido para um demônio e fazer tudo novamente. Depois de algumas horas de jogo tudo o que eu queria era seguir em frente e finalizá-lo.

Um ponto que eu considero positivo é sua arte, que é muito bonita e chama muita atenção. A preocupação do estúdio com os pequenos detalhes, como respingos de fogo ou gotas de água, foi muito grande. Os anjos e monstros que aparecem estão muito bonitos e dão uma sensação de imersão muito bacana.

E se compararmos o remaster com o jogo antigo, é nítida sua melhora. A vegetação está mais realista e a destruição de prédios parece que foi feita nos estúdios de Hollywood. O estúdio elevou o gráfico a rodar a 1080p e 60 quadros no Xbox One, PlayStation 4 e no PC. Já no Wii U, a produtora prometeu que o jogo rodará a 30 quadros por segundo.

Uma coisa extremamente divertida é usar a transformação de Guerra em que se torna um enorme monstro. Essa forma também aumenta bastante o dano, mas infelizmente é temporária, e quando mal estamos começando a nos divertir, simplesmente acaba. Para restaurá-la precisamos derrotar muitos monstros e encher uma barra chamada de “Caos”.

O lado ruim da escuridão

O jogo possui situações extremamente irritantes, como o fato de não podermos pular certas cutscenes. Como por exemplo, durante o confronto com o Tiamat. Ele é extremamente chato, e sempre que se iniciava a batalha era transmitida a mesma cena, o que depois de algumas vezes se torna extremamente enjoativo e frustrante.

Além disso, o jogo tem um sério problema com os efeitos sonoros. Durante a jogatina, várias foram as vezes em que alguma explosão ou desmoronamento se passava na tela, porém nada além do silêncio podia ser ouvido nas caixas de som. Na primeira vez que isso aconteceu eu achei que fosse uma falha isolada, porém, continuou a acontecer. O áudio no geral bom, mas o grande destaque fica por conta da dublagem do jogo, que conta com bons nomes como Mark Hamill, que interpreta o Coringa na série de jogos Batman Arkham. Graças às legendas em português, quem não domina o inglês pode entender melhor tudo o que está se passando no jogo.

As armas de Guerra também são praticamente inúteis. Algumas são bem divertidas de se usar, como a luva e a metralhadora, mas causam tão pouco dano que no final acabamos usando somente a espada, e quase sempre usando os mesmo movimentos. E a única maneira de evoluir os equipamentos é destruindo tudo o que vemos pela frente, mas acabamos fazendo mais por obrigação do que para propriamente ficar mais forte.

O Cavaleiro do Apocalipse


Darksiders: Warmastered Edition cumpre bem aquilo que promete. A parte visual do jogo realmente salta aos olhos e se destaca sobre os outros elementos. Isso mostra que a THQ Nordic tem a capacidade de resgatar com qualidade os grandes clássicos da antiga THQ. Se você nunca teve a oportunidade de acompanhar a história de Guerra, esta é a sua chance. O jogo está disponível para o Xbox One, PlayStation 4 e PC, e posteriormente será lançado para o Nintendo Wii U — existem rumores de uma versão para o vindouro Nintendo Switch.

Prós

  • Ótimos gráficos;
  • Visual da transformação de Guerra.

Contras

  • Extremamente repetitivo;
  • Problemas nos efeitos sonoros;
  • Torna-se cansativo rapidamente.
Darksiders: Warmastered Edition — PS4, XBO, PC — Nota: 7.0
Plataforma usada para análise: XBO

Revisão: Vitor Tibério
Ailton Bueno escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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