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Análise: Reus (Multi), quando brincar de Deus não é tão divertido.

Reus possui um visual único, mas, depois de pouco tempo, você para e pensa: por que eu estou fazendo isso de novo?

Em Reus (Multi), o jogador controla quatro gigantes elementais: o Gigante do Pântano, o Gigante da Montanha, o Gigante da Floresta e o Gigante dos Mares. Utilizando seus poderes, você pode montar o mundo da forma que quiser, inserindo mares, montanhas, desertos e florestas. Mas criar os biomas não é suficiente. Você tem de alimentá-los, inserir plantas frutíferas, animais, e voilà: surgem os humanos e suas vilas. É nesse momento que sua missão começa: gerir o mundo para ser “um bom Deus” para os humanos e proteger aqueles que lhe veneram. Divertido, não? Bem… não.

Cuidando dos humanos

Ao criar um bioma habitável, alguns humanos começarão a fazer uma vila nesse local. A partir daí, os gigantes não só devem gerir esse bioma, como ficam encarregados de dar suporte aos humanos e seus projetos. Cada vila terá tipos de objetivos a serem cumpridos, e cada um utilizará um tipo de recurso diferente, como alimento, tecnologia, riqueza etc. Para alcançar esses objetivos, o jogador precisa alternar entre os gigantes, delegando ordens para cada um, uma por vez.

O Gigante dos Mares tem a capacidade de criar animais domésticos, fazer plantas crescerem mais e dar bônus aos outros gigantes. O Gigante do Pântano cria plantas que geram tecnologia, melhora-as e possui o poder de causar dano a vilas, humanos e estruturas. O Gigante da Floresta coloca plantas frutíferas em seu cenário, melhora-as e migra recursos de um bioma a outro. Já o Gigante da Montanha gera mais riquezas com minerais, melhora suas minas e cria um terremoto que danifica vilas, humanos e estruturas.

Beleza simples

Reus possui um design simples, porém atrativo. Ele claramente não tem a pretensão de disputar com os gráficos atuais. Entretanto, a ilustração, tanto do cenário quanto dos gigantes, me fez parar e ficar contemplando-o (até mesmo porque o jogo não conseguiu manter meu interesse por muito tempo): cada detalhe foi pensado, das vilas aos animais, das plantas ao fundo do mar. O zoom é um presente aos apreciadores das artes de videogames.

Os problemas e mais problemas

Reus peca na falta de dinamicidade e na eterna repetição. No modo “Eras”, o jogador se depara com um mundo inóspito e ele tem como objetivo transformar aquele ambiente. Ao alcançar os objetivos, se encerra a era e o jogador segue para a próxima. Na segunda era, surpresa! O mundo está inóspito, e você deve mais uma vez desenvolver todo o ambiente novamente. Isso se repetiu na terceira era e foi quando perdi as esperanças.

Além da repetitividade, o tempo de jogo é extenso e desnecessário: os gigantes andam vagarosamente. Assim, se você definir um destino um pouco mais longe, se prepare para esperar no mínimo vinte segundos.

Apesar da arte ser bem elaborada, o mundos podem acabar limitando o jogo, devido seu espaço tão reduzido. Além de tudo isso, o tamanho do texto é bem pequeno: tive que me sentar em diversos momentos perto da TV, apenas para ler o que alguma habilidade fazia.

No decorrer do jogo, são apresentados novos poderes dos gigantes que controlamos. Um desses sistemas nos dá a possibilidade de causar mutações em plantas de animais para que os humanos possam desfrutar de novas espécies. Entretanto, o que você tem de fazer para atingir novos objetivos nem sempre fica claro. Por exemplo, o jogo lhe diz que determinada planta pode mutar para duas espécies diferentes, mas em momento algum ele te diz como conseguir a mutação desejada. Não vou negar tive de ir atrás de algumas informações na internet para conseguir prosseguir no jogo.

Um jogo para poucos

A complexidade de Reus pode até atrair alguns jogadores e agradar. Mas, para isso, ele tem de conseguir superar a repetitividade e a lentidão que o jogo lhes impõe. Se alguém tiver tempo para jogar fora e quisesse um jogo para consumi-lo, eu recomendaria outro game da mesma forma.

Prós:

  • Gráficos elaborados e com estilo próprio;
  • Sistemas elaborados que dão profundidade ao jogo.

Contras:

  • Repetitividade;
  • Não há a opção de acelerar o jogo;
  • Dificuldade em ler os textos;
  • Mundos muito pequenos;
  • Jogo lento e muitas vezes tedioso.
Reus — PC/PS4/XBO — Nota: 4.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Bruno Alves
Henrique Albuquerque escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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