Path of Exile (PC): Minha aventura pelo exílio

O RPG não me empolgou à primeira vista, mas, na segunda chance, ele me apresentou uma experiência de jogo tão única que simplesmente não pude parar.

Ao me aventurar por Path of Exile (PC), um MMORPG com gráficos semelhantes aos de Diablo III, encontrei um mundo em que zumbis, demônios e criaturas venenosas fazem parte do cotidiano do local, mas nem sempre os monstros são os piores inimigos. No jogo passei por prisões, masmorras e praias repletas de canibais... tudo que eu esperaria de um exílio.

Na pele de um criminoso

Antes de tudo, o jogador não é um herói em busca de um objetivo honrável, e sim um criminoso condenado que apenas quer sobreviver em um local povoado por outros exilados (sem contar os monstros). Ao contrário de uma bruxa heroína que usa magia negra e sacrifício humano, o jogador vive uma feiticeira que matou crianças. Só essa consistência na história do personagem já me encheu os olhos. Mas ela não é a única que você pode jogar. Os exilados são: Marauder, Ranger, Witch, Duelist, Templar, Shadow e Scion. Cada um deles possui um foco diferente em relação às armas e habilidades principais.

Entendendo que não era “apenas” colocar pontos em skills

Bem no início do jogo, você recebe um gema que lhe dá habilidades. Ao inseri-la em um equipamento, a habilidade se ativa. As gemas possuem três tipos de coloração: azul (inteligência), verde (destreza) e vermelho (força). Essas pedras só podem ser inseridas em slots de suas cores correspondentes nos equipamentos, ou seja, aquela arma maravilhosa que você conseguiu com o boss da prisão talvez não deixa você usar suas habilidades e se torne inútil. As habilidades ativas são apenas o início do desenvolvimento do personagem; as habilidades passivas é que são o ponto principal da sua evolução.

Desvendando a joia do exílio 

Durante sua jornada pelo exílio, você trocará de habilidades ativas a todo momento, seja porque conseguiu gemas melhores ou porque conseguiu um item tão bom que, mesmo com slots inúteis, não tinha como não usá-lo. Entretanto, as habilidades não são tão dinâmicas assim, não sendo tão simples reverter erros.

Desde o início do jogo, o jogador dispõe de uma possibilidade de estruturar as passivas de seu personagem da forma que quiser, podendo até mesmo seguir o caminho para habilidades passivas de outras classes. As possibilidades de builds são praticamente infinitas, possibilitando ao jogador estruturar o personagem direcionado exatamente para a forma em que ele pretende jogar. Ou seja, além de nenhum personagem partilhar da mesma árvore de habilidades, você pode encontrar bruxas voltadas ao papel de tanque ou uma arqueira com foco em armadilha ao invés do próprio arco.

Explorando “dois” Path of Exile

Apesar de Path of Exile ter proporcionado horas e mais horas de diversão com quests, dungeons, puzzles e chefes para matar, foi no modo “Hardcore” (é assim que eles chamam, não estou sendo pretensioso) em que o jogo me proporcionou a melhor experiência de jogo.

Antes de tudo, vou explicar a diferença entre os “tipos” de Path of Exile. Há duas formas de se jogar o game: Standard e Hardcore.

Enquanto o modo Standard funciona como todo MMORPG convencional, com recompensas melhorando de acordo com o progresso do jogador na história, o modo Hardcore apresenta uma proposta alternativa de jogo: as quests e progresso da história se manterão os mesmos, entretanto, você tem a possibilidade de encontrar itens mais raros desde o início do jogo, com a condição de que os monstros serão consideravelmente mais fortes que os do modo Standard. Há apenas um detalhe: caso você morra, o jogo lhe colocará no modo Standard sem possibilidade de voltar ao Hardcore.

Antes de jogar no modo Hardcore, Path of Exile se mostrou como um jogo de experimentação, em que eu podia testar uma infinidade de habilidades e definir qual eu gostava mais. Mas em Hardcore foi diferente.

Plano de personagem, poções abastecidas e tensão em cada mapa

Em praticamente tudo que jogo, sou um solo player, mas para jogar o modo Hardcore convidei um amigo para me acompanhar. Traçamos uma estratégia: eu seria o tanque (Templar) e ele o damage dealer (Witch). Já no primeiro momento, deu para perceber que o clima do jogo era diferente. Como eu não podia morrer, cada ameaça já me parecia fatal (mesmo os zumbis mais ridículos ou os caranguejos da praia).

Como já esperava, o jogo mostrou uma nova dinâmica: os monstros, por mais simples que fossem, requeriam estratégias e trabalho de equipe, principalmente os monstros que possuíam algum tipo de habilidade especial (ataques de fogo, veneno, etc.).

Com o progresso no jogo, os jogadores se deparam com os Trials of Ascendancy, que consistem em puzzles repletos de armadilhas, para que os jogadores cheguem até seu final. Eu nunca dei muito valor para eles, pois era só tentar de novo caso morresse, mas como no Hardcore morrer não é uma opção, cada espinho que subia do chão era uma nova tensão. No fim, conseguimos passar sem nenhum óbito, apenas algumas lágrimas e gotas de suor pela tensão.

Hardcore não é fácil, mas com certeza não é injusto, além disso é um ótimo jeito de jogar com os amigos e ainda ganhar umas recompensas generosas logo nos primeiros mapas do jogo.

Ah não, esse jogo parece demais com Diablo

De fato, eu seria hipócrita se falasse que o estilo da arte não se parece com o estilo de Diablo III. Entretanto, os sistemas de habilidades, a história e desafios são tão únicos que a semelhança sequer incomoda. Até porque, melhor se assemelhar ao Diablo, do que algo mal feito como o jogo editado da Turma da Mônica no PolyStation.

Path of Exile está entre um dos meus jogos favoritos de 2016. Se você busca um RPG que possua sistemas elaborados, variedade de habilidades ativas e liberdade na estruturação do seu personagem, ele não deixará a desejar. Espero cruzar com vocês no caminho do exílio.

Revisão: Vitor Tibério
Henrique Albuquerque escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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