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Análise: Titanfall 2 (Multi) retorna como um título digno da nova geração

Jogo traz equilíbrio entre single player e multiplayer acompanhado de uma história cativante.

O jogo de tiro em primeira pessoa com robôs gigantes Titanfall 2, da Respawn Entertainment, voltou com suas promessas cumpridas. O game que à princípio focava em partidas unicamente multiplayer — caso do primeiro título, Titanfall de 2014 — agora retorna com a opção de partidas multiplayer e single player. Além do novo modo de jogo, Titanfall 2 destaca a história dos habitantes da Fronteira e a relação entre piloto e titã, tornando os protagonistas e vilões mais humanos e profundos emocionalmente.


Em Titanfall 2, você é o fuzileiro de 3ª classe da Milícia, Jack Cooper, que luta para libertar a Fronteira da opressão da IMC (Interstellar Manufacturing Corporation). Neste contexto, a Milícia desenvolveu seu primeiro titã de classe Vanguard como forma de estreitar as relações entre um titã e seu piloto, acreditando que um laço real de amizade entre os dois produzirá melhores resultados do que a conexão descartável entre titãs e pilotos da IMC. Porém, quando o capitão Tai Lastimosa é ferido mortalmente em combate, em um último suspiro de vida, ele transfere seu titã BT-7274 para Jack Cooper, tornando o fuzileiro um piloto de titã.

Modo campanha em single player

Se você sentiu falta de uma história melhor trabalhada para o universo de Titanfall, em Titanfall 2 o time de roteiristas Steve Fukuda, Manny Hagopian, Jesse Stern, Mohammad Alavi e Sean Slayback fizeram bonito no novo modo campanha em single player. Composto por 9 fases que mesclam várias mecânicas e inimigos, o jogador não tem tempo para ficar parado. As ações vão desde matar soldados inimigos, passando por operar uma nave espacial a ser arremessado pelo seu titã. As sequências de parkour pelas paredes continuam, assim como todo o tiroteio e a destruição quando você pilota BT.


À primeira vista, o enredo do modo campanha pode parecer banal e clichê, contudo, conforme vamos nos habituando ao titã e encontrando novas pistas para cumprir a última missão deixada pelo falecido capitão Lastimosa, percebemos que as coisas vão tomando rumos diferentes e surpreendentes. Algo que acrescenta muito valor à história são as opções de diálogo entre Cooper e BT. Em dados momentos do jogo, você pode conversar com o titã optando por duas opções de fala, que acarretam respostas bem-humoradas e contribuem na construção do elo entre Cooper e BT. Antes que vocês fiquem com dúvidas, não, os diálogos não interferem na história ou levam a consequências e diferentes finais. O recurso serve apenas para explorar a relação entre piloto e titã, e se sai muito bem nisso.

Personagens que passaram praticamente despercebidos no game anterior tem uma participação mais efetiva na trama, como a comandante Sarah Briggs, o mercenário Kuben Blisk e o General Marder. Elemento este que torna o título muito superior ao jogo anterior, onde a ausência de uma trama elaborada e personagens com personalidade causaram um esquecimento da história.


A trama central de Titanfall 2 é a transformação de Cooper, de soldado da infantaria a piloto de titã, bem como sua amizade com BT. Inicialmente apenas cumprindo ordens de Lastimosa, Cooper assume a responsabilidade de controlar BT e ir ao encontro do Major Anderson para descobrir informações importantes sobre os planos da IMC. Quando a investigação chega a uma arma quântica que será usada para destruir todos os planetas ocupados pela Milícia, começa uma corrida contra o tempo para destruir a Arca, o único dispositivo capaz de fazer a arma quântica funcionar em escala global.

Isso mesmo, Titanfall 2 tem viagens no tempo. E tenho que dizer, são as fases mais brilhantes e fascinantes para batalhar. Um dispositivo no pulso de Cooper lhe permite viajar no tempo em ambientes onde houveram distorções no espaço-tempo. Você caminha por cenários com lapsos temporais, onde momentos passados e momentos presentes intercalam-se entre si enquanto avançamos na história. Batalhas, objetos, portas, entre outros recursos aparecem e desaparecem, cabendo a você fazer o uso correto do aparelho para driblar obstáculos e vencer inimigos para chegar ao seu objetivo.

Presente e passado se misturam em um gameplay com viagens no tempo.

Fluidez de movimentação e cenários gigantescos

Os gráficos de Titanfall 2 estão tão maravilhosos quanto pilotar mechas, ou seja, fabulosos. Além dos cenários serem imensos, a alta qualidade de imagem é impressionante. Galpões, bases militares, fábricas e outros locais tridimensionais exibem um nível de detalhamento primoroso, acabamentos refinados de textura, colorização bem ambientada com o efeito de luz e sombra, assim como feixes de luz, fogo, fumaça e poderes elétricos impressionantes. Ainda há o bônus de imagens bidimensionais em estilo pintura exibidas a cada transição de fase, em que podemos contemplar o trabalho belo de pintura em artes conceituais do jogo.

Entretanto, falta um melhor aproveitamento dos imensos cenários, já que não há muita interação entre o jogador e o ambiente. Você passa pelas fases sem conhecer os pormenores das estruturas arquitetônicas, fazendo nada mais que uma viagem rápida por uma paisagem cujo tamanho poderia ser usado para inúmeras ações e estratégias de batalha. Também faz falta uma arquitetura projetada para ser destruída por grandes impactos, afinal ter titãs derrubando monstruosas construções arquitetônicas enriqueceria o trabalho de imersão no gameplay.


A jogabilidade de Titanfall 2 é o que mais impressiona. A leveza e fluidez com que os personagens se movem e executam ações é uma lição para muitos jogos da nova geração de consoles. O game roda inteiramente em 60 quadros por segundo, ou seja, o conteúdo é extremamente veloz e com uma qualidade imagética superior à taxa de 30 quadros por segundo, unidade comum em jogos para consoles. O fato do game ser com mechas realça ainda mais tal qualidade, demonstrando como a jogabilidade é livre e desimpedida mesmo para um robô gigante de mais de 15 metros e pesando toneladas. Quando joga-se com Cooper no solo, a experiência é parecida com andar saltando pelas nuvens, e em certo sentido estamos realmente nas nuvens, não é?

O parkour pelas paredes regressa e há fases em que é quase possível passá-las inteiramente sem colocar os pés no chão, tamanha facilidade e diversão proporcionada pelo recurso. A dublagem para o português brasileiro também merece destaque, o elenco de dubladores encaixa-se perfeitamente aos personagens e transmite todas as emoções dos acontecimentos do gameplay. A trilha sonora composta por Stephen Barton é bem construída e combina com o teor futurístico de Titanfall 2, porém conforme os eventos finais do jogo se aproximam, a música vai ganhando mais intensidade e tem um papel essencial para o jogador sentir a torrente de adrenalina das fases derradeiras da história.


Multiplayer divertido e personalizado

O modo multiplayer recebeu muitas melhorias e personalizações. Com 11 tipos de partidas: Recompensa, Variedade, Ponto de Controle Amplificado, Pilotos vs. Pilotos, Exaustão, Variedade 8v8, Sobrevivência de Titã, Coliseu, Captura de Bandeira, Cada Um por Si e Partida Privada, o jogador pode escolher entre partidas como titã, como piloto ou jogando como ambos. As opções de partidas são três: em rede, privadas ou simplesmente buscando um servidor com o modo de jogo preferido. As jogatinas são realizadas em diversos e imensos mapas onde o caos e o tiroteio rolam soltos.

Pilotos e titãs também receberam novas customizações, armas e classes. Para os pilotos, as classes variam dependendo do tipo de tática escolhida, são elas: Camuflagem, Lâmina Sônica, Gancho, Estimulante, Parede-M, Cronossalto e Holopiloto. Cada tipo de tática possui uma abordagem diferente, algumas focam em ataques pelo ar, outros em ataques ilusórios ou mesmo o teletransporte. As classes também acompanham armas primárias e secundárias de acordo com o estilo escolhido.


Para os titãs, há seis classes: Ion, Scorch, Northstar, Ronin, Tone e Legion. Cada tipo de titã tem ênfase em dados estilos de ataques e armamentos, que vão desde a classe franco-atirador a uma classe com um modo de luta samurai. O que pode ser melhor do que um robô gigante com uma espada?

Qualidade tão grande quanto os titãs

Titanfall 2 é um exemplo do potencial da nova geração de consoles, um modelo de trabalho bem feito e uma ode aos fãs do gênero. Proporcionando emoção, aventura, drama e muita ação o título supera o antecessor e não pode faltar na biblioteca de jogos dos gamers que amam boas tramas regadas a muita destruição e robôs gigantes.

Prós

  • Gráficos belos e detalhados;
  • Jogabilidade fluida;
  • Modo campanha com boa história;
  • Multiplayer divertido e com várias personalizações;
  • Personagens cativantes.

Contras

  • Cenários gigantes, mas sem razão para explorá-los;
  • Falta de destruição das construções arquitetônicas.
Titanfall 2 — PC/PS4/XBO — Nota: 9.5
Versão usada para análise: XBO
Revisão: Arthur Maia 
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no DeviantArt., MGC. ou Twitter. ela aparece.

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