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Análise: The Greedy Cave (Android/iOS) traduz o dungeon crawler para o toque do seu dedo

A Avalon acertou em cheio e trouxe toda a experiência de exploração de masmorras adaptada para o uso de celulares.

Jogos para smarthphones muitas vezes possuem o tabu de serem vistos como casuais, despretensiosos ou então pouco envolventes. Entretanto, cada vez mais temos uma cultura de jogadores voltados unicamente para esses dispositivos móveis, investindo em aparelhos mais potentes, com mais espaço e que possibilitem a experiência mais gratificante ao jogar títulos até muito ambiciosos para as pequenas telas dos celulares (comparadas com as telas dos videogames portáteis e consoles de mesa).

Nesse universo encontramos uma surpresa vagando gratuitamente pela GooglePlay. The Greedy Cave (Android/iOS) é um jogo de RPG e Dungeon Crawler desenvolvido pela Avalon Games que está chamando a atenção em diversos países. Com traços que lembram o brilhante Don’t Starve (Multi), suas semelhanças com o título de 2013 param por aí, pois em Greedy Cave o seu objetivo é ir cada vez mais fundo nas masmorras, no melhor estilo de exploração de games antigos. Então afie a espada pois os artifícios desse jogo passam um pouco longe do estilo casual.


Jogabilidade bem pensada

Ao começar o jogo a coisa que mais se nota de início é a sua jogabilidade fluida. Até para celulares com sistemas operacionais um pouco mais antigos, como a versão 4.2.1 do Android, o jogo funciona muito bem e raras são as vezes que lags gráficos ou travamentos ocorrem. Somado a isso, as mecânicas de combate, exploração e recompensa de The Greedy Cave apresentam simplificações ótimas que adaptam todo o complexo sistema de um RPG ao estilo dungeon crawler para toques de comando simples na tela reduzida de um celular.

Artifícios clássicos de RPG como personalização de personagens, exploração, combate, alcance de níveis mais altos pelo personagem e árvore de habilidades foram todos adaptados para serem controlados com apenas um clique. Nesse jogo não temos a poluição visual na tela de botões e um analógico digital que fazem controle e tela serem uma coisa só. A interação realmente é direta na tela, clicando no mapa para andar, em monstros para lutar e em itens para pegá-los. Isso tudo retrata a maestria com a qual a equipe da Avalon Games produziu The Greedy Cave. Independente do que você busque fazer no jogo, os controles são facilmente utilizados com apenas uma mão.
Combates automáticos ajudam na facilidade dos comandos
Durante o jogo você possui a missão de explorar todas as profundezas de masmorras através de três grandes níveis de dificuldade que somam mais de 300 andares. Além disso, ainda existe o Dream World, que traz mais conteúdo exploratório para a jogatina. Os andares das masmorras são gerados randomicamente, o que faz a repetição de andares não se tornar algo necessariamente monótono. É importante ressaltar que a simplicidade dos comandos não impede o jogo de ser desafiante, extenso e rico em conteúdos diversificados.

Conteúdo imersivo de primeira

Como falamos no início dessa matéria, muitos jogos do estilo mobile recebem o estigma de serem muito simples ou terem esforços repetitivos em sua jogabilidade. Artifícios que acabam por desmotivar jogadores ao longo do tempo, característica essa presente até em jogos mais famosos como Pokémon GO! (Android/iOS). Entretanto, The Greedy Cave conseguiu ótimas formas de vencer isso, tendo um quê a mais de desafio e conteúdo.

Para início de conversa, temos uma mecânica de cidade a qual serve como momento de salvamento do jogo. Durante a exploração das cavernas, você se encontra a mercê de perder toda a sua evolução caso morra, sendo obrigado a medir o peso e a consequência de avançar um pouco mais nas explorações, pois só salvará todo o seu avanço caso consiga voltar com vida para a cidade através de pergaminhos que permitem isso.

Um fato importante aqui é que, ao voltar para a cidade, abandonamos todos os itens azuis e cinzas que encontramos no caminho, assim como poções de cura e materiais de encantamento. A única forma de levar esse tipo de item para a cidade é através das estátuas que são encontradas ao longo das masmorras, que convertem qualquer item (com exceção de poções e pergaminhos) em itens dourados, a única classe de item que retorna com o jogador para a cidade.

Além disso, independente dos itens dourados ou não, se o personagem morre, toda a experiência, equipamentos e bônus que foram adquiridos naquela viagem são perdidos. Esses elementos dificultadores da aventura fazem a experiência de jogo ser muito mais imersiva do que tradicionalmente se vê em jogos para dispositivos móveis, pois o jogador fica realmente apreensivo ao explorar de uma vez mais de 40 andares de masmorras e arriscar morrer ao final do próximo andar.

Todo esse artifício tenso da jogabilidade ainda é completado por uma trilha sonora excelente e traços gráficos em um visual 2D inspirados no já citado Don’t Starve que muitas vezes lembram um pouco as artes do diretor de cinema Tim Burton. A harmonia entre jogabilidade, efeitos de som e visual só acrescenta mais qualidade ainda ao jogo, causando frustrações quando morremos, angústia quando ficamos presos em cavernas e também animação quando começamos a ficar mais fortes contra monstros que antes nos ameaçavam.


Pague apenas se quiser

Outro ponto muito problemático em diversos jogos mobile é o exagero em propagandas durante a experiência e os recursos conhecidos como “pay to win”, que deixam jogadores que investem dinheiro real no jogo muito à frente daqueles que preferem economizar suas moedas para outras coisas. Felizmente, The Greedy Cave também supera essa barreira, dando uma moeda de troca excelente para suas publicidades.

A cidade possui vários artifícios para se utilizar entre uma exploração e outra. Um deles é a possibilidade de assistir algumas propagandas curtas que geram lucro para a empresa, mas que retribuem para o jogador alguns cristais (o que seria o dinheiro pago do jogo). A possibilidade de comprar grandes quantidades de cristal points ainda se encontra ali, mas é possível utilizar todo o conteúdo pago apenas assistindo propagandas e completando quests ao longo do jogo. O que equilibra bastante a jogatina.



Ainda na cidade, temos o clássico ferreiro, utilizado para reformar e melhorar seus equipamentos. Aqui um fato interessante é que o mecanismo de melhoria de equipamentos exige que você gaste um equipamento do mesmo tipo e algumas moedas de ouro (ou cristais dependendo do nível) para aumentar os status daquele que está utilizando. Dessa forma, o jogo faz com que o jogador se preocupe em levar equipamentos mais fracos para a cidade, mesmo que o seu já seja muito superior. Pois utilizando armas mais fracas você poderá melhorar aquela que você já utiliza.

Além do ferreiro, temos a loja de itens e a mecânica diária da roleta. Com um número pré-determinado e crescente de cristal points, o jogador poderá utilizar diversas vezes por dia a roleta da sorte para conseguir itens mais fortes, grandes quantias de moedas de ouro e até mais cristal points. Todo dia o jogador terá uma roleta grátis, precisando pagar pelas próximas. Mais uma vez, o jogo nivela bastante quem paga e quem não paga, dando aos jogadores que pagam apenas a agilidade de receber mais cristal points.
Com prêmios variados, a roleta pode ser bem útil as vezes!

Pouco senso de comunidade

Outro mecanismo encontrado na cidade do jogo é a Taverna, a qual representa a comunidade online do jogo, mostrando os jogadores mais famosos e mais clicados, assim como alguns que estão online no momento. O recurso possui até a possibilidade de enviar mensagens privadas para outros jogadores, entretanto não apresenta dois recurso básicos que seriam muito úteis nesse caso: adicionar pessoas e pesquisar por nomes. 

Essa bola fora do jogo impede que jogadores consigam compartilhar com seus conhecidos de forma mais fácil seus avanços, mas a bola certeira está em outro recurso existente ali, o Rank Global. Com ele você acompanha o avanço dos jogadores top do mundo, assim como a sua colocação no rank mundial, isso caso você esteja entre os 999 jogadores mais fortes, mais ricos ou mais expansivos do game. 
Acompanhar a lista de tops é legal... Mas não só...
Com esse protótipo de comunidade inserido dentro do game e o fato dele ser offline, o jogo perde um pouco o senso de comunidade, fazendo uma espécie de cabo de guerra entre experiência single player e senso de comunidade. Talvez se mecanismos como o de adicionar amigos fosse melhor adaptado para a jogatina, esse problema pudesse ser resolvido.

Experiência viciante

Independente dos erros e acertos que The Greedy Cave possui, um ponto a ser ressaltado aqui é a capacidade do jogo de atrair as pessoas a continuarem jogando. Mesmo com as frustrações que surgem ao morrer e perder horas de avanço, a mecânicas de exploração e recompensa do jogo são tão bem adaptadas que conseguem prender o jogador por boas horas.



A qualidade do jogo é indiscutível e o fato dele ser gratuito só atrai mais ainda. Mesmo com algumas melhorias a serem feitas pela empresa, principalmente na parte da comunidade de jogadores, não é exagero dizer que The Greedy Cave é um dos melhores RPG feitos para celular, some a isso o alto nível de desafio e extensão do jogo e você terá, com apenas 50mb de tamanho, um jogo de qualidade maior do que muitos títulos de console ou portátil que vemos por aí.

Prós

  • Qualidade visual e sonora excelentes;
  • Jogabilidade simples adapta muito bem o RPG para celulares;
  • Nível de desafio considerável aumenta imersão ao jogo;
  • Recursos pagos não diferenciam muito jogadores;
  • Extensa quantidade de conteúdos para um jogo mobile;
  • Randomização de masmorras contribui para o fator replay.

Contras

  • Recursos de comunidade dentro do jogo problemáticos;
  • Mortes podem causar frustração e desânimo em certos momentos.
The Greedy Cave — Android/iOS — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: Android
Revisão: Pedro Vicente



Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, mas começou sua vida gamer bem cedo, no NES. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico.

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