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Análise: Crap! I'm Broke: Out of Pocket (Android/iOS), ganhar dinheiro é difícil!

Jogo de gestão financeira aborda a dificuldade de trabalhar e guardar alguns trocados para sua poupança.

Você sempre chega no fim do mês sem um centavo no bolso? Você recebe seu salário, mas não sabe onde todo o dinheiro vai parar? Calma, você não é o único nessa situação. O jogo de gestão financeira Crap! I'm Broke: Out of Pocket (Android/iOS), da Arcane Circus, coloca você no comando de um rapaz que acaba de se mudar da casa dos pais para morar sozinho, e que irá descobrir a dificuldade de trabalhar em outra cidade e conseguir juntar dinheiro para sobreviver.

Contas e mais contas

Se você acha que a vida adulta é um mar de rosas, vai se decepcionar com Crap! I'm Broke: Out of Pocket. O jogo conta a história de um jovem em uma nova cidade que precisa trabalhar para, literalmente, não morrer de fome ou ser despejado. Contudo, nem sempre ter um trabalho é o suficiente para pagar as suas contas. Nesse caso, a sua única esperança é ser como o Julius e ter dois empregos, ou mais, para se livrar das dívidas.

Crap! I'm Broke: Out of Pocket expõe o cotidiano da maioria das pessoas, gerenciando perdas e ganhos financeiros. As situações para você investir o seu dinheiro variam entre você perder sua jaqueta e precisar comprar outra, sua carteira foi roubada e você precisou refazer documentos, um cano da casa estourou e você precisou chamar o encanador, o notebook estragou e foi necessário uma substituição da bateria, entre outros acontecimentos por quais todo mundo passa ao longo da vida.


As contas são altas e quando não são pagas vão gerando dívidas com juros ainda mais exorbitantes do que o valor original. Então, a sua única alternativa é trabalhar o dia todo. No jogo, cada dia de trabalho equivale a um mês e você precisa terminar cada mês com as contas pagas em dia, ou pelo menos com metade das dívidas quitadas, pois, ao dever mais de 50% do valor da dívida você é despejado.

Tão difícil quanto na vida real

O jogo da Arcane Circus possui um nível de desafio bem alto e retrata com clareza as tarefas do dia-a-dia. A mecânica varia de acordo com os empregos que você conseguir. Alguns trabalhos exigem que você deslize o dedo pela tela para lavar pratos ou dê toques para servir hambúrgueres, por exemplo. Outros serviços pedem que o jogador deslize o dedo nas direções mostradas, oferecendo uma boa dinâmica de gameplay ao evitar que a jogabilidade caia na repetição.

Durante o jogo, é possível conseguir empregos em diversos lugares diferentes, trabalhando em todos eles no mesmo mês. Acredite, você precisará disso. Alguns trabalhos pagam mais e outros menos, isso dependerá do local e do seu desempenho no emprego. Por exemplo, se você executar uma tarefa de modo insatisfatório, você sairá do trabalho antes do horário previsto e terá descontos do seu salário. Da mesma forma, se você trabalhar sem cometer nenhuma falha, você receberá, além do seu salário integral, um bônus de serviço bem prestado.


Dos muitos lugares em que você poderá ser empregado, está uma cozinha, uma hamburgueria, um local para ser dançarino de rua, uma fábrica, um clube noturno, entre outros. Em cada lugar, você possuirá uma função diferente, que vai desde um lavador pratos a um segurança de festa. Quanto mais lugares forem desbloqueados, mais chances você terá de ganhar mais dinheiro e conseguir pagar as suas contas.

No que concerne ao medidor de fome, enquanto seu personagem trabalha ele gasta energia e precisa repor comendo, pois, se o medidor chegar a zero o seu personagem morre de fome. Para comer, há duas opções: comprar comida no supermercado, que dá ao seu personagem menos energia, mas é mais perto do trabalho, ou comer em casa, que preenche todo o medidor e mata a sua fome, mas é longe dos locais de trabalho. Cabe ao jogador fazer essa escolha, contudo, muitas vezes são as circunstâncias que ditam se o personagem pode ou não comer no conforto de sua casa.


Cubismo e simplicidade

A arte de Crap! I'm Broke: Out of Pocket explora o estilo cubista e oferece um visual minimalista, colorido e fácil de compreender. O jogo não possui diálogos, então, a sua forma de narrativa se dá através de cutscenes no estilo história em quadrinhos. No gameplay, a arte segue o movimento artístico do cubismo.

A trilha sonora é um ponto fraco. A música é sutil e num tom baixo, mas a nota musical com saxofone é o suficiente para enjoar qualquer jogador. Depois de alguns minutos de jogo, já é possível ficar desgostoso com a trilha sonora e sentir-se sonolento com a música. O som do saxofone passa uma sensação de incômodo e dor de cabeça, é uma trilha bem desagradável.


Crap! I'm Broke: Out of Pocket é justamente aquilo que ele se propõe a ser: um jogo de gestão financeira. É um game divertido, inteligente e desafiador. E por que não dizer reflexivo? Com a dificuldade que temos em ganhar dinheiro e pagar as contas no jogo, é impossível não pensar na vida real e, pelo menos, fazer uma autorreflexão para valorizarmos o dinheiro suado que ganhamos no final do mês e pensarmos antes de gastar com coisas desnecessárias. Da mesma forma,  passamos a nos valorizar melhor e a valorizar o nosso trabalho duro.

Prós

  • História que gera empatia;
  • Mecânicas variadas;
  • Nível de desafio alto;
  • Momentos de autorreflexão.

Contras

  • Trilha sonora chata e cansativa.
Crap! I'm Broke: Out of Pocket — Android/iOS — Nota: 7.5
Versão usada para análise: Android
 Revisão: Érika Honda
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no DeviantArt., MGC. ou Twitter. ela aparece.

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