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Análise: Klang (PC) une ritmo e plataforma em um bom show

O game norueguês de ritmo e plataforma traz boa ação aliada a uma música empolgante.

A música é um dos aspectos mais interessantes nos jogos e não é incomum lembrarmos pouco de um título de maneira geral, mas associarmos prontamente uma peça musical a um momento ou personagem. Tanto as trilhas quanto os efeitos sonoros são parte absolutamente integrante dos videogames. Ora, já na tela inicial de um jogo pode ser exatamente uma música a traduzir um sentimento que vai acompanhar a jornada. Pense em The Legend of Zelda e Dragon Quest, ambos de 1986, e você estará pensando em aventura, e essas músicas da primeira tela estão te convidando a viver elas.


É bacana quando elas não são apenas algo que cria a atmosfera, traduz um sentimento ou nos faz se afeiçoar mais por um personagem, mas quando tem relações íntimas com o que é jogável. Existem trilhas que se adaptam às ações do jogador, o que é bem bacana. Mas existe uma outra forma da música se confundir de uma maneira positiva com o gameplay: pautar o ritmo da ação.

Klang é um jogo que traz seções de plataforma, mas também é um jogo de ritmo. As ações que você vai realizar são constantemente pautadas pela música que está tocando. O personagem corre, pula e desliza, mas também ataca rebatendo os projéteis dos inimigos da direção que vieram. Cada ação, seja essa a rebatida para um dos eixos, um pulo ou deslizada, se dá de forma consonante com a música do estágio.

Mas as coisas não começam de forma tão bagunçada, já que cada conjunto de fases vai incorporando alguma coisa nova para você se preocupar. O jogo traz mecânicas interessantes que são apresentadas em um bom ritmo e que são testadas depois em situações ou confrontos mais difíceis (principalmente nos chefes). Para se ter uma ideia, existe uma área que introduz que cada projétil rebatido vai gerar uma plataforma na direção da qual ele veio. Essa plataforma vai sumir e é essencial conseguir rebater o próximo e gerar a nova plataforma.


Isso vai se intensificando ao longo dos estágios e culmina em uma boa batalha contra um chefe, na qual você vai precisar dominar esse esquema de criar as plataformas e seguir para elas, mas também sua relação com o ritmo da música.

A parte sonora, desenvolvida pelo remixer bLiNd, empolga e traz a ideia de estarmos realmente em um show. A campanha de Klang é curta, como se o que é o jogo tivesse fim justamente no final da apresentação do músico Klang. Ela está presente em todos os momentos e ajuda tanto nos trechos de plataforma e de ritmo, e, claro, nos que misturam as coisas. Mas para além disso, as músicas são realmente boas por si só, e ainda mais se relacionando diretamente com a ação.

Essa ideia de estarmos “jogando um show” também encontra respaldo no simpático enredo do jogo. Um ser poderosão resolve jogar o Klang para longe do topo do lugar, fazendo com que nossa jornada seja justamente subir de novo o monte para tomarmos nosso lugar em direção à catarse coletiva da música. Não sei se a ideia foi fazer uma paródia, mas confesso que achei engraçadinho e leve.
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A escalada é breve, como falei a campanha de Klang é curta. Isso não é um problema em si, já que o título é muito mais focado na ideia de curtir o som e de buscar as maiores pontuações e vencer as dificuldades maiores que vão sendo destravadas. Também existem colecionáveis e segredos que fazem termos que explorar bem os cenários. Mas confesso que senti falta de algumas fases mais longas.

O jogo é composto por estágios de muito pequenos à médios em tamanho. Ambos os tipos funcionam bem, já que alguns menores ou estão ali para apresentar uma mecânica, ou trazem algum sistema que se torna muito chato em um estágio maior. Seria interessante agregar cenários maiores justamente para que essa ação confluindo com a música se desse por mais tempo, dando uma sensação de movimento e de que a canção está seguindo. Isso ajudaria mais ainda a compor a ideia de um jogo de plataforma, música e exploração em um ritmo rápido.

Mas mesmo com o que é apresentado o título possui uma boa variedade. As mecânicas vão sendo apresentadas em um bom ritmo, os cenários trazem visuais diferentes, mas que possuem uma identidade (no começo lembra muito Tron, mas depois traz algumas gratas surpresas), e para além disso são bem competentes. E, por fim, não é apenas o ritmo que ajuda a pautar suas respostas.


Existe uma coisa no jogo que é essencial, e o jogo, que já não é lá tão fácil, beiraria a insanidade sem ela. Sempre existem indicações da próxima direção que você deve responder. Pode parecer que não é necessário, mas quando você tem que pular, deslizar e rebater diversos inimigos em uma sequência rápida, esse tipo de marcação faz a experiência ser desafiadora e prazerosa, e não quebrada.

Isso também é bem usado em algumas batalhas contra chefes, quando não podemos entrar no campo de visão do momento. Já que estar no campo de visão gera um hit kill, nada mais justo que conseguirmos saber para onde a visão vai transitar nos próximos segundos. Outro ponto positivo em um jogo que trabalha muito bem com suas limitações (foi feito por um único desenvolvedor em uma plataforma que geralmente é usada apenas para criar protótipos).



Klang é um jogo sobre música, mas também de música. Seu ritmo é uma indicação excelente para o jogador responder aos comandos, mas além disso toda a parte visual também está lá para pautar o ritmo e as respostas, sempre ao lado do sonoro. É, também, um jogo de score, um game o qual você pode jogar uma única vez na vida e se sentir bem, ou mesmo enfrentar diversas vezes, em dificuldades maiores e buscando uma nova pontuação. É como um show, que cada vez que você vai será diferente, mas ir apenas uma vez na vida já é interessante por si só.

Prós

  • Visual neon bem trabalhado;
  • Mecânicas interessantes que são apresentadas em um bom ritmo;
  • Boa música que pauta as ações e comandos;
  • Aspectos centrais (ritmo, plataforma) são empolgantes e competentes.

Contras

  • Faltam alguns estágios mais longos para potencializar a exploração e a conexão com as músicas.
Klang — PC — Nota: 8.5
Pedro Vicente é um homem sem qualidades. Para se esquecer das décadas de fracassos de sua vida real, resolveu passar parte do seu dia jogando. Iniciado nos games por Adventures e JRPGs, hoje em dia joga de tudo. Gosta muito de escrever sobre jogos, mas só dá nota 10 para games em que você pode dar Suplex em um trem.

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