Blast Test

Hello Neighbor(PC) é uma promissora e tensa experiência

Espiar, mudar estratégias e explorar são as chaves para o sucesso nesse misto de stealth com terror


O medo do desconhecido sempre foi uma constante humana. Alguns medos bem racionais e razoáveis, como o de entrar em uma floresta escura, e outros nem tanto, como o de cair das bordas do mundo ao navegar, foram substituídos ao passar dos tempos pelos medos mais urbanos, como o de uma rua deserta ou o da casa de algum vizinho estranho. Alimentados por lendas urbanas, fofocas ou até mesmo pelo episódio de Chaves em que é mostrado o interior da casa da Bruxa do 71, é esse curioso medo em se descobrir segredos e histórias ocultas da vida alheia que Hello, Neighbor se apoia.


Ainda em alpha, o título tem como premissa o jogador entrar na casa de um vizinho ligeiramente assustador e descobrir que segredo ele guarda com tanta segurança em sua casa. E dada a veemência do vizinho em manter esse segredo escondido, não deve ser algo bonito.

Invadindo domicílios

Uma das partes mais interessantes da proposta de Hello Neighbor é como o vizinho aprende com seus movimentos e estratégias. Armadilhas podem ser vistas em portas e caminhos usados frequentemente, assim como câmeras e outras estratégias para impedir a exploração do ambiente, as quais o jogador deverá evitar sabiamente.

Não só o jogo fornece obstáculos que mantém o progresso do jogador interessante a cada tentativa de invasão, como lhe dá ferramentas que podem ajudar nessa tarefa de diferentes formas, sendo uma caixa para subir e entrar por uma janela ou um par de binóculos para visualizar os movimentos do vizinho e se preparar previamente para a invasão.=
Outro aspecto a destacar são os gráficos. Os modelos tridimensionais são bonitos e dão um charme cartunesco ao jogo sem tirar sua atmosfera tensa, além de serem até estranhamente bem polidos para uma versão ainda não finalizada. A iluminação também chama a atenção, apesar de ter pequenos glitches em alguns momentos fazendo carros piscarem ou até cegando o jogador em alguns momentos, mas nada fora do normal para uma versão alpha.

O que queremos ver

Alguns defeitos podem ser relevados, obviamente, por não se tratar de uma versão final, mas alguns outros aspectos é possível já sentir falta ou ficar com um pé atrás, dada a boa finalização de alguns elementos visuais e não de outros. É natural nesse estágio o jogo não ter um tutorial ou mesmo uma tela para ensinar os comandos, mas isso se torna mais complicado quando se tem comandos tão confusos e desnecessariamente pouco intuitivos, tornando um suplício descobrir como pegar e usar um objeto.

Os efeitos sonoros, principalmente de ambiente, são bons em primeiro momento, mas sua repetição torna a experiência um pouco enfadonha, principalmente nos momentos de tensão. O mesmo acontece com o vizinho, que lhe dá um bom susto no primeiro encontro, mas cuja aparição se tornam tão frequente que a reação de medo ou susto passa em poucos minutos. Fora isso, alguns desses encontros são quase inevitáveis, sendo difícil prever um movimento dele ou conseguir vê-lo antecipadamente, o que acaba por manchar o aspecto stealth do jogo e por diversas vezes nos faz perguntar se a casa é pequena demais (o que é difícil dizer graças ao estado da versão) ou até se o jogo ser em primeira pessoa foi a opção ideal.


No entanto, nada disso é completamente irresolvível nem arruina a expectativa para o produto final. Pelo contrário, os aspectos faltosos levantam a curiosidade para descobrir o nível de polimento do jogo final, principalmente quanto a sua estrutura por causa de sua proposta original e que se mantém interessante e pela capacidade do mistério de cativar o jogador. Apesar de ser difícil de acreditar que todos os problemas serão resolvidos, apesar de serem possíveis, Hello Neighbor já se mostra no estado atual um jogo interessante e um promissor lançamento para o ano de 2017.

Revisão: Bruno Alves


Juni Chaves é formando em Sistemas e Mídias Digitais e atualmente redator no GameBlast e também no Ivalice. Grande interessado em Game Design e nas áreas artísticas que envolvem os jogos, não é raro encontrá-lo falando disso no Facebook e no Alvanista.

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