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Análise: Rogue Stormers (Multi): tiroteio, goblins e muita ação

Uma mistura de ação frenética, divertida e extremamente difícil.


Ultimamente estamos vendo um bom número de ótimos jogos do estilo roguelike sendo publicados pelos estúdios independentes. Como exemplo temos os Downwell (Multi), Enter the Gungeon (PC/PS4) e GoNNER (PC). Rogue Stormers chega para trazer muitos tiros e ação. Com um visual limpo e detalhado, o jogo apresenta um alto grau de desafio que vai te entreter por várias horas, mas também causar uma certa irritação.

Tiros, explosões e muita ação

A história de Rogue Stormers é bem básica. Antes de iniciarmos a campanha ficamos sabendo que Hector von Garg, uma criatura cruel e corpulenta que se auto denominou o ditador de Ravensdale, e para controlar a todos ele juntou um exército de goblinoides e os modificou para transformá-los em armas dos mais variados tipos. A partir daí, a única maneira de saber um pouco mais sobre o que está acontecendo é encontrando pedaços de pergaminhos que contam um pouco mais da história, mas isso acontece de forma aleatória. O enredo fica ao fundo, já que o foco aqui é a ação.

Para combater o vilão, nós podemos utilizar um total de cinco personagens em Rogue Stormers, cada um com uma habilidade diferenciada e um tipo de armamento diferente. Contudo, eles somente são liberados após completar as missões da campanha. E acredite, esse desafio é muito alto.

E aqui os controles cumprem bem a sua função, mas causam um pouco de estranheza nos primeiros dez minutos de jogatina. Nós controlamos o movimento dos personagens com o analógico esquerdo e a direção dos tiros, que são automáticos, com o direito. Eu demorei um pouco até me acostumar com esse modelo, e tive muitos problemas com os baloeiros, goblins que ficam em um pequeno balão atirando com frequência. Mas após um tempo tudo ficou um pouco mais fluido. E com isso eu consegui apreciar melhor a jogabilidade.

Toda a ação acontece em progressão lateral, ao melhor estilo dos jogos Contra e Metal Slug. Falando nesse segundo, os desenvolvedores homenagearam o clássico. No começo de algumas fases aparecem prisioneiros em gaiolas. E eles te dão armas secundárias, tal qual acontece no jogo da SNK. E também para nos auxiliar nós temos à nossa disposição uma grande quantidade de armas secundárias que possuem os mais variados efeitos: podem gerar escudos de proteção, recuperar o HP, causar dano em área, dentre muitos outros exemplos.

E tal qual os exemplos acima, os acontecimentos na tela acontecem de forma desenfreada, às vezes é espantosa a quantidade de inimigos e elementos na tela. Os gráficos surpreendem pela simplicidade e capacidade de mostrar claramente os elementos do jogo. Ao explodir um goblin, por exemplo, vemos seu sangue e partes do seu corpo voando destroçadas, com uma física de acordo com a arma utilizada para abatê-lo. Seria ainda mais legal se os pedaços não desaparecessem depois de um tempo, mas essa ausência não prejudica o impacto visual do game. E em momento nenhum eu senti o gráfico “quebrar”. Algumas telas tem várias câmaras, e outras algumas poucas.

Falando em câmaras, o mapa possui um tamanho máximo pré-estabelecido, e nem sempre todos os espaços são utilizados. No canto superior direito da tela podemos ver todos os elementos relevantes para a partida, lá ficam registrados os itens, armas e outras coisas que deixamos pra trás. A cada parte que andamos no mapa abre-se uma nova câmara, então por isso é importante checar todas as passagens possíveis. Veja um exemplo na imagem abaixo.

Já a trilha e os efeitos sonoros, como os guinchos dos inimigos, ficam meio ofuscados pela grande quantidade de tiros voando na tela. Mas isso não é uma coisa ruim, apenas demonstra que os desenvolvedores tiveram a perspicácia de colocar o que realmente importa como elemento central do jogo.

E apesar de o jogo ainda não ter sido disponibilizado na PlayStation Store brasileira, ele já está totalmente em português e conta com uma tradução muito boa e fácil de ser compreendida. Confesso que esse foi um elemento que me agradou bastante, visto que o funcionamento de todas as armas precisa de alguma explicação.

O tortuoso caminho pela frente

O que me causou um pouco de estranheza ao iniciar a jogatina foi a criação procedural das fases. Na minha primeira partida o meu personagem estava no extremo esquerdo da tela, mas após morrer pela primeira vez, comecei no extremo direito. Outro aspecto que levei um tempo para me acostumar foi a introdução dos inimigos.  Em algumas vezes apareciam vários bombardeiros e em outras não aparecia nenhum. Somente após isso que eu entendi que os elementos mudam de uma jogada para outra, já que essa, efetivamente, foi a primeira vez que tive contato com um jogo do estilo roguelike.

E por mais que fosse tentador partir direto para o chefe e passar para próxima fase, eu logo aprendi que é importante explorar ao máximo. Eventualmente você irá pegar itens que incrementam o seu dano, pegar novas armas secundárias ou itens que aumentam o seu HP máximo. A geração desses itens e equipamentos é aleatória, então a arma ou item de recuperação que você tanto precisa podem não vir na hora certa.

Algumas vezes eu ficava mais de meia hora passeando por todas as telas coletando itens, dinheiro e escolhendo armas secundárias. Quando tudo estava pronto para chegar na sala do chefe da fase eu acabava em um local perigoso, com vários inimigos atirando ao mesmo tempo e morria. Ao renascer todo o meu progresso era perdido. Não sobravam itens, armas, dinheiro, nada. Voltava do mesmo jeito que iniciei do jogo da primeira vez.

Além disso, tentar decorar os padrões de ataque dos inimigos não é o caminho ideal, já que o estágio muda a todo momento. Levei praticamente duas horas para conseguir chegar ao chefe na primeira vez. Após isso, já foi um pouco mais fácil chegar nele, mas não vencê-lo, já que os itens de recuperação de HP são escassos na tela.

Os desafios vão desde a quantidade de inimigos à forma como a tela nos é apresentada. Absolutamente tudo que nos toca causa dano, podemos tomar dano com fogo, raio e explosivos espalhados na tela. Por isso é imprescindível destruir todos os inimigos possíveis para ir subindo de nível. Mas ainda assim o jogo continua extremamente difícil.

Diversão e intensidade garantidas

É possível jogar Rogue Stormers no modo single player ou multiplayer. Até quatro jogadores podem participar da jogatina, seja localmente ou via internet  Infelizmente durante os testes eu não consegui participar de nenhum dos dois modos..

Assim, posso afirmar que Rogue Stormers é desafiador e extremamente divertido. O que me deixou mais feliz ao jogá-lo é que me senti de novo como uma criança, lembrei-me da época que jogava os excelentes  e já citados Contra e Metal Slug. Os desenvolvedores da Black Forest Games acertaram em cheio com este título.

Prós

  • jogabilidade fluida;
  • alto grau de desafio;
  • ótima ode ao passado.

Contras

  • Ninguém jogando o modo cooperativo online.

Rogue Stormers — PC/PS4/XBO — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS4

Revisão: Pedro Vicente

Ailton Bueno escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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