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Análise: PES 2017 (Multi): os donos do campo estão de volta

Na versão 2017 de um dos mais famosos jogos de futebol, a Konami finalmente volta a acertar a mão.


Depois de várias temporadas acertando a trave, a Konami finalmente conseguiu marcar o tão desejado gol, e foi um tremendo golaço. Após algumas versões ruins e outras medianas, finalmente temos uma versão que condiz com a frase usada pela série nos últimos anos, “o campo é nosso”. E, pelo menos por enquanto, o campo realmente é está com Pro Evolution Soccer.

Os times entram em campo

Em Pro Evolution Soccer 2017 a Konami mais uma vez utilizou a Fox Engine e agora   conseguiu extrair o máximo possível, trazendo gráficos belíssimos. Pela primeira vez eu pude sentir que estava realmente controlando a contraparte digital de todos os jogadores que somente tenho privilégio de ver pela televisão.

O ambiente do estádio está muito bem feito e polido, e pude sentir o clima dos torcedores  preenchendo as arquibancadas. E e eles não são feitos de papelão como estamos acostumados com jogos de futebol, mas representam bem fãs que estão ali para apreciar um espetáculo de futebol. E também temos o clima dinâmico, que nessa versão funciona muito bem.

Antes da bola rolar nós vemos os jogadores fazendo fila para entrar em partidas importantes e podemos ver como muitos dos jogadores foram bem captados e se parecem mesmo com os reais. É muito legal ver atletas idênticos, como Neymar, Cristiano Ronaldo, Messi e tantos outros.

Mas a magia começa de verdade quando a bola começa a rolar. Se tirarmos os elementos que nos ajudam durante o jogo, como o radar e o display do nome dos jogadores, parece que estamos mesmo assistindo a um jogo de futebol ao vivo na televisão. Durante a jogatina, por várias vezes eu fiquei admirando as expressões dos jogadores, suas reações ao perder um gol feito, a reação do goleiro ao defender um gol quase certo, e por aí vai. Tudo isso cria uma satisfação gigante, e mesmo depois de várias horas de jogo eu continuava me perdendo nesses pequenos detalhes.

Controle e Realidade

As mudanças prometidas pela Konami para a versão 2017 foram cumpridas. Depois de uma versão 2014 desastrosa, e duas versões, 2015 e 2016, de medianas para boa, finalmente temos uma versão refinada e polida.

Os  controles funcionam perfeitamente bem e a jogabilidade é fluída e limpa. Eu senti que a versão final do jogo está infinitamente superior a versão mostrada na demo. Aqui, o toque de bola é fácil e fazer o famoso Tiki Taka criado pelos times espanhóis é bem tranquilo. Se você não gosta de ficar trocando passes e quer chegar rápido ao ataque pelas pontas, saiba que esse é  um caminho que também recebeu melhorias. Os passes em profundidade estão muito mais acurados e eles realmente criam uma vantagem para quem os utilizar.

As jogadas ensaiadas com bolas paradas funcionam bem. Então, o tipo de lançamento feito faz toda a diferença entre uma jogada desperdiçada, um lance de perigo ou um gol. Todas as jogadas aqui fazem a diferença. Um passe mal dado pode resultar em um contra ataque e se os seus jogadores não conseguirem reagir a tempo você provavelmente vai tomar gol.

As trombadas e encontrões estão mais corriqueiras e realistas. Agora o corpo do jogador realmente faz a diferença na hora de disputar a bola. O domínio de bola pode ser prejudicado por esses fatores e pela corrida do jogador.


O chute a gol está muito melhor e a habilidade conta, e muito, nesse quesito. Se o jogador que dominou a bola for razoavelmente bom e tiver espaço para chutar, arrisque sem medo. Chutes a média distância estão muito perigosos, mas o ataque mais letal é pelas pontas. Cruzamentos curtos no primeiro pau e cabeçada pro gol são fatais.. O duro é a bola passar pela defesa, que está bem forte nesse quesito.

Um ponto fraco do jogo que ainda continua é a atuação dos goleiros. É perceptível a melhora do tempo de resposta do arqueiro se compararmos com a edição passada. Mas ainda assim, foram vários jogos que me senti prejudicado por tomar gols extremamente fáceis de serem defendidos. O goleiro controlado pela inteligência artificial às vezes toma gols fáceis, e em outros jogos ele fecha a meta de forma insensata.

Em alguns jogos o meu adversário acertava um único chute pro gol e marcava, enquanto eu martelava a defesa e o goleiro do oponente e não conseguia nada. Mas mesmo assim era muito divertido, me sentia numa partida de verdade. E essa foi uma das primeiras vezes que senti algo parecido ao jogar um simulador de futebol.

O longo caminho à glória

Os modos de jogo de PES 2017 continuam sensacionais. A Liga Master passou por reformulações sensíveis que deixaram a competição mais equilibrada e divertida. Agora ao invés de termos apenas um único orçamento para salários e contratações, temos dois orçamentos diferentes que podem ser aumentados caso alguns critérios sejam alcançados, como por exemplo vencer 5 partidas seguidas.

A única coisa que eu ainda acho um tremendo erro na Liga Master é que antes de começar a jogar nós temos que criar um personagem, mas ele só aparece quando ganhamos algum título, ficando ausente dos espaços técnicos e da beira do gramado. Fora isso, as negociações estão mais legais. E a introdução do último dia de negociações foi uma grata surpresa. No último dia temos 17 horas para fechar os negócios que estão em aberto.

Uma dica para quem quiser realmente aproveitar o modo Master, utilize muito bem os juniores, volta e meia irão aparecer jogadores famosos no seu plantel, recrute-os e caso tenha a certeza de que não irá utilizá-los, coloque-os à venda. Fazendo esse esquema eu consegui juntar 150 milhões para contratar jogadores famosos. E não tenha medo de fazer ofertas a eles, eventualmente eles irão aceitar.

Outro modo de jogo muito interessante é o já consagrado Rumo ao Estrelato. Aqui podemos assumir o papel de um jogador já criado ou começar um jogador do zero. Minha primeira experiência aqui foi no Sport Club do Recife, visto que é muito comum começarmos em times considerados mais fracos pelo jogo. Toda a parte de transferências válidas para a Liga Master valem aqui.

Uma coisa que considerei muito ruim no Rumo ao Estrelato foi o fato de não poder escolher se a câmera irá acompanhar o jogador ou a bola. Nas edições passadas tínhamos o controle sobre essa opção, mas agora fica tudo a cargo da câmera escolhida. Eu não gosto do fato de a câmera que estou acostumado a jogar segue apenas o jogador, e mesmo tentando mudar essa opção inexiste

Os Escudos e Taças

Pro Evolution Soccer nunca foi um primor no quesito de licenças de times. O maior trunfo do jogo reside no fato de possuir os principais torneios interclubes do mundo, mas ele peca no fato de não possuir as principais ligas nacionais da Europa. E pela primeira vez a falta dessas licenças ficou sentida.

A Eletronic Arts, com o jogo FIFA, garantiu contratos de exclusividade com ligas como a primeira e a segunda divisão inglesas. O resultado para o PES foi a presença apenas dos times Arsenal e Liverpool, sendo todos os outros genéricos. A Liga francesa continua presente com todos os 40 times. A Liga Italiana não foi licenciada, tendo também nomes genéricos. É verdade que os principais times estão presentes, exceto pela Juventus, que é chamada de PM Black White. A Liga Holandesa, por sua vez, está licenciada e conta com todos os times disponíveis.

O grande golpe sofrido foi a perda da licença da Liga Espanhola, o que fez com que apenas dois times fossem licenciados, Barcelona e Atlético de Madrid, sendo todos os outros com nomes genéricos que remetem ao seu respectivo time original. A liga portuguesa também está genérica e com apenas dois times licenciados, Sporting e Benfica.

Uma coisa que sempre faltou para o PES foi a liga alemã, e mais uma vez ela ficou de fora. A liga não tem contrato firmado com a FIFPro, que negocia o direito de imagem dos jogadores. E além disso, PES 2017 não conta também com o Bayern de Munique, que tem um contrato de exclusividade com a EA. Sobram então para o jogo Bayer Leverkusen, Borussia Dortmund e Shalke 04.

E PES ainda perdeu o direito às competições intercontinentais da América do Sul. No jogo não se encontram disponíveis a Copa Libertadores da América, que foi substituída pelo Torneio Sul-Americano, já a Copa Sul-Americana e a Recopa Sul-Americana que foram retiradas do jogo. Sendo essas as ausências mais sentidas.

Para sanar um pouco essa perda a Konami foi capaz de licenciar de maneira oficial o Campeonato Brasileiro, com todos os 20 times, porém alguns times tem jogadores genéricos, visto que o contrato de cada jogador deve ser feito individualmente. Além do nosso torneio nacional, foram licenciados também a Liga Argentina, com a Copa Argentina e a Argentina Supercopa, e a Liga Chilena, junto com a Copa de Chile.

Confesso que foi um pouco decepcionante começar a Liga Master na América do Sul sem os torneios intercontinentais. Eu senti o calendário muito vazio e o desafio acabou diminuindo um pouco. Mas no geral eu consegui me divertir muito com a minha Chapecoense no Campeonato Brasileiro.

A vida futebolística Online

O modo Online do jogo conta novamente com o myClub. Aqui temos que montar um time dos sonhos enquanto jogamos contra outros jogadores ou contra a CPU. Mas ao invés de montar o time como queremos, dependemos totalmente da sorte. E isso é muito frustrante.

Ao  iniciar o modo myClub precisamos realizar um mini tutorial e aprendemos como funcionam as principais funções e novidades. E agora podemos comprar e vender olheiros. Seria muito mais fácil incluir um sistema de compra e venda diretas de jogadores, ,mas para ficar diferente do modo Ultimate Team da EA eles não colocaram esse sistema. O que é muito chato. Quantas vezes eu tentei contratar um jogador do Barcelona e ao invés de vir o Neymar ou o Messi eu fui presenteado com o Rafinha, por exemplo.

No myClub  podemos participar de partidas que valem pontos para as divisões online e também no modo de jogo para um jogador, sendo que cada uma tem um total de 12 divisões cada. Além disso temos as Copa do Desafio Online, que são as competições oficiais disponíveis no jogo, como a UEFA Champions League e também as disputas contra o computador. As Competições do myClub  estavam desabilitadas enquanto escrevia esse artigo.

O myClub tem os seus méritos. Mas é um modo de jogo que não me agrada. Talvez você se adapte melhor que eu às limitações propostas, mas eu não joguei muito na versão 2015 nem na 2016, e passo mais uma vez.

Outro modo de jogo são as Divisões Online. Aqui podemos escolher qualquer um dos times disponíveis no jogo para participar de partidas contra adversários do mundo todo. Uma coisa que senti falta aqui foi um sistema que pudesse equilibrar o nível de estrelas do time. Fica praticamente impossível de se jogar usando times brasileiros, já que quase todo mundo usa Barcelona, Real Madrid e outros esquadrões.

As minhas primeiras experiências online foram um pouco frustrantes. A primeira partida caiu enquanto estava 0x0 no jogo. O segundo jogo funcionou tranquilamente. Enquanto que no terceiro eu fui derrubado do servidor. Posterior a isso eu consegui jogar normalmente.

Além disso temos os modos de jogo online para criar salas de jogo, para quando vamos desafiar os nossos amigos , e o modo de jogo por equipe, no qual 22 jogadores podem se juntar e disputar uma partida. No Xbox ONE ambas as opções estavam vazias na hora do teste.

“Que Faaaase”

A trilha sonora do PES continua diminuta com apenas 12 canções. As músicas variam do estilo Indie Pop do Hunter Hunter ao Eletronic Dance da dupla Skrillex & Diplo com vocais de Justin Bieber. Ela agrada a maioria do público, contudo ela acaba sendo secundária, já que o foco aqui é passar a maior parte do tempo dentro do campo. E eis que entra uma das maiores novidades para essa versão do jogo, a narração de Milton Leite.

Por ser o seu primeiro ano como narrador da franquia o seu repertório de falas ainda é curto, se comparado com seu antecessor, Sílvio Luiz. As frases mais longas funcionam mais efetivamente e não soam tão robóticas quanto poderiam parecer.

Eu senti alguns problemas na narração com pequenos acontecimentos durante o jogo. Como fazer uma falta no meio do segundo tempo e ele dizer que o jogo havia acabado de começar, ou falar que foi lateral em um escanteio, coisas do tipo. Mas no geral a narração é boa e tende a agradar a maior parte do público da franquia.

Os donos do campo estão de volta

Se por um lado o jogo sentiu muito a falta das licenças dos grandes clubes, por outro eles ficam em segundo plano quando a bola começa a rolar de verdade. Durante a jogatina você não vai pensar que está jogando com o nome genérico do time que representa o Real Madrid, tudo o que você vai querer fazer é marcar gols.

Mas o que conta mesmo é a diversão, e isso PES 2017 proporciona aos montes. Seja jogando com algum amigo localmente ou pela internet, ou sozinho, desafiando a Liga Master ou acumulando pontos nos Rankings Online. Se você procura um bom jogo de futebol então Pro Evolution Soccer é a sua escolha.

Prós

  • Jogabilidade refinada;
  • Gráficos bonitos e polidos;
  • Ambientação do estádio mais próximo da realidade;
  • Liga Master melhorada.

Contras

  • Perda da licença dos torneios continentais da América do Sul, além de ligas nacionais;
  • Modo myClub um pouco decepcionante;
Pro Evolution Soccer 2017 - (PS3/PS4/X360/XBO/PC) - Nota: 9.5

Versão utilizada para à análise: Xbox One
Ailton Bueno escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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