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Análise: Pavilion (Multi), magia e raciocínio em quarta pessoa

Jogo de puzzles em quarta pessoa é uma aventura bela e inteligente.

Antes de tudo, a primeira coisa que você deve estar pensando é "o que é um jogo em quarta pessoa?", essa é a proposta do jogo de puzzles Pavilion (Multi) da Visiontrick Media, uma produtora indie com apenas três integrantes: Rickard Westman, Rui Guerreiro e Henrik Flink. O game é jogável a partir do ponto de vista do que os desenvolvedores chamam de "quarta pessoa": trata-se de um olhar onisciente sobre o protagonista, através do qual você interage com objetos para guiá-lo pelo cenário, mas sem interagir em primeira ou terceira pessoa.

Jogabilidade inovadora em um mundo mágico

A experiência de jogar em quarta pessoa nos transporta para um papel onisciente, onipresente e onipotente. Afinal, você conhece tudo o que se passa, está em todos os lugares e pode fazer qualquer coisa. Você está realmente no lugar de Deus no jogo, guiando o personagem pelo caminho correto. Deve ser assim que Morgan Freeman se sente cuidando do mundo, não é?

A jogabilidade é fluida, e você controla um feixe de luz que serve para iluminar o caminho do protagonista, tocar sinos e mover diversos objetos. Pavilion também leva a sério o gênero puzzle ao não exibir nenhuma informação no hud, ficando por nossa conta descobrir os comandos da luz e como orientar o herói no mundo mágico.


A história de Pavilion se passa na mente do protagonista, um sonho com elementos de fantasia e realidade. Neste mundo mágico, o recurso exploratório e de contemplação do cenário funciona com elegância. A Visiontrick Media acerta em tornar o jogo uma viagem pela mente do herói, na qual conhecer paisagens belas e outras assustadoras são o mote do gameplay recheado de labirintos e que exige muito raciocínio na hora de avançar para a próxima fase.

Beleza e magia com um toque delicado

Quando Pavilion se propõe a ser, além de um puzzle, um game de exploração e observação da arte não é por acaso. Os gráficos do jogo são lindos. Em estilo pintura, ambientes em 3D com construções arquitetônicas que mesclam a arquitetura romana, gótica e mesmo características do steampunk estão presentes. Unidos a estas construções, há elementos da natureza – grama, rios, flores, trepadeiras, entre outros –, que, misturados ao cenário, criam um ambiente novo com o tom de sobrenatural e mágico que o jogo almeja transmitir. O trabalho artístico primoroso em detalhes também contribui para a imersão no mundo mágico. Janelas, portões e texturas de metais e pedras são pintados com cuidado, exibindo os efeitos desejados de brilho, reflexo, luz e sombra.

O efeito de iluminação em áreas abertas e fechadas também são brilhantes e trabalhados delicadamente. Conforme movemos o feixe de luz para guiar o protagonista, um rastro de energia fica alguns segundos na tela e desaparece no ar. Objetos mágicos possuem linhas de um brilho enevoado e soturno, criando o clima ideal de uma magia ou feitiço.

Trilha leve, erro e um menu problemático

A trilha sonora de Pavilion, composta por Tony Gerber, é tocada de forma leve. Um som instrumental que une magia e suspense em uma composição melódica que combina com a ambientalização do jogo. Apesar de ser um game bem-desenvolvido, Pavilion não escapa a alguns erros. O menu de iniciar é travado, e temos que ficar alguns minutos esperando até ele começar a responder seus comandos, além de, algumas vezes, o jogo simplesmente dar erro no meio do gameplay e sair sozinho da tela, fazendo o jogador perder o save. São problemas chatos e que interferem na experiência, o último mais esporádico, contudo o travamento do menu é uma constante todas as vezes que se abre o game.

Descanso e treino mental

Pavilion é um daqueles jogos relaxantes, mas que exigem sua atenção ao mesmo tempo. Os quebra-cabeças pelos quais o personagem precisa encontrar as soluções são complexos, porém como o jogo possui a característica de valorização da arte, é impossível você ficar irritado ou frustrado. Afinal, enquanto pensa numa resposta para o desafio, você fica à mercê de um universo fantástico e ao som de uma trilha sonora suave, fazendo-o navegar pelo mundo dos sonhos. Se todo jogo em quarta pessoa for bom como Pavilion, uma nova forma de jogabilidade se abre para o cenário dos games.

Prós

  • Arte gráfica bela;
  • Jogabilidade em quarta pessoa funciona;
  • Puzzles inteligentes;
  • Trilha sonora bem-ambientada;

Contras

  • Erro que faz sair do jogo e perder o save;
  • Travamento no menu de iniciar.
Pavilion — PC / PS4 / PSVita / Mobile — Nota: 8.5
Versão usada para análise: PC
Revisão: Bruno Alves
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no DeviantArt., MGC. ou Twitter. ela aparece.

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