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Análise: Gravity Island (PC/iOS) é casual, simples e desafiante

Despretensioso e casual, Gravity Island atrai pela criatividade de suas fases.

Em meio a tantos jogos complexos e extensos, o novo game da Astragon que chega ao Steam esse mês vai na direção oposta: nos dá uma diversão casual e simplória, que atrai não pelo enredo complexo ou pela diversidade, mas sim pelo desafio de passar por cada uma das fases do game. Com uma temática simples e próprio até para as crianças mais novas, Gravity Island possui potencial inclusive para ser educativo, incentivando a inteligência espacial e resolução de problemas dos mais jovens.

Shiro e seus Lumies

O enredo do jogo é bem simples: Shiro é um habitante fofinho da floresta que em um acidente acaba perdendo todos os seus Lumies, que são seres semelhantes a fadas que se espalham por todo a região de Gravity Island. Sua missão, então, é atravessar as quatro regiões/mundos do jogo e coletar todos os seres luminosos que se espalharam. São basicamente três Lumies por fase, em um mundo com 80 fases jogáveis.


O interessante do jogo não é exatamente a história, mas sim, seu visual leve e carismático e a simplicidade de enredo. Não é difícil se encantar com a fofura de Shiro, assim como todo o conjunto da obra pode não ser sensacional, mas atrai com o desenvolvimento da jogatina. O que pode causar certo desconforto em alguns momentos é a trilha sonora, a qual é excessivamente repetitiva tendo basicamente uma mesma música para cada 20 fases. O problema não é exatamente isso, mas sim a repetição, que possui um loop muito curto.

Nível de desafio digno

Um dos pontos altos do jogo é seu nível de desafio, que consegue ser adequado para qualquer idade. Com níveis iniciais bem didáticos e simples, a curva de dificuldade do jogo vai subindo em pausas padronizadas e com o acréscimo de pouco em pouco de elementos que dificultam os níveis, sejam eles espinhos, pisos escorregadios ou plataformas minúsculas. Esse ritmo que para muitos pode ser lento, na verdade permite que o jogo seja jogado por pessoas de todas as idades, algo nem sempre tão práticos de se fazer.


Somado a curva de dificuldade está o level design que é muito interessante. Aqui entramos na marca principal do jogo, o controle da gravidade nas fases. Ao usar determinados botões no chão, paredes e tetos das fases, Shiro consegue mudar o sentido da gravidade, passando a andar no teto, na parede esquerda, direita ou no chão. Junto com a direção da gravidade está a característica dos controles se manterem os mesmos, o que faz com que a coordenação do jogador tenha que ser boa o suficiente para manter os controles corretos mesmo com o personagem em uma parede, por exemplo.

Mas tudo ocorre de forma bem tranquila. Com comandos simples de andar e pular, o jogo vai elevando sua complexidade através de seus quatro mundos de forma bem lúdica. A frustração aqui é freada por reloadings super rápidos e a capacidade de recomeçar a fase com apenas um botão, algo que lembra bastante o ritmo de jogos como Super Meat Boy (Multi).

Um jogo para qualquer um brincar

Gravity Island é despretensioso e totalmente casual. Porém, bem sucedido naquilo que apresenta. Mesmo que o jogo seja demasiadamente curto, possui diversão e acaba sendo bastante útil principalmente para crianças com menos de 10 anos, que ainda não possuem coordenação motora totalmente desenvolvida e também carecem muitas vezes de jogos interessantes voltados para sua faixa etária.


Se a música frustra e enjoa às vezes, seus níveis, por outro lado, rápidos e inteligentes, têm o potencial para atrair crianças e adultos. Um jogo que não é grandioso e nem necessariamente memorável por nenhum de seus artifícios, mas sem dúvida um elemento muito útil e criativo, com nenhuma pretensão de fazer história, mas um bom jogo mesmo assim.

Prós

  • Comandos simples e bem regulados;
  • Visual leve e bonito;
  • Curva de aprendizado adequada para qualquer idade;
  • Level design inteligente;
  • Bom nível progressivo de dificuldade;
  • Útil para uso com crianças pequenas;
  • Reloads rápidos diminuem frustração.

Contras

  • Jogo curto demais;
  • Música das fases muito repetitiva pode irritar;
  • Objetivos e enredo superficiais e simplórios demais.

Gravity Island — PC/iOS — Nota: 6.0
Versão utilizada para análise: PC

Revisão: Ana Krishna Peixoto

Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, mas começou sua vida gamer bem cedo, no NES. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico.

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