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Análise: Duke Nukem 3D 20th Anniversary World Tour (Multi) é uma boa comemoração para a franquia

Duke Nukem 3D recebe mais uma versão melhorada que, entre altos e baixos, consegue combinar nostalgia e inovação.

Duke Nukem 3D (Multi) foi um ícone da sua época. Ao lado de outros grandes títulos de tiro em primeira pessoa como Quake e Doom, o jogo lançado em 1996 contribuiu com a popularidade do gênero sem deixar de inovar. Controlando o carismático e polêmico Duke Nukem, o jogador enfrentava uma invasão alienígena com muitos tiros, sangue, explosões, frases de efeito e mulheres semi-nuas.

A primeira versão 3D da franquia completa 20 anos e a equipe da 3D Realms tentou trazer algo novo para os fãs sem deixar o “clássico” de lado. É assim que nasceu Duke Nukem 3D 20th Anniversary World Tour (Multi), que ao mesmo tempo em que traz todo o conteúdo do jogo original remasterizado e com alguns novos efeitos, também inclui conteúdo original feito pela mesma equipe que trabalhou no jogo lá em 1996.


O que Duke Nukem tem de melhor em HD

Como toda versão remasterizada, World Tour traz algumas características marcantes do jogo original, mantendo tanto a excelente qualidade do título como também o efeito de nostalgia para quem o jogou no final dos anos 1990. Todas as fases de Duke Nukem 3D estão lá, porém com um motor gráfico mais atualizado em relação à remasterização anterior, Duke Nukem 3D Megaton (Multi), publicada em 2013.

Entre as novidades está o acréscimo da mira no cursor, que melhora a jogabilidade principalmente contra inimigos voadores ou que estão em andares acima do seu campo de visão, nos quais não era possível mirar de forma mais específica nos jogos anteriores, exatamente por conta da falta dessa mira fixa. Isso é combinado ao novo motor gráfico que possibilita a opção “True 3D”, dando uma melhor visibilidade para a visão em primeira pessoa que nos jogos anteriores era em 2.5D, o que acarretava em certas desconfigurações e até bugs ao olhar para cima.




Com o 3D verdadeiro,as novas paletas de cores e efeitos de textura e luz, o jogo ficou graficamente muito mais bonito. Isso sem modificar o traço original do jogo de 1996, garantindo a nostalgia certa para os fãs através de uma versão que tem como intenção exatamente celebrar o aniversário do jogo

Novidades bem vindas!

Entre os acréscimos que garantem a singularidade de World Tour, temos as novas frases do jogo, interpretadas pelo próprio Jon St. John, dublador original de Duke Nukem. As falas estão à altura das originais, voltando com o ar sarcástico, cômico e crítico originais da série e que acabaram se perdendo ao longo dos anos. Ainda temos também a opção de jogar com os comentários dos desenvolvedores do game, mesmo que, infelizmente, sem legendas.



Mas entre as novidades, a principal e mais bem-vinda, sem dúvidas, é o novo capítulo acrescentado aos moldes do primeiro jogo. A coletânea de oito fases chamada de “Alien World Order” conta com estágios originais desenvolvidos pelos designers que trabalharam em Duke Nukem 3D em 1996, o que garante a qualidade das fases e o senso de continuidade referente ao conteúdo original.

Entretanto, como são fases desenvolvidas vinte anos após o jogo original, sua complexidade e detalhismo são muito superiores, garantindo um nível de dificuldade excelente para os amantes da série. Um novo inimigo chamado de Firefly foi introduzido, assim como uma arma referente à suas capacidades pirotécnicas: o lança-chamas. Com uma jogabilidade distinta das demais armas naturais do jogo, o lança-chamas é um ótimo acréscimo ao grupo de armas altamente destrutíveis do título.


Entre altos e baixos     

Entretanto não é só de pontos positivos que vive Duke Nukem 3D 20th Anniversary World Tour. Se o jogo traz novidades gráficas e na fala do nosso querido protagonista, em contrapartida simplesmente sucateia o som ambiente do jogo original, sem sequer pegar o som com maior qualidade presente no jogo de 2013, mas sim os sons originais do jogo de 1996.

O principal problema disso é a discrepância de qualidade que fica entre o som ambiente e os efeitos sonoros, como as explosões e grunhidos dos monstros, e as falas totalmente remasterizadas de Duke Nukem. A impressão que fica é que faltou um pouco de capricho por parte da 2 Realms nessa etapado desenvolvimento. Um detalhe mínimo, mas que acaba prejudicando um pouco a experiência ao jogar o título.



Mesmo assim, o jogo ainda possui alguns artifícios novos que garantem a diversão. Um ponto alto comparado ao som falho do jogo é a capacidade de modificar todas as configurações gráficas de menus e layout. Escolhendo até se vai jogar com o alvo no cursor ou não. Isso garante que o game possa ser curtido ao estilo old school que muitos adoram ou então de forma mais atualizada, permitindo uma experiência inédita.

A possibilidade de escolher jogar qualquer fase na ordem que quiser ou seguir a “história” também é interessante, pois permite que o jogador assuma uma postura mais despretensiosa ao jogar ou então que se dedique a dar continuidade ao seu save com armas, munição e equipamentos que foi acumulando ao longo das fases anteriores.


Afinal, vale a pena revisitar a franquia?

No final desse percurso a pergunta que fica é: apenas três anos depois de uma remasterização de Duke Nukem 3D, vale a pena voltar ao jogo na edição de comemoração de vinte anos? A sensação que fico é que sim, ainda vale a pena voltar a encarnar Duke Nukem nessa aventura. Os motivos são vários e sem dúvida o conteúdo extra da edição é um fator bastante importante.

Entretanto, é importante que fiquem avisados que as melhorias gráficas, frases originais e o quinto episódio são os únicos conteúdos que terão de diferente da edição Megaton de 2013. Além disso, o humor sarcástico e ácido original dos primeiros games da franquia está em peso nessa edição, com algumas frases machistas e caricatas que já são marca registrada de Duke Nukem. Caso essas coisas não sejam um problema para você, leitor, a diversão com o jogo é garantida. E se você faz parte da parcela que nunca jogou Duke Nukem 3D, World Tour é um ótimo título para conhecer a franquia.



Prós

  • Ação, fases criativas e complexidade do jogo original continuam presentes;
  • Remasterização gráfica de qualidade sem abandonar os traços originais;
  • Novas fases criativas e complexas dando continuidade ao título original;
  • Novo inimigo e nova arma são bons acréscimos à ação do jogo;
  • Nostalgia permeia até as fases inéditas do título;
  • Conteúdo todo desenvolvido pela equipe original que criou o primeiro jogo;
  • Menus e layouts customizáveis permitem variação da forma de jogar;
  • Retorno do tom sarcástico e crítico original da série;
  • Título adequado para antigos e novos jogadores.

Contras

  • Humor ácido da franquia pode desagradar alguns;
  • Novas dublagens agradam, mas conflitam com o som ambiente;
  • Som ambiente original do primeiro jogo causa desconforto.


Duke Nukem 3D 20th Anniversary World Tour — Multi — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Pedro Vicente
Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, mas começou sua vida gamer bem cedo, no NES. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico.

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