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Análise: Dead Rising 2: Off the Record (Multi) é uma problemática aventura zumbi

Um beat n' up de zumbis que volta dos mortos aos tropeços.


Você se lembra de Dead Rising? Se não, provavelmente você conhece algum amigo que já jogou o game e comentou que era muito divertido. Um sucesso de crítica na última geração, as versões originais da franquia fazem seu retorno aos tempos tecnológicos atuais para mostrar como matar zumbis pode ser divertido. O problema é que o retorno parece até um morto-vivo que saiu da cova e tropeçou na saída, pelo menos no que diz respeito a um título especial da trilogia, Dead Rising 2: Off the Record.

Port com gosto azedo

Para quem nunca teve a chance de jogar, Off the Record nada mais é do que um spin-off de Dead Rising 2, em que o protagonista Chuck Greene é substituido por Frank West, do primeiro game. Além disso, a trama é a mais confusa possível, daquelas dignas de filmes de zumbi B dos anos 80. Tudo começa com Frank, esse típico anti-herói, imaginando se ele tivesse sido o personagem principal do surto no primeiro game em vez de de Chuck. O que era para ser apenas um reality show com zumbis acaba se tornando um jornada pela sobrevivência em que novamente Frank vai ter que lidar com os mortos-vivos e salvar quantas pessoas puder enquanto espera pela ajuda dos militares. Resumindo, não se preocupe com a história. Ela não é elaborada e está no game apenas como um ralo pano de fundo.
Prepare-se para uma aventura muito confusa e cheia de problemas.

E antes que comecemos a falar sobre a jogabilidade e as outras opções do game, é importante notar que esse título se trata de um port de 2010. O problema é que mesmo se tratando de algo que foi adaptado para rodar nos consoles atuais, alguns cuidados deveriam ter sido tomados. Além do fato de que as texturas estão um pouco melhores e o framerate aumentou para 60 fps, não existe nenhuma novidade que faça o port se destacar em relação ao original. Mas já que novos elementos não foram adicionados ao título, podia-se esperar que, pelo menos, as falhas tenham sido consertadas, não é mesmo? Doce engano.
Felizmente, poder tirar fotos com os zumbis é uma das poucas features sem problemas do game.

Meu maior problema (e de muitos outros jogadores, acabei descobrindo) é que os erros de conexão continuam nessa versão portada do game. Esse erro é tão grave que ele simplesmente congela a tela de início do game, obrigando você a desabilitar a conexão do console para poder iniciar o game. O pior é que se você tentar religar a conexão enquanto estiver jogando, não poderá salvar seu progresso, pois outro erro irá ocorrer. Sendo assim, fica impossível testar o modo co-op do game. Uma pena e uma frustração.

Bata, chute, espanque e repita

A pergunta que fica depois dessa péssima apresentação é se o game possui alguma qualidade? Por incrível que pareça, sim, pois ele é muito divertido. Afinal, não é em todo jogo de zumbi que você pode enfrentar os mortos-vivos com um ursinho de pelúcia gigante, não é mesmo? Além disso, mesmo sendo o título mais fraco dessa franquia zumbi que fez um grande sucesso de crítica em 2011, Off the Record ainda tem suas qualidades.
Colocar máscaras giantes para atrapalhar os zumbis? Claro que pode!

O movimento fluido e a mecânica simples de combate com os mortos-vivos são muito atrativos para aqueles jogadores que buscam um jogo simples e direto. Não é um survival horror ao estilo Resident Evil, mas você pode se divertir muito enquanto espanca hordas de zumbis com as armas mais inusitadas. A característica de sandbox é o que dá mais charme à franquia Dead Rising e esse elemento se acentua em Off the Record, no qual a liberdade de lutar da forma como você quiser é ainda maior. Além do mais, como Frank é um fotógrafo freelancer, você ainda pode tirar fotos das cenas de luta, ganhando pontos por características como horror, brutalidade, etc. Isso ajuda o personagem a subir de nível e liberar novas habilidades como correr mais rápido ou poder fabricar uma arma mais potente.
Existem várias roupas e skins diferentes para personalizar o game da forma que você quiser.

Infelizmente, o maior atrativo de Off the Record também é seu maior gargalo. O mundo de sandbox que Frank precisa atravessar e sobreviver é limitado nas suas possibilidades. Você pode pegar qualquer objeto e sair batendo nos zumbis, mas quase toda a jogabilidade se resume apenas a isso. As missões não são recompensadoras e qualquer personagem secundário que você encontrar irá ignorar assim que o levar a um local seguro e não terá mais que ouvi-lo falar.

“Você deveria ter permanecido morto!”

No caso de Dead Rising 2: Off the Record, a frase poderia ser adaptada para “você deveria ter permanecido em 2011”. Fica claro que a opção de portabilizar o game surgiu apenas como uma jogada para ganhar dinheiro e conquistar alguns jogadores da nova geração que nunca tiveram a chance de jogar o game no Xbox 360 ou PS3, o que é uma vergonha considerando que o título saiu de uma empresa com tanto prestígio quanto a Capcom. O gosto amargo fica mesmo para aqueles que, como eu, procuram uma diversão casual com zumbis e irão encontrar muito problema em tirar proveito de um game que insiste em travar mesmo na tela de início.
Frank, você deveria ter permanecido com apenas um fotógrafo freelancer mesmo.

Prós

  • Várias opções e liberdade de combate;
  • Ritmo fluido de ação.

Contras

  • Travamentos e crashes;
  • Bug de conexão praticamente impossibilita co-op online;
  • Pouca melhoria gráfica em relação ao original.

Dead Rising 2: Off the Record - PS4/XBO - Nota: 5.5
Versão utilizada para análise: PS4

Revisão: Luigi Santana
Luís Antônio Costa é graudado em Ciência da Computação pela UFRGS. Apaixonado por games desde que ganhou seu primeiro Master System e conheceu Sonic, também é amante da ciência e um devorador de livros. Além do GameBlast, também faz alguns textos para o Medium e pode ser encontrado no Facebook e Twitter.

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