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Análise: Burly Men at Sea (PC/Mobile) é um resgate das aventuras clássicas

A história dos irmãos pescadores é bonita e cheia de aventura.


Nas convenções narrativas atuais é comum pensar em aventura como um sinônimo de épicas, destrutivas e cheias de pirotecnias. Isso é um padrão que se repete nas mais várias mídias, desde livros até videogames e que, honestamente, tira muito das jornadas aventureiras originais. Talvez por isso Burly Men at Sea tenha me chamado tanto a atenção desde a primeira vez que vi algo sobre ele. Em sua fundação básica, Burly é uma ode as aventuras clássicas, a viagem rumo ao desconhecido.


Três irmãos pescadores e barbudos pescam uma garrafa com um mapa misterioso. Ao conversarem com o dono de uma cafeteria, decidem ir explorar o vasto mar na procura dos mistérios explícitos no mapa. O que se segue é uma aventura simples e de progressão não-linear, mas com uma escalada que faz muito sentido. Em nenhum momento as coisas parecem estar fora de lugar na jornada ou possuir exageros narrativos. Tudo, em um tom de fábula e cores gritantes, passa a incrível sensação de um mundo bem feito e contido.
 
Ajuda que o jogo entre nas convenções dos famosos adventures point-and-click, onde o progresso é dado pela exploração de tudo ao seu redor — embora essas mecânicas sejam bem adaptadas a óbvia interface feita para smartphones, o que faz o jogo sofrer um pouco em sua versão disponível no Steam. Apesar da jogabilidade ser mínima e envolver apenas clicar em pontos específicos, ela é muito pouco dinâmica no mouse. Ao começar o jogo pela primeira vez, perdi uns 10 minutos só para entender bem como a movimentação e interação funcionavam. Imagino eu que em celulares isso não seja um problema, já que a interação com a tela de toque me parece dinâmica o suficiente, mas, infelizmente, em computadores valeria a pena uma maior adaptação dos comandos, não somente uma conversão.

Burly Men é dividido em várias rotas e cada uma não dura mais que 10 minutos. Ao apresentar essas aventuras em doses pequenas, o jogo mostra seu verdadeiro trunfo: você quer saber mais e mais sobre o que está escondido no mar, e vai continuar explorando. Não é com só uma jogada que você vai ficar satisfeito, mas com 10 ou 11 você sentirá que a aventura já se fez por completa. E todas as pequenas aventuras são semi-fábulas: corrida contra a morte (literalmente), a barriga da baleia… Tudo isso acompanhado de uma trilha surpreendentemente bem-feita que conduz muito bem toda a trama e suas escaladas. Seja nos momentos calmos na vila inicial ou as agitadas tempestades, a música nos passa seus sentimentos perfeitamente, servindo como mais um agente contador da trama.

Toda as características do jogo se unem perfeitamente, possibilitando uma total compreensão e observação cada vez maior da história ali contada. Embora a premissa básica não mude, cada uma das aventuras se desenrola com várias opções diferentes. No final delas, você encontra uma entidade marítima que te parabeniza mas deixa claro que ainda existem muitas aventuras para se ver. Em um primeiro momento, parece algo confuso, mas o jogo consegue ser direto mesmo quando os caminhos estão divididos. É sempre fácil imaginar que caminho que você deve fazer para ter uma nova aventura, pois as opções sempre estão claras. Lá está você correndo com a morte, mas e se perder? Até agora o jogo não teve nenhum game over, talvez valha a pena tentar — e, assim, você descobre um novo caminho. Essas pequenas tentativas e erros fazem parte do charme, e o jogador nunca perde algo, e isso o faz se sentir cada vez mais incitado a explorar.

Por fim, não há muito o que se falar além de que Burly Men at Sea é uma experiência curiosa e que vai no completo contraponto das aventuras modernas. Na falta de uma forma melhor de o descrever, o chamaria de um épico mitológico (até por beber tanto da mitologia escandinava). Tudo aqui lembra e muito as aventuras que lemos nas mais variadas mitologias, e por isso o jogo me parece uma experiência tão nova e refrescante.

Prós


  • Resgate de uma abordagem de aventura não tão comum;
  • Bom uso da trilha sonora para conduzir a trama;
  • Sessões curtas que vão cultivando o interesse do jogador pelo jogo.

Contras


  • Um tanto mal adaptado para o computador, sendo melhor em smartphones.


Burly Men at Sea — PC, iOS, Android — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PC

Revisão: Ana Krishna Peixoto

Dácio Augusto é estudante de Gestão Financeira na Fatec e redator no GameBlast. Cercado de jogos desde pequeno, foi crescendo e aprendendo a fazer avaliações mais lúdicas do que objetivas.

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